quinta-feira, fevereiro 15, 2018

Vamos falar de corrupção?

Não faltaram notícias sobre corrupção nesta quinzena, especialmente nos seguintes países: Nigéria, Quênia, África do Sul, Romênia, Paquistão, Índia, Tailândia, Romênia, Ucrânia, Espanha, Alemanha, Canadá, Inglaterra, Estados Unidos.  Alguns exemplos:

  • O presidente da África do Sul Jacob Zuma renunciou ontem, acusado de corrupção.
  • Quênia está cobrando da Suíça o dinheiro desviado por políticos.  A organização internacional Tax Justice Network divulgou o financial secrecy index mostrando os maiores paraísos fiscais (eufemismo para lavagem de dinheiro?), sendo o ranking capitaneado por Suíça, Estados Unidos, Caimã, Hong Kong e Singapura.
  • O primeiro ministro (sionista, fascista) Netanyahu virou caso de polícia em Israel, de tanto que está enrolado em corrupção.
  • A corrupção na Tailândia piorou muito depois do golpe militar de 2014 que prometia ‘acabar com a corrupção’.
  • Diretora de uma das maiores ONGs do mundo, a inglesa Oxfam, cuja missão seria atuar contra a pobreza e as injustiças, se demite por causa do escândalo das orgias de seu pessoal com prostitutas no Haiti.
  • O presidente da Comissão Federal de Comunicações (FCC), Ajit Pai, nomeado por Trump, é suspeito de ter acabado com a neutralidade na Internet nos Estados Unidos para beneficiar empresas de telecomunicações em detrimento dos consumidores.  E, por falar no misógino e troglodita de direita Trump, está nos noticiários de lá o caso em que ele pagou cento e trinta mil dólares a uma atriz pornô.
  • Montadoras alemãs (VW, BMW e Mercedes) escandalizam o mundo por financiar testes criminosos (típicos do nazismo) com humanos e macacos.
Mas no Brasil a mídia celebra a Operação Lava Jato porque seu alvo é a atual oposição ao governo ilegítimo desde o golpe de 2016.  O golpe foi iniciado com as manifestações de 2013, iniciadas pelos garotos do Movimento Passe Livre, mas imediatamente tomada por mercenários de direita financiados por grandes empresas.  Depois veio o impeachment da presidenta que ousou se reeleger e atrapalhar os negócios de corruptos e corruptores, golpe descaradamente ignorado pelo STF acovardado. A fase atual do golpe é tornar inelegível o candidato mais popular, em cujo governo o país mais avançou em termos econômicos e sociais quando comparado a toda a nossa história republicana.
Os manipulados, que acreditam que a corrupção foi inventada por Lula em 2003, não conseguem enxergar que a corrupção é universal e tão antiga quanto a humanidade, e que contém duas partes: o corrompido (que pela mídia enviesada é o único corrupto) e o corrompedor, ou corruptor (a quem a mídia e a justiça são lenientes).  Através do financiamento privado de campanha e do caixa dois, as empresas financiam políticos.  Como não existe almoço de graça, uma vez eleitos, esses políticos, tanto no executivo como no legislativo, favorecem as empresas de várias maneiras, principalmente pela renúncia fiscal.  A primeira consequência é o aumento de impostos como compensação.  Aí a mídia parceira faz campanha contra os impostos, enquanto as empresas, ‘boazinhas e patriotas’, já beneficiadas pelos políticos que compraram, mandam dinheiro para os paraísos fiscais.  Isso sempre deu certo para a plutocracia quando o governo era camarada, mas com a dieta forçada da direita, que não conseguia eleger presidente há mais de 16 anos, a decisão das elites foi investir contra a reeleição em 2014 usando o argumento da corrupção na Petrobras.  Claro que havia corrupção na Petrobras, mas pelo menos desde o governo FHC ainda no primeiro mandato, então denunciada pelos jornalistas Paulo Francis em 1996 e Ricardo Boechat em 1989.  A única atitude do quinta-coluna FHC foi colocar o genro David Zylberstajn no comando da ANP (Agência Nacional do Petróleo).
O golpe de 2016 diferiu daquele de 1964 porque desta vez os paletós substituíram as fardas pelas togas.  E, como em 1964, também houve financiamento estrangeiro porque empresas e bancos sempre estiveram de olho em nossas riquezas nacionais, e não apenas no petróleo.  Os neoliberais alegam que tudo estaria melhor em mãos privadas, logo elas que são as grandes corruptoras!
Pior do que o papel desonesto da mídia, capitaneada por Globo, Estado, Folha, Abril, Band e Jovem Pan, é o papel do Ministério Público e do Judiciário, tomados por oportunistas, vagabundos e bandidos, conforme o próprio CNJ (Conselho Nacional de Justiça), criado no primeiro mandato Lula (que tomou diversas medidas contra a corrupção, aliás).  Recentemente soubemos da colaboração de órgãos de polícia estrangeiros com a Operação Lava Jato, que praticamente destruiu empreiteiras brasileiras e o setor naval, provavelmente para beneficiar empresas, bancos e petroleiros estrangeiros que andam pagando banquetes para nossos juízes.  Aliás, houve juiz dizendo com toda cara-de-pau que pediu bolsa-moradia, mesmo tendo casa no município em que ‘trabalha’, porque não teve aumento (desde o governo que ajudou a derrubar).
Nessa Operação, raramente o corruptor é preso, julgado e condenado, mas quando isso ocorre suas penas são reduzidíssimas caso delatem os inimigos opositores.  Mas para passar incólume, há um segredo: ser tucano.  Outro dia, soube de patrouxinhas paneleiros que tucano não vai preso porque tem foro privilegiado, mesmo havendo malas de dinheiro aqui e na Suíça.  Nada mais falso.  Delcídio do Amaral, ex-senador tucano, foi preso em pleno mandato.  Seu erro: ter trocado o PSDB pelo PT!
A Caixa de Pandora foi aberta, os trabalhadores estão vendo a precarização do trabalho e dos direitos, o fim das aposentadorias, uma nova onda de privatizações como aquela privataria do FHC, a liberdade de grandes corruptos, como Aécio, José 'Bolinha de Papel' Serra, Eduardo 'Caranguejo' Cunha, Temer, Eliseu 'Primo' Padilha, Romero 'Caju, com o Supremo e com tudo' Jucá, Geddel 'Babel' Lima, Moreira 'Angorá' Franco, Rodrigo 'Botafogo' Maia, Eunício 'Índio' Oliveira, e a lista segue enorme, recheada de políticos de direita.  Para não dizer que nunca antes na História do país estivemos tão mal, admito que este período só foi superado pela ditadura civil-militar iniciada em 1964.  Infelizmente há muitos idiotas que a querem de volta.  E acredite se quiser, as igrejas (neo) pentecostais e seus pastores bilionários financiam políticos para apoiar o retrocesso e implantar uma teocracia judaico-cristã no Brasil.

Sabe 1968? Pois é, faz 50 anos. O que vem pela frente? 

domingo, janeiro 28, 2018

O golpe de estado brasileiro e a maré fascista


Em vista do surgimento das forças de direita e de extrema-direita tanto nas Américas quanto na Europa, nosso objetivo consiste em promover uma discussão sobre o golpe no Brasil. Após um período de estabilidade, ao lado do surgimento de uma série de manifestações populares, em 2013, o Brasil testemunhou o impeachment de Dilma Rousseff, que foi implicada por uma manobra parlamentar ilegal. O golpe brasileiro abriu a porta para uma série de reformas institucionais, aprofundando a distância entre os representados e os seus representantes, uma vez que promoveu um programa político que não foi certificado por nenhuma disputa eleitoral. A melhor realização deste processo ocorreu na forma de uma emenda à Constituição, que impediu qualquer aumento real das despesas públicas para os próximos 20 anos (Emenda Constitucional número 95, aprovada pelo Senado em dezembro de 2016). É desnecessário dizer que tal modificação radical nunca seria aprovada pela escolha popular.
No entanto, o contexto brasileiro não pode ser entendido sem referência ao crescimento contínuo da importância do discurso de direita (e da extrema direita) em meio à turbulência política. Desde manifestações maciças em 1984 que culminaram na restauração de instituições democráticas, a profundidade dos problemas sociais brasileiros prejudicou o poder da retórica da direita tanto no lado liberal como no lado conservador. A própria qualificação de "direita" foi considerada como um eficiente método de desqualificação na arena política. Por esta razão, intelectuais de direita insistiram repetidamente na necessidade de superar a dicotomia esquerda-direita no Brasil - quando eles simplesmente não rejeitaram qualquer afiliação a ideias de direita. Nos últimos anos, essa situação mudou. A direita não está mais envergonhada de indicar suas preferências ideológicas. Organizada através de think tanks, bem como ideólogos, e com o apoio dos principais jornais, eles desenvolveram uma frente ideológica sofisticada, que espalha idéias violentas contra minorias e o que rotulam de "modernidade cultural". Existe um claro esforço para neutralizar todas as ideias que podem ser consideradas como esquerdistas, ideias que são retratadas como patologias cognitivas e desvios morais. O moralismo tornou-se uma característica central do novo conservadorismo brasileiro, que, não obstante sua heterogeneidade intrínseca, revela traços gerais importantes.
No Brasil, a crítica contra a "modernidade cultural" vem ao lado da avaliação do capitalismo e da distribuição de riqueza baseada no mercado. Consequentemente, combina elementos das tendências de extrema-direita com a visão neoliberal da economia. Análises tais como as de Jürgen Habermas sobre o novo conservadorismo ou o "Ódio da Democracia", de Jacques Rancière, expressam a inscrição global da maré conservadora e evita qualquer interpretação isolada do contexto brasileiro. Por outro lado, é necessário levar em consideração as particularidades dos discursos de direita e extrema direita no Brasil, que, por exemplo, não dão muita importância a uma discussão sobre xenofobia.

P.S.: Essa é uma tradução livre do texto The brazilian Coup d'État and the right-wing tide da Fundação Roxa Luxemburgo.

domingo, dezembro 17, 2017

Jornal só serve para embrulhar peixe?


Síntese do golpe de 2016

Conheci gente que, quando abria um jornal, ia direto e somente às seções de esporte, diversão e lazer.  Hoje, mesmo com os portais dos jornalões à disposição na internet, muita gente prefere os sites de esportes, diversão e fofoca (do tipo da revista Caras, que é melhor que a Veja). Quem não lê, não escreve, não fala, não pensa.  Esse pessoal não argumentos; tem memes, apenas.  Não tem opinião e, quando parece ter, a opinião é alheia, da TV, do Facebook, do Whatsapp.

Notícias interessantes desta primeira quinzena:

Patópolis se rende às empresas contra a neutralidade da Internet
Será que os paneleiros continuarão a se arrepender?

Justiça boa é justiça rápida?
Aos amigos, os favores, tudo; aos inimigos, o rigor da lei.

Diga-me com quem andas e te direi quem és
Mestre Hariovaldo resumiu toda a farsa.
Não ria, mas uma vez um desinformado me disse que a Folha é petista.  Será por que, de vez em quando, a Folha deixa escapar alguma notícia ruim para os amigos? Veja essa: Diretor da PF senta à mesa de réu do mensalão tucano em festa

O El País é petralha? Olha a manchete: Bancada da Bala, Boi e Bíblia impõe ano de retrocesso para mulheres e indígenas.  Quando as pessoas entenderão que não se deve votar em militar, empresário e pastor?

E agora, sobre o helicoca:
Juiz impede quebra de sigilo contra filho de Perrella

Envolvido no caso do helicoca é preso ao tentar enviar 246 kg de cocaína para a Espanha

Ainda bem que temos o mestre Hariovaldo para nos injetar otimismo: Alvorecer da Nova Era brilha primeiro em Honduras
Um povo que não conhece a própria história está condenado a repeti-la. É muito importante conhecer História e, particularmente, a história recente do país.
Olha que interessante essa edição do Jornal do Brasil, de 26 anos atrás, especialmente o artigo da página 5: Ex-diretoria da Embratur terá que devolver Cz$ 6,5 milhões

Certas escolhas não devem ser feitas como se escolhe um sabonete ou um perfume em uma prateleira de uma loja.  Quem vê cara, não vê coração.
Nada (ou tudo?) a ver com Malafaia e todos esses pastores bilionários típicos das Américas, mas consta em um livro antigo de certo povo distante que “... tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo.  E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz".

Faz mais de dois anos que os caras publicaram http://lcmoura.blogspot.com.br/2015/06/nem-tudo-que-reluz-e-ouro.html

Cuidado com os rótulos de gestor, empresário, administrador, apolítico, democratas, patriotas, progressistas, novo, renovar, livres, força Brasil, pátria Brasil, Brasil livre, igualdade, solidariedade, rede, sustentabilidade, avante, podemos... Podem ser arapucas para pegar incautos, desinformados, gente que fugiu dos livros e da escola.

Mas, voltando à realidade de hoje, de agora, três notícias chamam bastante a atenção:

O colunista Luís Fernando Veríssimo lembra a corrupção dos militares, que não era investigada
Essa é boa para mostrar aos bolsomínions que pedem a volta do regime militar (corrupto, torturador, assassino). A matéria original é dO Globo, mas é necessário se cadastrar para lê-la.

Obscurantismo avança sobre as universidades brasileiras
Os primeiros setores a sofrer com a volta do fascismo são a cultura e a educação.

Lideranças evangélicas querem que Brasil siga EUA e transfira embaixada em Israel para Jerusalém
É lamentável como os picaretas do evangelho pretendem tornar o país uma teocracia a serviço do sionismo!

E esta é a última do Menino Malufinho:

Rejeição a Doria triplica e já chega a 39%

A ficha está caindo.  O município, o estado (enquanto unidade da federação) e o país não são empresas.  A sociedade precisa de governo, e não de administração.  Para quem não sabe, o Menino Malufinho, nascido em berço de ouro, teve seu primeiro emprego como diretor (que QI!) e, com a LIDE, não passa de um agente de encontros (você sabe para quê, não?) entre empresários e políticos.
A ideia não é combater esse espertalhão, mas apenas refletir sobre as escolhas que fazemos e as condições que nos obrigam a optar por elas.
Conhecer a História é fundamental.
Quem quiser saber mais sobre o prefake, basta ler o artigo do The Intercept: https://theintercept.com/2016/10/09/a-velha-nova-politica-de-joao-doria-junior/

Alvíssaras?

domingo, outubro 22, 2017

Mídia golpista hoje


Domingo é dia de folhear os jornalões e tentar entender o que a máfia dos barões da mídia está querendo que a gente acredite.
O Globo, entre diversos artigos sobre a Rússia e a antiga União Soviética, sobre o Brasil diz que "em meio à crise das esquerdas, cartilha liberal vai para as urnas", entusiasmado com os partidinhos de direita: Livres (a "renovação" do PSL, Partido Social Liberal) e Partido Novo.
O Globo parece estar rompido com o governo ilegítimo de Temer e sua camarilha de criminosos.  Por exemplo, a lambe-botas Leitão, no artigo "Viagem ao passado", critica a portaria do Ministério do Trabalho que tucanou o trabalho escravo e dá poder de censura ao ministro Ronaldo Nogueira, deputado federal pelo PTB (trabalhismo pelego) e pastor da igreja Assembleia de Deus (que articula criação de partido conservador de direita).  Ela cita os casos de escravidão envolvendo dois políticos de Pernambuco, o ex-deputado e ex-presidente da Câmara, Inocêncio de Oliveira (ARENA, PDS, PFL, PL, PR), e o senador Armando Monteiro (PSDB, PMDB, PTB), ex-presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria).
Por outro lado, O Globo também parece estar constrangido com o PSDB e Aécio (sugerindo que seu ex-candidato à presidência, e amigo de Gilmar Mendes, se candidate a deputado porque uma candidatura ao senado seria arriscada). Elio Gaspari comenta, inclusive na Folha, sobre a "poderosa blindagem do tucanato paulista" e a reintegração no TCE-SP do conselheiro Robson Marinho investigado desde 2008 - leia no Brasil247.  Para refrescar a memória, Robson Marinho, o "RM" da lista de subornos da empresa francesa Alstom, é o tucano que foi secretário da Casa Civil do governo Mario Covas.
Na Folha, Janio de Freitas escreve que "suposição de que Dodge veio para salvar Temer ganha nova estatura", depois que a procuradora-geral da república Raquel Dodge apontou o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB), sub de Temer, como chefe de quadrilha e líder de organização criminosa.
Também na Folha, Bernardo Mello Franco escreve sobre "a lata velha de Huck", comentando sobre a aposta de setores da direita no apresentador da Globo, Luciano Huck, amigo de Aécio Neves, Sergio Cabral e Eike Batista.  O mesmo tema é comentado pelas repórteres do Painel.  O mercado avalia Huck pelo seu liberalismo na economia e nos costumes em um momento em que o prefake ainda neotucano Doria está cada vez mais desgastado com sua mais recente trapalhada, a ração humana.
O Estadão, folhetim da extrema direita, afirma que Bolsonaro faz o PEN (Partido Ecológico Nacional) virar Patriota (PATRI), abandonar causa ambiental, proibir apoio ao aborto e defender uso de armas - tudo isso para atrair o candidato dos analfabetos políticos e dos extremistas de direita.  O detalhe é que Bolsonaro (Bozonazi, Boçalnaro etc.), segundo o qual Uberlândia é cidade paulista,  ainda está no PSC, Partido Social Cristão, ex-Partido Democrático Republicano.
Vou terminar por aqui, porque ler o Estadão, da Eliane Cantanhêde e da Vera Magalhães (da Jovem Pan), me deu náuseas.  Tem um Plasil aí? Dramin também serve.

sábado, agosto 26, 2017

Uma Tarde em Buenos Aires



O “Santos Manjares” é o nono melhor restaurante de Buenos Aires segundo avaliações do TripAdvisor.  Fica na calle Paraguay, no bairro do Retiro, a uma quadra da Estátua de Adolfo Alsina, avenida 9 de Julio, aquela larga, do Obelisco.  É simples, mas a comida é boa e o pessoal é muito simpático e amigável.  Lá, recomendo o ‘bife de chorizo al punto’.  Uma sugestão: não peça café e ‘postres’ (sobremesas) – em vez disso, caminhe uns 20 minutos para fazer a digestão e prove café brasileiro ou colombiano e alfajores no “ El Gato Negro”, na Corrientes.
Enquanto Santiago tem uma farmácia em cada esquina, Montevideo, casas de câmbio, Buenos Aires tem livrarias, muitas.  É difícil resistir e não comprar nenhum título, livro técnico ou de ficção.  Chama a atenção o número de teatros e de livrarias.  Buenos Aires é a cidade com mais livrarias do mundo, tendo mais livrarias que o Brasil inteiro.  Temos de admitir: o portenho médio é mais educado e culto do que a nossa classe média (ignorante, hipócrita e preconceituosa).
Buenos Aires também tem uma boa malha de ‘subte’ (metrô).  As composições assemelham-se mais a trens mesmo, e as estações estão um tanto descuidadas, embora a decoração e a presença de músicos sejam destaques interessantes.  A estação Carlos Gardel tem saída para o shopping Abasto, um dos maiores da cidade.  Hoje, numa de suas 12 salas, vi o novo filme do Santiago Mitre, “La Cordillera”, com Ricardo Darín no papel de Hernán Blanco, hipotético presidente da Argentina, vivendo momentos críticos nos âmbitos político e familiar, durante uma cúpula latino-americana em Valle Nevado (‘ski resort’ perto de Santiago do Chile, na Cordilheira do Andes - daí o nome original do filme).  Não vou contar o filme, mas preste atenção às referências a Lula e à Petrobras, à manipulação corruptora dos ianques na região e à corruptibilidade das autoridades latino-americanas.

domingo, agosto 06, 2017

Dia de Vergonha e Dia de Covardia




Em menos de um ano e meio, o Brasil teve seu segundo Dia da Vergonha, nesta última quarta-feira, dois de agosto. A Câmara dos Deputados optou pelo arquivamento da denúncia de corrupção passiva contra o presidente ilegítimo Michel Temer (PMDB/SP).  Votaram unanimemente pelo não ao arquivamento apenas PT (58 votos), PCdoB (10), PSOL (6), REDE (4) e PMB (1).  Pela ordem, os partidos que mais contribuíram com Temer (ou foram comprados): PMDB (53 votos), PP (37), PR (28), DEM (23), PSD e PSDB (22); ou seja, a direita, que se dizia contra a corrupção, agora disse que estabilidade é mais importante e corrupção não é mais um problema.  Os partidos que votaram contra Temer foram os mesmos que votaram unanimemente contra a reforma trabalhista patrocinada pelos patrões.  O PDT tem um reacionário em suas fileiras, e o PSB está dividido, lamentavelmente.  Todo desinformado, que acredita que partido e político é tudo igual, deveria saber que a diferença é cristalina quando se vota temas de interesse nacional.

Dessa vez tivemos novidades interessantes.

A classe média não bateu panela, mas quer o fim do governo... da Venezuela!

A maioria da bancada evangélica votou a favor de Temer alegando que foi guiada por Deus.  Em outras palavras, pastores picaretas, que enriquecem à custa da fé popular, não se importam com a corrupção ou se o vampiro é satanista ou não.

E a TV Globo, pela primeira vez, cancelou novelas e Jornal Nacional - portanto em um dia de semana - para transmitir ao vivo a votação, mesmo perdendo audiência, uma vez que decidiu desembarcar do golpe que apoiou – não sei se por causa da queda da verba publicitária ou da popularidade do governo. O mais cômico, e trágico, é que Ali Kamel, o diretor de jornalismo da Globo, que decretara não haver racismo no Brasil, e que anda às turras com os jornalistas da Folha, dois dias depois disse que “a Globo faz jornalismo, não faz campanha, nem contra nem a favor, em respeito ao público”.  Ou seja, mente descaradamente.  Qualquer estudante de jornalismo sabe - ou deveria saber - que jornalismo não é só jornalismo, mas principalmente negócio.

Não poderia terminar sem lembrar que hoje fazem 72 anos que Hiroshima e cerca de 130 mil alvos civis foram alvos de armas nucleares ianques.

Vamos falar de corrupção?

Não faltaram notícias sobre corrupção nesta quinzena, especialmente nos seguintes países: Nigéria, Quênia, África do Sul, Romênia, Paquis...