terça-feira, setembro 30, 2003

All that glisters is not gold


Nem tudo que reluz é ouro. Aprendi esse provérbio com meus pais. E mais tarde soube que tem gente que completa assim: “... e nem todo sapato é de couro”. O título acima é uma citação de Shakespeare (“O Mercador de Veneza”). Em vez do verbo glister, pode-se encontrar glisten, glitter, glint, glimmer, gleam e glance, além de outros com o mesmo sentido – reluzir. Pois é. Mas é que geralmente a gente aprende a citar um provérbio, atendo-se mais à sua forma do que ao seu conteúdo. Ou seja, nem sempre a gente aprende na prática o seu significado. Aonde quero chegar? Quase todo mundo tem idéias pré-concebidas a respeito de credos filosóficos, religiosos ou políticos. O mesmo vale para etnias, raças. E também profissões. Vamos dar alguns exemplos. Não se espera comportamento exemplar da maioria dos políticos, seja no poder legislativo ou no poder executivo. Por outro lado, o poder judiciário sempre foi considerado exemplar no Brasil, apesar da morosidade da Justiça por aqui. Mas o que dizer da atitude dos juízes perante a reforma da Previdência? Os jornais trazem notícias de barbaridades cometidas por médicos, nem sempre por imperícia, mas muitas vezes por ganância. A igreja vai pagar muita indenização nos Estados Unidos por causa da pedofilia de muitos padres. Muita gente coloca rótulos em pessoas e classes. E espera determinado comportamento delas. Mas freqüentemente elas não seguem o script e acabam proporcionando grandes surpresas. Quando a pessoa ou classe nos causa uma boa surpresa, costumamos dizer que isso aconteceu apesar dos defeitos dessa pessoa ou classe. Por outro lado, a decepção é grande quando aquela pessoa ou classe não se comporta de acordo com as virtudes que lhes atribuímos. As aparências enganam. All that glitters...

quinta-feira, setembro 25, 2003

27 Israeli Reserve Pilots Say They Refuse to Bomb Civilians


Esta é a manchete da área internacional do The New York Times de hoje, que atesta que 27 pilotos de Israel enviaram carta ao comandante da Força Aérea local recusando-se a participar de ataques aéreos contra civis inocentes e que "the petition is similar to a letter signed by hundreds of reserve soldiers who have pledged not to serve in the West Bank or the Gaza Strip", isto é, conforme traz também a Folha de S.Paulo, "cerca de 500 soldados da reserva israelense preferiram ser presos a servir nos territórios ocupados"...Bem, destaco o assunto com ênfase porque fiquei supreso e feliz ao tomar conhecimento desse fato agora pela manhã. Isto merece uma reflexão.

quinta-feira, setembro 18, 2003

Para quem não gosta de ter um anti-vírus rodando na máquina, é possível fazer uma varredura online nos seguintes sites: Trend Micro e Symantec. Por outro lado, uma boa opção de anti-vírus é o AVG Free Edition da Grisoft, que além de ótimo é gratuito. Quanto a firewalls, eu particularmente gosto do Kerio e do ZoneAlarm.

A competência e o poder

Na Nova Atlântida existia uma empresa chamada BAZÓFIA, que fabricava e vendia parafusos da marca Screw U. Conta-se que o Cardécio Iaí, um moço esforçado e sempre atento às coisas da empresa, passou a ser o braço direito por lá. Nada mais adequado. No entanto, havia alguns boatos pelos corredores. Conforme alguns, a promoção do Cardécio aconteceu porque o pai dele seria o dono da empresa. Segundo outros, o pai do Cardécio era um fidalgo conhecido na Corte ou no Gabinete. Talvez fossem apenas rumores e essas pessoas não faziam idéia do duro que o Cardécio tinha dado para chegar lá. Sabe, às vezes fico pensando cá com meus botões. Não gostaria de estar na pele do Cardécio. Tá, ele estava numa situação confortável, com futuro garantido. O Iaí – ele não gostava que o chamassem pelo sobrenome – devia ser competente, não sei. Bem, para chegar lá alguma competência certamente ele tinha, não? Mas aquelas insinuações, caso procedentes, de uma forma ou de outra comprometeriam essa competência. Senão, foi ele promovido por puro mérito ou por mera filiação e apadrinhamento? Mas o que me intriga não é isso. É mais relevante o que vem do berço, e não o que se pode adquirir depois. Conta-se que o Cardécio tinha sido boa pessoa desde cedo. Mas e o comportamento dele depois que passou a ter em mãos o timão, o controle do leme lá na BAZÓFIA? Mudou? Permaneceu o mesmo? A friend in power is a friend lost. Não sei se foi o caso dele, mas já foi dito que o poder corrompe. Será? Às vezes parece que o poder faz o papel do vento que leva para longe a neblina, a cortina de fumaça. É como o desembaçador de pára-brisa, sem o qual a gente não vê o que está na frente. É como aquele aparelhinho ou serviço que deixa a gente ver quem já ligou, quem está ligando. O poder dá transparência, sem querer. Desnuda. A coisa é simples assim: dê algum poder a uma pessoa e observe as escolhas que ela faz. Existe modo melhor de se conhecer de fato alguém? Alguém tem notícias do Cardécio?

terça-feira, setembro 16, 2003

This is my new blogchalk:
Brazil, São Paulo, São Bernardo do Campo, Nova Petrópolis, Portuguese, English, Luiz, Male, 41-45, Tintas, Informática. :)

segunda-feira, setembro 15, 2003

Amizade

"É a amizade a matéria-prima da fotossíntese humana, a própria sublimação da espécie". Essa frase bizarra foi cunhada por um colega em 1994. E sempre que vejo alguém daquela época, automaticamente me lembro da tal frase. Faz 10 dias encontrei vários colegas e alguns amigos no congresso da ABRAFATI. E aí foi inevitável lembrar. E também foi inevitável perguntar a mim mesmo: o que é a amizade? Seria a matéria-prima da fotossíntese humana? Seria a própria sublimação da espécie? Tem gente que acha que ser amigo é estar o tempo todo ao lado. Será? Nem sempre a vizinhança ou a presença constante é sinal de amizade, mas pode ser sinal de estratégia, tática. De outra forma, não haveria traição, decepção. Muitos já foram vendidos por 30 moedas, não? Então não podemos confundir amizade com proximidade. Às vêzes a distância faz as pessoas se conhecerem muito mais, em termos de pensamento e sentimentos, contanto que se comuniquem. Longe dos olhos, perto do coração. Que o digam os antigos pen pals e os atuais cyber friends. Por outro lado, a presença constante pode até ser inoportuna. O Velho Testamento adverte: "Tira o pé da casa do teu amigo, antes que ele se enfade de ti". Também não quero defender que para haver amizade tem que haver distância, não é isso. Costumo pensar que amizade é saber que a gente pode contar com a pessoa. Amizade é solidariedade. é simpatia, mas no sentido original dessa palavra (que vem do grego sympatheia, de sun+pathos), que quer dizer compartilhar emoções e idéias. Bom, para encurtar o assunto, quero dizer que nutro grande admiração e respeito por alguns amigos. Alguns deles eu não vejo todos os dias. Não vou citar nomes, porque eles sabem. Por outro lado, aos poucos colegas que não foram solidários comigo, perdôo porque os entendo. Afinal, eles devem ter tido lá suas razões. Meus amigos que me perdoem, mas eu tenho muitos defeitos. Como se diz em inglês: "Love is blind; friendship closes its eyes". E amizade é assim mesmo: não se pode ter verdadeira simpatia por todo mundo. Se o seu time perder, eu vou morrer de rir. Se você torce para o time da marginal sem número, eu não vou perder o respeito por você e nem pelo seu direito de torcer pelo time que você preferir. Como disse Voltaire, "I disapprove of what you say, but I will defend to the death your right to say it". Porque existe uma coisa que é mais importante que a própria amizade: a tolerância. Vamos discutí-la outra hora.

Mídia golpista hoje

Domingo é dia de folhear os jornalões e tentar entender o que a máfia dos barões da mídia está querendo que a gente acredite. O Globo, en...