terça-feira, outubro 25, 2005

Direitos Civis


Ontem morreu Rosa Louise Parks, a costureira negra que, em 1º de dezembro de 1955, em Montgomery, Alabama, foi presa, julgada e condenada por conduta tumultuosa e por violar uma lei local, porque se recusou a obedecer à ordem do motorista do ônibus para dar seu lugar a um homem branco. Resultado: a comunidade negra boicotou os ônibus públicos por 381 dias, e os ônibus circularam praticamente vazios, até que aquela lei de segregação foi suspensa. Uma vez ela disse: “Gostaria de ser conhecida como alguém interessada na liberdade, na igualdade, na justiça e na prosperidade para todas as pessoas”.


Hoje é o dia da democracia. Há 30 anos o jornalista Vladimir Herzog, diretor de jornalismo da TV Cultura, foi preso e brutalmente torturado até a morte nas dependências do DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna, sucessor da Oban - Operação Bandeirantes). O comandante do 2º Exército, general Ednardo D´Ávila Mello, afirmou no dia seguinte que Herzog tinha se suicidado. O general mentiroso foi demitido pelo Geisel só em 16 de janeiro de 1976, quando o operário Manuel Fiel Filho também “foi suicidado”. São tristes estes “fatos de um passado trágico”. Enquanto acontecia eu estava na Unicamp e aí soube o que se passava de fato no país. Muita gente não sabia disso, porque havia censura. Mas é muito triste constatar que hoje as pessoas, e principalmente os jovens, ainda não sabem o que houve. Há um completo desconhecimento da história recente do país. As pessoas não lêem. E quando o fazem, nem têm idéia de como se comportaram suas fontes de informação naquela época. É impressionante o número de jornalista “meia-colher” escrevendo e falando por aí na mídia. Para terminar: que tal assistir “Vlado – 30 Anos Depois” (João Batista de Andrade, 2005)?

domingo, outubro 23, 2005

Sim ou não?


Cheguei da escola onde fui votar. Votei "sim" à proibição do comércio de armas de fogo e munição. Pesquisas de boca de urna apontam a vitória do "não". Estou desapontado. Muita gente de quem eu gosto votou ou vai votar no "não". Bom, vou continuar gostando dessas pessoas. Mas não de suas idéias, de suas crenças, de suas escolhas. Por outro lado, acho que algumas pessoas vão me olhar de forma diferente porque explicitei minha escolha pelo "sim". Num ambiente em que é necessário fazer e explicitar uma escolha, sempre há o risco de acabar sendo penalizado, caso sua escolha seja diferente daquela da maioria ou dos mais importantes numa hierarquia. Aí caberia um exercício de maturidade e tolerância: manter a diferenciação entre pessoas e idéias. Infelizmente é comum não se fazer isso. As pessoas não deveriam ser julgadas por suas idéias. No entanto, são. E não somente nas ditaduras, nos regimes de exceção. Isto acontece no mundo todo, mesmo nas democracias mais consolidadas. Senão, não haveria preconceito e perseguição a pessoas que simplesmente são diferentes ou pensam diferente. Que bom seria se todos levassem em conta o que disse Voltaire: "Posso não concordar com o que você tem a dizer, mas eu defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo”. Tratamento justo e respeitoso às pessoas - este deveria ser um dos valores mais importantes para a humanidade.

terça-feira, outubro 18, 2005

Nossa Língua


Costumo dizer que na fala do cotidiano é até aceitável falar-se "errado". Tudo depende do contexto, do meio, das pessoas com quem você estiver falando. Questão de adequação. Não vá querer falar português literário numa geral em pleno clássico de futebol. E nem tratar um juiz de direito como se estivesse se dirigindo a um conhecido num botequim. Mas na hora de escrever, cuidado. Recebo cada e-mail no ambiente profissional que nem acredito. Tudo bem que também não sou infalível. Mas juro que me preocupo quando estou escrevendo. Aliás, aceito toda e qualquer observação, sem levar para o lado pessoal. Porque tenho interesse em me aprimorar. Acho que vale para a escrita a seguinte passagem bíblica: "é melhor ficar calado e passar por idiota do que falar e dar essa certeza aos outros". Mesmo num chat dá para se notar o nível cultural das pessoas. Bem, toquei no tema porque "descobri" uma revista muito interessante sobre a nossa língua, a "Língua Portuguesa", da Editora Segmento. Estão ótimas as matérias sobre o gerundismo, na 1a. edição; e sobre a crase, nesta 2a. edição. Recomendo.

sábado, outubro 15, 2005

A razão da Veja


Ficou claro porque a revista "Veja" optou pelo "não" no referendo sobre as armas. Segundo a Barbara Gancia, hoje no caderno Cotidiano da Folha, a Editora Abril paga o aluguel de sua sede à família Birmann, que também é proprietária da CBC - Companhia Brasileira de Cartuchos. Para quem não sabe, a CBC fabrica armas e munições. Agora entendi.

domingo, outubro 09, 2005

Butantan


Você já foi ao Instituto Butantan? Não? Então vá. O Butantan produz soros, vacinas e biofármacos, desde 1901. Não deixe de ver os museus (biológico, histórico e microbiológico) e a biblioteca, tudo dentro de um parque no final da Av. Vital Brasil, ao lado da Cidade Universitária. Ontem fui lá de novo, depois de um bom tempo. Valeu a pena. Fica aqui então esta dica de passeio para fim de semana. Pode conferir.

Alcachofra


Você já comeu alcachofra? Eu comi ontem pela primeira vez. É que fui à Expo São Roque. A alcachofra ("artichoke" em inglês, e "carciofo" em italiano) é uma flor comestível que faz parte da dieta do mediterrâneo. E sua variedade roxa foi desenvolvida aqui. Ela é uma planta medicinal eficaz no tratamento de doenças hepáticas, colesterol alto e insuficiência renal. Interessante, não? Existem diversos sites na Internet a respeito das propriedades terapêuticas da alcachofra. Há também outros sobre como plantá-las, e como prepará-las com deliciosas receitas culinárias.

São Bernardo


Hoje fui ver o time de minha cidade, o São Bernardo F.C., no estádio 1° de Maio, na Vila Euclides. Sim, é o mesmo estádio que foi palco de manifestações dos metalúrgicos em greve em 1979. Dei sorte: o São Bernardo goleou o Penapolense por 5 x 0, e por isso vai disputar a série A3 no ano que vem. Já que estou aqui desde 1985, não custa nada torcer para o time local. Só não vale trocar de time se o São Bernardo (também conhecido por "Tigre") chegar à 1a. divisão, como fez o Azulão, de São Caetano.

Um clássico do jornalismo panfletário


É o que o jornalista Alberto Dines, do "Observatório da Imprensa", pensa da reportagem de capa da "Veja", em seu artigo "Não" ao desarmamento, "sim" ao facciosismo. É o que li hoje na seção do ombudsman da Folha, Marcelo Beraba. Ao contrário da "Veja", a revista "Trip" é favorável ao "sim". Embora eu concorde com a posição da "Trip", tenho que parabenizar a revista "Época" por sua imparcialidade.

sexta-feira, outubro 07, 2005

As 7 razões da Veja


Em minha passagem pela universidade, uma das lições que aprendi foi questionar as fontes de informação. Primeiro, buscar diferentes fontes. Depois, aprender a identificar qual tendência cada uma delas tem. Informação é poder. Os meios de comunicação geralmente estão concentrados em poucas mãos, que escolhem o que vão informar, de acordo com seus interesses e tendências políticas, filosóficas ou religiosas. É preciso ter cuidado com o que é informado, e preocupar-se com o que não é informado.
O malufismo, sucessor do ademarismo, que tinha a lógica do “rouba, mas faz” é retrógrado e - como dizia uma prefeita – nefasto. No entanto, na época da Paulipetro, criada em 1979 pelo então governador Maluf, este era satirizado diariamente pelo Jornal da Tarde, que era uma edição simplificada do jornal O Estado de S.Paulo. Lembro que o governador era caracterizado em desenho como Pinóquio, e a cada dia seu nariz aparecia maior em primeira página. Claro que a aventura da Paulipetro foi o mesmo que jogar dinheiro público fora, sem falar do possível destino de parte desse dinheiro. Isto era claro para mim. No entanto, eu discordava da forma como isto era informado. Achava e acho que esse jeito de informar não é jornalismo. Não questionava o conteúdo, mas sim a forma. Essa forma está muito mais para panfletagem do que para jornalismo. De qualquer forma, foi interessante notar qual a tendência desses jornais, por seus editoriais e pelas opiniões de seus colunistas.
Esta semana fiquei surpreso e desapontado com a revista Veja. Claramente ela tomou partido com relação ao referendo das armas. Anunciou em sua capa suas sete razões para votar não, e afirmou que a proibição vai desarmar a população e fortalecer o arsenal dos bandidos. Na minha percepção, a revista deveria abordar o tema, que é atual, mas de forma isenta e equilibrada, ponderando os prós e os contras para que o público pudesse tomar uma decisão de forma amadurecida. Para mim, quando tomou partido, essa revista perdeu uma grande oportunidade de informar melhor seus leitores. Talvez ela esteja mais sintonizada com seus anunciantes, já que cerca de 40% de suas páginas trazem propaganda, sem contar a Vejinha. Já anunciei aqui minha posição em relação à questão do desarmamento. Mas confesso que acho a questão dos direitos adquiridos um tanto delicada. Assim, comprei a revista, achando que estava obtendo informação para melhor entender essa questão. Engano. Obtive apenas um monte de propaganda e sete argumentos bastante questionáveis a favor do “não”.