domingo, junho 17, 2007

Quanto Vale ou É por Quilo?

Este é o título do terceiro filme do Sérgio Bianchi, de 2005. Subtítulo: "Mais valem pobres na mão do que pobres roubando". É um drama inspirado no conto "Pai Contra Mãe" do Machado de Assis e nas crônicas de Nireu Cavalcanti. Aliás o primeiro filme dele, "A Causa Secreta" (1994), também é uma adaptação da obra de mesmo nome do excelente Machado de Assis. E as duas obras citadas podem ser encontradas no portal Domínio Público.
Conforme o texto na contracapa do DVD, Bianchi mostra como as ONGs exploram a miséria, preenchendo a ausência do Estado em atividades assistenciais, fontes de muito lucro. "O que vale é ter liberdade para consumir, essa é a verdadeira funcionalidade da democracia". Esta é umas frases marcantes desse filme imperdível, que compara a época da escravidão com os tempos de hoje no Brasil.
Ainda não vi seu segundo (e possivelmente o melhor) filme, "Cronicamente Inviável" (2000), mas agora é minha prioridade - será que o encontro nos Blockbusters?

quarta-feira, junho 13, 2007

Pico do Selado


Dessa vez consegui "escalar" o Pico do Selado, que é o ponto mais alto da região de Monte Verde-MG e Joanópolis-SP, com uma altitude de 2083 metros. São necessárias de uma hora e meia a duas horas e meia (ou mais) só para subir, dependendo das condições físicas da pessoa. A trilha é razoável, mas dá para se perder. Aconselha-se levar lanche, água, agasalho, e lanterna. É programa para praticamente um dia inteiro. E vale a pena. A vista panorâmica é fantástica. Monte Verde é um programa bom para esta época de Dia dos Namorados, Dia de Santo Antônio...sem falar do friozinho, dos chalés com lareira, das trutas, trufas, chocolates, fondues etc. E Monte Verde fica só a 150 km de São Paulo. Ou umas duas horas, com a Fernão Dias em dia normal. Opção de fim de semana. Recomendo.

segunda-feira, junho 04, 2007

Três filmes para comentar


  • "Sob o Signo de Capricórnio" (Under Capricorn, 1949) é um filme considerado menor do mestre Hitchcock. Mas eu tinha que vê-lo, de qualquer forma. E gostei. Principalmente da atuação da belíssima Ingrid Bergman. Durante as filmagens ela brigou com o mestre mas, devido a seu profissionalismo, ela teve uma atuação perfeita. Este foi o último filme dela com o mestre, depois de ter atuado nos excelentes "Interlúdio" (Notorius, 1946) e "Quando Fala o Coração" (Spellbound, 1945). Ela também foi maravilhosa em "Casablanca" (1945, Michael Curtiz), "Sonata de Outono" (Höstsonaten, 1978, Ingmar Bergman) e nos seis filmes que fez com o brilhante Roberto Rossellini, um dos mais importantes diretores do neo-realismo italiano. Aliás, com ele a Ingrid teve três filhos. Entre eles a sua cópia, Isabella Rossellini, de "Veludo Azul" (Blue Velvet, 1986, David Lynch). Você reparou que comentei mais sobre a Ingrid do que sobre o filme? Só mais duas curiosidades. Ela atuou sob a direção do compatriota Ingmar Bergman, mas não teve nenhum outro relacionamento com ele. Por outro lado, ela namorou com o diretor David Lynch, o diretor da série "Twin Peaks" (1990 e 1991) e de "O Homem Elefante" (The Elephant Man, 1980), e também foi casada com Martin Scorsese. De fato ela não foi "apenas mais um rostinho bonito" do cinema.
  • "V de Vingança" (V for Vendetta, 2005) é o filme de James McTeigue, o diretor assistente dos irmãos Wachowski, que escreveram e dirigiram "Matrix" (The Matrix, 1999). Na cidade de Londres, num futuro governo totalitário, a jovem Evey (Natalie Portman) é salva por um anarquista mascarado, que lidera uma revolução por justiça e liberdade. Para quem não lembra, Natalie Portman é a menina Matilda, protegida por Leon (Jean Reno) em "O Profissional" (Léon, 1994, Luc Besson). O herói V, originário dos quadrinhos de Alan Moore e David Lloyd, afirma que "você pode matar um homem, mas não um ideal", e que "ninguém devia temer seu governo. O governo é que deveria temer seu povo". Realmente é uma impressionante crítica aos bufões Bush e Blair.
  • Fui ver "Zodiac" (2007) do David Fincher, diretor de "Clube de Luta" (Fight Club, 1999) e "Seven" (Se7en, 1995). Última sessão com um filme de duas horas e quarenta minutos. O filme é bem cotado, mas não pude evitar: perdi umas partes porque cochilei. Não quero desanimar ninguém que está a fim de vê-lo. Mas o final também é o que o inglês chama de anticlimax.

sexta-feira, junho 01, 2007

Chávez e a Imprensa

Chávez disse ontem que o Congresso brasileiro, subordinado ao Congresso de Washington, repete como papagaio o que dizem lá. Ele se referia a um documento emitido pelo nosso Congresso convidando o governante venezuelano a modificar sua posição frente ao canal privado Radio Caracas Televisión (RCTV). Ele disse também que há direitistas em nosso Congresso! Será? ;-)
O nosso Congresso não é nenhum convento de freiras. Tem lá suas mazelas. Mas a generalização chavista é irresponsável. Claro que o nosso Congresso deveria cuidar de nossos assuntos, em vez de se meter na questão venezuelana. Como deu a entender o nosso presidente, cada macaco no seu galho. É normal que uma parcela de nosso Congresso represente a direita. Democracia é assim mesmo. Mas não se pode atacar o todo por causa de uma de suas partes. Acho que teria sido melhor que Chávez simplesmente ignorasse seus opositores de todo o mundo. Mesmo tendo razão em alguns aspectos, ele a perde com seu destempero verbal.
Chávez não fechou a RCTV, mas não renovou a concessão ao canal que tem feito oposição a seu governo. Ele adota a estratégia do confronto em vez do diálogo. Não é uma atitude muito madura. A imprensa desempenha um papel importante na democracia. É claro que a imprensa, como uma parte da sociedade, tem lá seus interesses e por vezes deixa de lado a imparcialidade. Nós temos exemplos claros aqui. No ano passado, a maior parte de nossa imprensa se transformou em cabo eleitoral do Alckmim. Eu, que assinei a Folha por muitos anos, cancelei minha assinatura porque simplesmente "não dava para ler", ao contrário de sua propaganda - "Folha. Não dá para não ler". No entanto a Folha, o Estadão, a Época, a Veja e a Globo perderam a eleição. Aqui nem todo o povo é classe média. Dessa forma, não adiantou a imprensa tentar mudar o voto popular. Perfeito. O povo votou, a classe média votou, a imprensa votou, enfim todos votaram e a democracia segue fortalecida. Não tem terceiro turno. A vida continua. É preciso saber conviver com as críticas. Como dizem, nem Jesus logrou a unanimidade. Os contrários podem conviver em um regime de liberdade, responsabilidade e tolerância. É natural também que "quem fala o que quer acaba ouvindo o que não quer".