quarta-feira, novembro 28, 2007

O Farol quer brasileiros melhor educados

Desde sábado a Folha tem sido um pouco da velha Folha que aprendi a admirar desde os tempos de cursinho sob a ditadura militar. Na edição de sábado ela destaca que o Farol de Alexandria agrediu verbalmente o atual presidente e a maioria dos brasileiros, já que nós mal sabemos falar e escrever em português. Ele disse: "Queremos brasileiros melhor educados, e não brasileiros liderados por gente que despreza a educação, a começar pela própria". Na verdade foi um ato de desespero por causa da luta política travada em torno da questão do ICMS e já que tem ficado cada vez mais claro que o mensalão foi obra do PSDB mineiro. Nem vou entrar na comparação da educação tucana em Minas ou em São Paulo, porque isto está sendo feito pelos professores com muito mais propriedade.
A charge do Angeli sobre o Don Sorbonne na edição de ontem está engraçadíssima: "Admito! Chamei aposentados de 'vagabundos', brasileiros de 'caipiras'...mas pelo menos tenho a manha de repetir tudo isso em vários idiomas!"
E o José Simão, impagável como sempre: "a Múmia Paralítica, o Boca de Suvaco, Don Doca FHC é mais melhor que o Lula!...professor Pasquale pra presidente!"
Ontem e hoje a mídia destaca o documento das Nações Unidas (com dados de 2005), segundo o qual os brasileiros vivem em elevado grau de desenvolvimento humano. Isto está na mídia, e não em documentos político-eleitorais. Resultado: a direita não suporta o fato de o Brasil estar dando certo. Essa gente...
Ah, se der, dê uma olhada no Observatório da Imprensa.

domingo, novembro 18, 2007

Qualquer Um Consegue Cozinhar

Ratatouille (2007) é o recém-lançado filme de animação escrito e dirigido por Brad Bird (que também fez "Os Incríveis" em 2004). É a estória de Remy, um pobrezinho do interior da França, que aprendeu a ler e por isso rejeita os restos de comida, é expulso do campo e acaba chegando a Paris onde encontra o restaurante de seu ídolo em culinária. Aí ele pode realizar o seu grande sonho, que é tornar-se um chef de cozinha, apesar da oposição de sua própria família e do preconceito da sociedade. Mas trabalhando em equipe com um jovem lixeiro do restaurante, Remy consegue impressionar até o crítico mais ranzinza. Detalhe: Remy é apenas um rato!
De fato, este é um desenho para adultos porque leva a reflexões sobre preconceito, exclusão, intolerância, crítica... mas também sobre otimismo e disposição para o trabalho em equipe e a ênfase do coletivo em detrimento do individual. Troque o verbo cozinhar por muitos outros verbos, e você entenderá a mensagem. Maravilha!

domingo, novembro 11, 2007

A Revolução dos Bichos

Outro dia recebi de um amigo um spam denominado "Como Capturar Porcos Selvagens", que não vou reproduzir aqui por motivos óbvios. Está disponível em diversos blogs e em alguns fóruns e listas de discussão. Trata-se de um texto apócrifo, escrito com a qualidade de certas soap operas, panfletário e proselitista, possivelmente inspirado na cartilha do Democratas (;-) - sempre rio desse cinismo), ex-PFL, ex-PDS, ex-Arena, ex-UDN, um verdadeiro grito (ou será grunhido?) contra políticas sociais. Deve ser obra de quem não lê. Ou lê imprensa marrom, como aquela revista com 40% de propaganda, associada ao racismo e com tendência católico-judaica-norteamericana-novorrico-conservadora.
A direita, travestida de liberal e democrata, já foi mais criativa. Mesmo assim, lembrei de "A Revolução dos Bichos" (Animal Farm, 1945, George Orwell). Esta obra nos leva a descer do muro e refletir sobre o extremismo, de qualquer lado, que sempre culmina em atrocidades e crimes contra a humanidade. Por isso, virei democrata, graças às nossas últimas revoluções.

2 Filhos de Francisco

Ontem finalmente vi "2 Filhos de Francisco - A História de Zezé di Camargo & Luciano " (Breno Silveira, 2005), que conta a história de um homem pobre e simples, que teve realizado o sonho de tornar seus filhos estrelas da música sertaneja. Destaque para a dupla de meninos atores Dablio Moreira (Mirosmar ou Zezé di Camargo na infância) e Marcos Henrique (Emival Camargo ou Camarguinho), além de todo o elenco, sem falar de Lima Duarte e (sua neta) Paloma Duarte.
Confesso que foi uma agradável surpresa. Não esperava que ia gostar tanto. O filme expõe uma parte esquecida do país, diferente do sudeste, do sul e do nordeste. E aborda a transformação da música sertaneja que, ao migrar do campo para a cidade, precisou ficar mais parecida com a música country norte-americana para cair no gosto da nossa emergente e preconceituosa classe média. Longe de ser um panfleto da dupla, vi neste filme um drama típico da história recente do país.
Uma cena inesquecível mostra Francisco e os meninos sendo expulsos de uma rádio de Goiânia quando iam colocar no ar uma canção que terminava em "viva as forças armadas e a sua tirania"!
A você que não gosta do cinema brasileiro, das coisas e das pessoas da nossa terra e que tanto te envergonham, sugiro que esqueça por um momento (na verdade, 132 minutos) seus preconceitos e veja este filme - acho que você vai gostar.

Mídia golpista hoje

Domingo é dia de folhear os jornalões e tentar entender o que a máfia dos barões da mídia está querendo que a gente acredite. O Globo, en...