sexta-feira, junho 26, 2009

Tecnologia Mineira do Abraço

U matutu falava tãu calmamenti qui parecia medí, analisá i meditá sobri cada palavra qui dizia...
É...Das invençãu dus homi, a qui mais tem sintido é o abraçu.
U abraçu num tem jeitu dum só apruveitá!
Tudu quantu é genti, nu abraçu, participa duma beradinha...
Quandu ocê ta danadu di sordadi, u abraçu di arguém ti alivia...
Quandu ocê ta danadu di reiva, vem um, ti abraça i ocê fica até sem graça di continuá cum reiva...
Si ocê ta filiz i abraça arguém, essi arguém pega um poquim di sua alegria...
Si arguém ta duenti, quandu ocê abraça eli, eli cumeça a miorá, i ocê miora juntu tamém...
Muita genti importanti i letradu ja tentô dá um jeitu di sabê pruquê qui é qui u abraçu tem tanta tequinologia, mais ninguém inda discubriu...
Mais ieu sei...
Foi u Ispritu Santu di Deus qui mi contô...
Ieu vô contá proceis u qui foi qui eli mi falô:
U abraçu é bãu prucausa du coraçãu...
Quandu ocê abraça arguém, fais massagi nu coraçãu!...I u coraçãu du otru é massagiadu tamém! Mais num é só issu, nãu...
Aqui ta a chavi du maior segredu di tudu:
É qui, quandu abraçamu arguém, nóis fiquemu tudu é cum dois coraçãu nu peitu!...
Essa estória eu li no Restaurante da Beth, o Virada's do Largo, que fica na Rua do Moinho, 11, em Tiradentes-MG. Tiradentes possui muitos bons restaurantes, mas se você quiser experimentar a comida regional, não deixe de ir ao "Virada's do Largo" ou ao "Estalagem do Sabor". Além da gastronomia e do artesanato, não deixe de conhecer a igreja Matriz de Santo Antônio (veja a foto), de 1732, com fachada e portada atribuídos ao Aleijadinho. Se tiver tempo, vá de maria-fumaça até São João del Rei, outra cidade histórica de Minas.

quarta-feira, junho 24, 2009

Escreveu, não leu ...

Atribui-se a Abraham Lincoln a frase: “é melhor ficar em silêncio e passar por tolo do que falar e daí acabar com todas as dúvidas”. Na última década esta máxima também se aplica à linguagem escrita. Com a crescente utilização do endereço eletrônico (e-mail) dentro do mundo corporativo, as pessoas foram forçadas a ler e escrever notas diariamente. Diferentemente do que ocorre nas salas de bate-papo (online chat) e nas mensagens instantãneas (instant messaging), no mundo dos negócios a escrita precisa de algum rigor, mesmo quando se é informal. A dona Ametista, minha professora do primário, costumava dizer que o caderno era o espelho do aluno. Da mesma forma, creio que os e-mails que escrevemos refletem muito bem o nosso nível cultural. Como se diz, quem não lê não escreve. Ou, escreve bem quem lê bastante.
Não é preciso ser muito observador para perceber como as pessoas estão escrevendo mal, cada vez pior. Isto significa que as pessoas estão lendo cada vez menos. Há pessoas que ficariam envergonhadas se fossem vistas com um livro nas mãos. Outras repreenderiam um filho que chegasse perto de um livro, e lhe dariam uma bola de presente. Não vou declinar seus nomes, mas já ouvi isso de algumas pessoas, de verdade.
Há uma geração, quando alguém se formava, fora da faculdade poderia exercer sua profissão ou optar pela profissão de professor. A quartelada de 1964, apoiada pelos “democratas”, acabou com a educação e o ensino neste país, a ponto de se encontrar quem pergunte aos professores: “além de dar aulas, o senhor ou a senhora trabalha?”.
Tudo isso me faz lembrar do filme “Fahrenheit 451” (1966, François Truffaut), baseado no romance homônimo (que estou lendo) de Ray Bradbury, cuja primeira edição é de 1953. Refere-se à campanha iniciada em 1933 na Alemanha para a queima cerimonial de livros que não estavam de acordo com a ideologia nazista.
Lembro também de “1984" (Nineteen Eighty-Four, 1984, Michael Radford), baseado no romance de George Orwell, publicado em 1949, cujo nome foi obtido pela inversão dos dois últimos dígitos do ano em que foi escrito (1948). Retrata o quotidiano em uma sociedade totalitária que inventou a Novilíngua (Newspeak). Essa língua fictícia não criava novas palavras mas, ao contrário, destruía as palavras com o objetivo de controlar o pensamento das pessoas. Uma personagem dizia que “é uma coisa linda a destruição das palavras”. A fórmula era simples. Por exemplo: ao se eliminar a palavra “liberdade”, as pessoas não poderiam se referir à liberdade e conseqüentemente a liberdade acabaria sem a possibilidade de voltar a existir.
Para quem não gosta de ler, vou deixar dois vínculos (links) interessantes, além do Domínio Público:

terça-feira, junho 23, 2009

Até onde uma escolha pode te levar?

Em 2004 comentei o filme "O Caminho das Nuvens" (2003) do Vicente Amorim. Classifiquei-o como um road movie inesquecível, principalmente pela cena da Cláudia Abreu cantando "Como é grande o meu amor por você", do Roberto e do Erasmo Carlos. Cláudia interpreta Rose, esposa de Romão (Wagner Moura), que migra com a família da Paraíba para o Rio de Janeiro em busca de emprego. Veja adiante o motivo por que lembrei desse filme.
Em dezembro tentei ver o lançamento de "Um Homem Bom" (Good, 2008) em Brasília, mas não consegui. Hoje o encontrei na locadora e finalmente consegui vê-lo. Surpresa: foi dirigido pelo mesmo Vicente Amorim, austríaco que morou no Brasil porque é filho do ministro Celso Amorim. Dessa vez seu filme foi rodado na Hungria e é falado em inglês. Basicamente conta a estória do professor universitário John Halder (Viggo Mortensen) que se torna uma figura importante do partido nazista e da SS depois de ter publicado um livro de ficção sobre a "humanidade na eutanásia". É o drama que retrata as escolhas que uma pessoa comum acaba fazendo, sem notar que uma escolha leva a outra, e que no final o resultado é muito diferente do que se imaginava. No caso dele, a escolha inicial de não ajudar um amigo judeu para não se prejudicar, e a escolha tardia de tentar encontrá-lo já num campo de concentração. Interessante. Pungente. Reflexivo. Recomendo.

quinta-feira, junho 18, 2009

A Salvação

Ontem fui ver "O Exterminador do Futuro - A Salvação" (Terminator Salvation, McG, 2009). Resolvi comentar por consideração aos dois primeiros filmes da série, "O Exterminador do Futuro" (The Terminator,1984) e "O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final" (Terminator 2: Judgment Day, 1991), ambos dirigidos pelo James Cameron, que também contribuiu no roteiro. Mesmo sem grandes atores, são filmes bons. Embora seja o ícone da série, o austríaco Arnold Schwarzenegger está longe de ser um ator de verdade. Que me perdoem seus fãs, mas entre ator e político, ele deve ter sido apenas um bom fisiculturista.
A série nos dá um exemplo interessante das importâncias relativas da direção, do roteiro e da atuação.
O terceiro filme da série, "O Exterminador do Futuro 3 - A Rebelião das Máquinas" (Terminator 3: Rise of the Machines, Jonathan Mostow, 2003) é abaixo da média. Só não foi pior porque o Cameron deu uma mãozinha no roteiro, no que se refere aos personagens.
O quarto, "A Salvação", apesar de direção e roteiro ruins, literalmente foi salvo pelas atuações, com destaque para o Christian Bale, como John Connor, e a ponta feita pela Helena Bonham Carter, como Dra. Serena Kogan. Devo mencionar também o Sam Worthington, como Marcus Wright, um ex-criminoso que tem uma segunda chance como cyborg (meio humano, meio máquina) e que tem um papel fundamental na estória. Para os fãs do Schwarzenegger, imagens dele como os primeiros exterminadores aparecem na tela. O filme deixa a brecha para a seqüência. Tudo indica que teremos uma trilogia agora. Vamos torcer para que sejam filmes melhores.
Não recomendo, mas assista se quiser.

sexta-feira, junho 12, 2009

Aiuruoca

Este é o Pico do Papagaio (2293m), que pode ser visto de quase todos os lugares da cidadezinha de Aiuruoca-MG, e até mesmo de algumas cidades vizinhas. Aiuruoca situa-se no sul de Minas Gerais, no Parque Estadual da Serra do Papagaio, na região da Serra da Mantiqueira, aproximadamente na metade do caminho entre Varginha e Juiz de Fora, na estrada BR-267. No Vale do Matutu, a 20 km do centro, há guias que cobram de 15 a 30 reais para nos levar por trilhas a cachoeiras e picos. A cachoeira das Fadas (segunda foto, central) é de fácil acesso (4 minutos de caminhada), e tem uma piscina natural de água limpinha e transparente.Uns 5 km antes, na estrada, há o acesso para o Poço dos Macacos (foto abaixo). Embora não sinalizado, o acesso é fácil - cerca de 8 minutos de caminhada por uma trilha quase fechada pelo mato.Se você tiver tempo e algum preparo físico, contrate um guia e vá até a cachoeira dos Garcias (30m) e o Pico do Papagaio (cerca de 4 horas de caminhada). Há diversas pousadas na região, algumas com acessos precários, mais adequados a veículos com tração 4x4.
Mais adiante, na direção de Juiz de Fora, fica Conceição de Ibitipoca, paraíso do ecoturismo. E ao norte, São João del Rei e Tiradentes, no circuito das cidades históricas e do barroco brasileiro.

terça-feira, junho 09, 2009

Domingo no Parque

A noroeste do centro de São Paulo, localiza-se o Parque Estadual do Jaraguá, com acesso pelo km 14 da rodovia Anhangüera, onde tem início a Estrada Turística do Jaraguá. São cerca de 5 km até o topo, o Pico do Jaraguá (1135 m), que é o ponto mais alto da região metropolitana. Apesar disso, é pouco conhecido pelos paulistanos. Mas vale a pena ir lá para conhecer uma das vistas naturais da Grande São Paulo. O acesso é fácil, podendo ser feito de carro ou a pé. Não deixe de subir os (cerca de) duzentos degraus até a torre de TV. Seu coração e seus olhos agradecerão.
As fotos ao lado mostram a rodovia dos Bandeirantes e parte da cidade ao fundo.
O Parque, assim como toda a Serra da Cantareira, tem sofrido um intenso e preocupante desmatamento ao longo dos anos. Isso tem ocorrido principalmente com a ocupação ilegal, não apenas de gente que não tem onde morar, mas também pela construção de condomínios de luxo, clubes e até mesmo templos religiosos. Essa região precisa urgentemente ser protegida, para a preservação tanto de sua biodiversidade como também dos mananciais que abastecem a cidade.

domingo, junho 07, 2009

¿Cómo Lula, no éramos amigos?

Tristeza não tem fim... 0-4
Brasil goleó a Uruguay en el Estadio Centenario, donde no ganaba desde hace 33 años.
Humillación histórica para la celeste.
Estas são as manchetes de hoje no La Republica.
Todos criticamos o Dunga, mas tenho de admitir que às vezes a seleção sob seu comando surpreende a gente. Assim foi quando ganhamos a Copa América em Maracaibo, 2007, goleando a Argentina por 3-0. Vale lembrar de Brasil 6-2 Portugal em Gama-DF no fim do ano passado, mesmo tendo sido um amistoso. E ontem, a quebra de um tabu de 33 anos! Nada mal. Estamos bem nas Eliminatórias e certamente continuaremos a ser o único país a participar de todas as Copas do Mundo. E vem aí a Copa das Confederações, que vai ser um ótimo teste para o Dunga.

quinta-feira, junho 04, 2009

Tian'anmen, 20 anos

O Massacre na Praça da Paz Celestial (Tian'anmen, Pequim) em 4 de junho de 1989 foi o desfecho de uma série de manifestações lideradas por estudantes e intelectuais na República Popular da China e ocorridas desde 15 de abril. Resultado: de 241 mortos, segundo o governo chinês, até 2600 mortos, segundo relatos não oficiais da Cruz Vermelha chinesa. E de 7.000 a 10.000 feridos. Lamentável. Independentemente de qualquer questão política ou ideológica, certamente não é isto que desejaria nenhum governo de trabalhadores. Minha conclusão é de que nenhuma ditadura é boa, nem mesmo a ditadura do proletariado. Que me desculpem os muitos companheiros de esquerda que militaram contra a ditadura no Brasil, lado a lado com todos os democratas. É claro que a democracia precisa se aperfeiçoar, mas não há alternativa a ela.

quarta-feira, junho 03, 2009

Viridiana

"Viridiana" (Viridiana, 1961, Luis Buñuel) é a noviça (Silvia Pinal) prestes a se tornar freira que, a mando da madre superiora, visita seu tio Dom Jaime (Fernando Rey). Dom Jaime faz de tudo para se casar com a sobrinha mas, rejeitado, acaba cometendo suicídio. Por isso ela acaba ficando na mansão, onde acolhe gente pobre e doente, a contragosto do primo Jorge (Francisco Rabal). Enquanto ela reza com os pobres, Jorge contrata trabalhadores para reformar a propriedade. Sua frase "duas mãos trabalhando fazem mais do que mil rezando" expressam bem o ateísmo e a iconoclastia de Buñuel, que provocou a revolta da Igreja e dos conservadores. O mestre espanhol dizia que "seguia sendo ateu, graças ao seu bom Deus". A cena dos pobres imitando a Última Ceia, do Leonardo Da Vinci, é para ficar na história da cinematografia. Não há palavras que a expressem. Só vendo mesmo. Fantástico.
Não recomendo para aqueles que acham que gostar de cinema é apenas ver os novos blockbusters, cheios de efeitos especiais e modelos que mal sabem falar. Não dá para dizer que se conhece cinema sem ter ao menos ouvido falar de Buñuel, Resnais, Godard, Truffaut, Lang, Herzog, Eisenstein, Fellini, Rossellini, Scola, Antonioni, Visconti, De Sica, Pasolini, Bertolucci, Leone, Bergman, Kurosawa, Hitchcock...Não se trata de ver o filme e gostar ou não. Trata-se de conhecer a história e as circunstâncias em que alguém escreveu, produziu e dirigiu determinada obra.

segunda-feira, junho 01, 2009

Gran Torino

O nome do filme "Gran Torino" (Gran Torino, 2008, Clint Eastwood) se refere ao carro de Walt Kowalski (Clint Eastwood), recém viúvo, veterano da Guerra da Coréia. Ele próprio participou da montagem daquele exemplar, quando era funcionário da Ford nos anos 70. Além de ser seu xodó, esse carro representa o conservadorismo de Walt, que critica os filhos por comprarem carros asiáticos. Walt é um velho mal-humorado, teimoso e preconceituoso, que não consegue se dar bem com os filhos e tampouco com a vizinhança, cuja maioria é composta por imigrantes vietnamitas em um subúrbio de Detroit. É o último e certamente um dos melhores filmes de Eastwood. Retrata bem a questão do racismo e da intolerãncia. É uma bela estória de vida e de morte. Recomendo.


É interessante como funciona a arte de autor. Exemplo: antes de assistir um filme, costumo procurar na crítica especializada informações sobre o mesmo, com o intuito de poupar tempo, recursos e evitar frustrações. Porém, dependendo do diretor, poupo aquela etapa e assisto de imediato o filme. É o caso de Clint Eastwood, Woody Allen, Martin Scorsese, Brian De Palma, dos irmãos Coen, entre outros, sem falar dos mestres Hitchcock, Fellini e Kurosawa.

Mídia golpista hoje

Domingo é dia de folhear os jornalões e tentar entender o que a máfia dos barões da mídia está querendo que a gente acredite. O Globo, en...