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Mostrando postagens de Fevereiro, 2010

Do spam contra a Dilma

O spam “ruim” a que me referi no post anterior intitula-se “Dilma Roussef com fotos das vítimas”. O texto inclui cinco fotos descritas como sendo de vítimas do terrorismo, e uma foto de uma ficha policial (?) descrita como sendo o curriculum vitae da ministra. Todas as fotos são montagens feitas em computador.
Não comentarei especificamente sobre o texto, que é agressivo tanto do ponto de vista da forma como do conteúdo. Prefiro comentar sobre as montagens e o conjunto da obra.
Primeiro de tudo é preciso entender que existe no mundo uma eterna batalha entre conservadores e progressistas. Durante a Guerra Fria os americanos, temendo a influência soviética na América Latina, fomentaram golpes militares em diversos países. No Brasil, por causa das reformas de base pretendidas pelo governo João Goulart, a classe dominante, contrariada em seus interesses, usou as Forças Armadas para depor o presidente em 1º de abril de 1964. Como esse dia é conhecido como dia da mentira, resolveram cham…

Ser Feliz ou Ter Razão?

Outro dia vi na minha caixa de correio dois spams, um bom, outro ruim.
Claro, não existe bom spam, já que se trata de mensagem não-solicitada enviada para Deus e o mundo. Mas este até que continha uma mensagem que julguei ser válida. Por curiosidade, verifiquei sua procedência no Google. A pesquisa apontou para o http://www.mensagensvirtuais.com.br de 21/09/1998, se bem que por este site a mensagem pode ter sido adicionada em 2005. Ou seja, o texto é relativamente antigo, o que é comum nos spams. Além da recorrência, outra característica comum nos spams é a ocultação da origem do conteúdo que espalham. Não consegui ir adiante para saber exatamente quando o texto foi escrito e quem o elaborou. Mas observei que essa mensagem já foi reproduzida por diversas vezes em homepages, blogs etc. Então, se você já a conhecia, desculpe-me porque vou citá-la a seguir, já que, repito, julguei-a válida.
Veja a estória contada na mensagem:
Oito da noite numa avenida movimentada. O casal já está at…

Voto em Dilma

Vocês já devem ter notado o banner aqui à direita neste blog, que demonstra meu apoio à candidatura da ministra Dilma Roussef à presidência da república em outubro deste ano. Ou seja, eu optei de novo. O PiG, ou seja, a mídia convertida em partido político de oposição mal consegue disfarçar sua opção, e já faz tempo, por José Serra. Tudo bem, eu acho ótimo que se tome partido. Contudo, é claro que a declaração de voto deve ser espontânea. Ninguém precisa fazê-la obrigatoriamente. Por outro lado, espero que a opção do silêncio, que é válida, não tenha origem no medo ou na vergonha. Ou será que ainda vivemos nos tempos de caça às bruxas, quando as pessoas eram transformadas em prisioneiros de consciência por terem cometido o crime de pensar diferente? Infelizmente, de alguma forma isso ainda acontece, admito. Há muitas autoridades, sejam elas pais, líderes de qualquer espécie ou superiores hierárquicos que não toleram desobediências e divergências, não é mesmo? De qualquer form…

Cruce Andino ou Cruce de Lagos

Imagem
A primeira parte do Circuito Chico coincide com os 25 km de extensão da Avenida Bustillo, que liga o centro de Bariloche ao Puerto Pañuelo e ao hotel Llao Llao (pronuncie xau-xau).

Na primeira foto vemos no Puerto Pañuelo o barco que parte diariamente para Puerto Blest. Em segundo plano se vê o hotel e resort Llao Llao e, ao fundo, o cerro López (2076m).

A travessia até Puerto Blest, pelo Lago Nahuel Huapi, dura cerca de uma hora. No caminho, o espetáculo fica por conta das gaivotas, que perseguem o barco em busca de galletas (bolachas, biscoitos) oferecidas pelos passageiros. Infelizmente estava nublado e o vento era forte e frio quando fiz este percurso.

De Puerto Blest segue-se de ônibus por 10 minutos até Puerto Alegre para se navegar pelo Lago Frías durante 20 minutos até Puerto Frias, onde fica a aduana argentina.

Em seguida, cruza-se a fronteira através da Cordilheira dos Andes indo de ônibus de Puerto Frías (na Argentina) até Peulla (Chile). São necessárias duas horas para c…

É Carnaval!

É Carnaval. Todas as estradas ficaram congestionadas na saída da cidade. Ainda mais que não há previsão de chuvas para esses dias. Vim para Carrancas, Minas Gerais. Foram 460 km, pela Fernão Dias, via Lavras. O pedágio não ficou uma fortuna. Foram R$ 4,40. Se eu fosse para o litoral pela Anchieta ou pela Imigrantes, então seriam R$ 17,80 para rodar menos de 70 km. Por que será que rodar pelas estradas paulistas é 25 vezes mais caro do que pelas estradas federais? Por conta disso, o José (Macaco) Simão tem chamado os governadores paulistas do PSDB de “maníaco do pedágio”. A propósito, se você também acha extorsivo o nosso pedágio,clique em Apoio Popular.
Bem, distâncias e custos à parte, ainda hoje nós vemos como há gente mal educada conduzindo por aí. Na cidade, é comum se ver automóveis parados sobre a faixa de pedestres em cruzamentos com semáforo. Na estrada, em engarrafamentos, sempre há aqueles que se acham mais espertos e, por isso, passam na frente dos outros ao trafega…

Do novo e do velho

Outro dia saí da locadora com um filme antigo, um clássico daqueles que gosto de rever. Alguém me perguntou, quase chocado, por que eu estava levando um filme velho se havia tantos novos, lançamentos. Respondi que preferia os melhores filmes. E que os melhores não são necessariamente os mais novos. Aí, sim, a pessoa ficou chocada.
Existe uma crença de que tudo o que é novo, ou mais novo, é melhor. Por que será? Para quem vê apenas a aparência, os filmes novos seduzem mais porque mostram lugares, coisas e pessoas que estão na moda. E também apresentam o que há de mais novo em termos de tecnologia. Alguém pode perguntar: mas e o conteúdo? É fácil responder. Conteúdo? Em nossa atual sociedade de consumo, alguém liga para conteúdo?
Vou dar um exemplo, citando alguns filmes.
“O Dia em que a Terra Parou” (The Day the Earth Stood Still, 1951), baseado no roteiro de Edmund North, é o melhor filme de Robert Wise. O roteiro critica a guerra fria e o uso militar e político da ciência. S…

Valsa com Bashir

A produção de cinema é tão grande e variada que não consigo ficar atualizado o tempo todo. Freqüentemente eu comento filmes que "todo mundo" já viu. Você já deve ter notado que gosto de revisitar os antigos clássicos como, por exemplo, aqueles de estilo film noir. Bem, desta vez consegui ver "Valsa com Bashir" (Vals Im Bashir, Ari Folman, 2008). O nome Bashir refere-se a Bachir Gemayel (pode haver diferenças na grafia), líder cristão maronita falangista que foi eleito presidente do Líbano durante a ocupação israelense em 1982. Bachir foi assassinado em um atentado, antes mesmo de tomar posse. No mesmo ano, os cristãos falangistas perpetraram o conhecido massacre de Sabra e Chatila, com apoio e cobertura do exército israelense. Estima-se que 3500 palestinos e libaneses, na maioria mulheres, crianças e idosos, foram assassinados a sangue frio dentro daqueles campos de refugiados. Os autores foram os cristãos de direita, assistidos a poucos passos pelos soldad…

Televisão no Brasil

Sobre televisão, citando Marx, acho que a TV é muito educativa. Toda vez que alguém a liga, eu saio para ler um livro. Ah, antes que eu seja censurado, devo dizer que me referi a Groucho Marx, e não àquele cidadão odiado pela TFP e pela Opus Dei.
Hoje, por acaso, liguei a TV com a intenção de zapear um pouco durante o café da manhã. Seriam somente uns quinze minutos, mas acabei vendo três programas inteiros na TV Cultura. Simplesmente não consegui desligar e sair da frente da TV, nem durante os intervalos. Fiquei particularmente impressionado com o "Almanaque Educação", tanto que deixei mensagem no site deles, parabenizando-os pelo capricho, pela criatividade.
Nossa televisão não é exatamente famosa pela qualidade da programação. Com o aumento do poder aquisitivo e a expansão da classe média, tem crescido bastante a venda de televisores e a assinatura de canais pagos. Não tenho resultados de estatísticas, mas acredito que a classe média procura mais variedade do que qual…

Tribunal do Júri

Hoje, por acaso, acompanhei pela primeira vez um julgamento no tribunal do júri. Faz tempo que eu tinha essa curiosidade e finalmente pude matá-la. Até então havia visto julgamento apenas no cinema. Aliás, lembrei-me dos seguintes filmes de tribunal:
"Anatomia de um Crime" (Anatomy of a Murder, Otto Preminger, 1959), baseado no romance de John Voelker, com James Stewart fazendo o advogado Paul Biegler;
"Testemunha de Acusação" (Witness for the Prosecution, Billy Wilder, 1957), baseado em peça da Agatha Christie, com Tyrone Power e Marlene Dietrich fazendo o casal Vole;
"O Sol É para Todos" (To Kill a Mockingbird, Robert Mulligan, 1962), baseado no romance de Harper Lee, ganhador de prêmio Pulitzer, em que Gregory Peck faz o advogado Atticus Finch;
e a obra-prima "12 Homens e uma Sentença" (12 Angry Men, Sidney Lumet, 1957), estória e roteiro de Reginald Rose, com Henry Fonda fazendo o jurado número oito.
Achei interessante o processo todo, princip…