sábado, dezembro 31, 2011

2011, o ano em que os cães latiram e a caravana passou

Nesse momento o Brasil vai de bem a melhor. Claro, com muitos problemas ainda. E diversos desafios. Mas a perspectiva é boa. Já somos a sexta economia do mundo. E mesmo com a crise econômica global, ainda crescemos – aquém do esperado, mas de forma consistente. Diversos eventos, que estão por vir nos próximos anos, continuarão colocando o país cada vez mais em evidência. Com exceção de algumas tragédias, algumas talvez anunciadas, mas sobre as quais nada ou pouco podemos fazer hoje, quase podemos afirmar, sem sarcasmo, que “tudo vai pelo melhor no melhor dos mundos possíveis”, lembrando Voltaire.
Infelizmente, uma parte da sociedade está atônita e se recusa a admitir o sucesso e o futuro promissor do país. Essa parte foi derrotada nas urnas. Seus líderes foram defenestrados do poder. Eles compõem uma legião de mortos-vivos, politicamente falando, zumbis e vampiros. Nutrem e espalham sentimentos ruins, como rancor e inveja. Por sorte estão divididos. Lutam entre si. Vigiam-se, intimidam-se e ameaçam uns aos outros. Se houver vencedores, estes estarão incumbidos de voltar ao poder, custe o que custar, para “combater o comunismo ateu e defender a família cristã”.
Um dos problemas brasileiros é o oligopólio das comunicações, isto é, a mídia é privatizada e concentrada praticamente nas mãos de onze famílias. Alguns as encaram como verdadeiras famiglias, inclusive. Essas famílias sempre foram associadas àquela parcela da sociedade, citada acima. Portanto, sua linha editorial é conservadora, americanófila e sionista. Hoje não separam informação e opinião. Escolhem os fatos, decidem o que e como informar. Editam as manchetes, isto é, manipulam de acordo com seu ponto de vista. E se dirigem especialmente a um determinado público consumidor, encarregado de multiplicar e disseminar sua forma de pensar e viver. Esse não é um fenômeno brasileiro, mas ocorre também nos Estados Unidos.
A mídia brasileira pratica um jornalismo marrom e é conhecida por PiG – partido da imprensa golpista – particularmente por seu papel na eleição e no impeachment de Fernando Collor (1990-1992), além do apoio dado à quartelada de 1964 e o subseqüente governo fascista finalizado em 1985. Esse apoio, além de ideológico, foi material e logístico. Outros setores da sociedade também apoiaram por ação ou omissão o fascismo, como parte dos cristãos da Igreja Católica Apostólica Romana e de seitas pentecostais, e também parte do empresariado, como o Grupo Ultra do cidadão Boilesen.
Em 2011 o spam político eleitoral praticado na campanha do Çerra migrou para as redes sociais, onde os reacionários reeditaram o movimento dos cansados de 2007. Ao contrário dos movimentos realmente populares, as marchas contra a corrupção foram um fracasso – sua última manifestação reuniu apenas 30 pessoas. A direita, cujos partidos trocam de nome como se troca de camisa, alijada do poder, adotou a estratégia de colar a imagem de corrupto nos integrantes do governo. Isso é tão bizarro como a dona do bordel tentar se passar por virgem. É como se a corrupção fosse um fenômeno surgido em 2003 com o governo Lula. A mídia trabalhou a todo vapor para derrubar 6 ministros, o que ficou conhecido com a faxina da presidenta Dilma. Ao mesmo tempo a mídia reluta em admitir o sucesso de vendas do livro “A Privataria Tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Jr., que descreve o maior assalto ao patrimônio público brasileiro, praticado na “jestão” tucana, quando o Çerra foi ministro do Planejamento.
A novidade na Política foi a criação de um novo partido, que “não é nem de direita, de esquerda, nem de centro”, conduzida por Kassab – este, por sua vez, criatura do Çerra. Se o PSD não é ideológico, então é fisiológico, claro. Mas sabemos que é partido de direita, engendrado dentro do contexto da luta desesperada pela volta ao poder, praticada pelos derrotados do ano passado. Por sorte, ou por falta de apoio mesmo, a mídia não escondeu que Kassab cumpriu apenas entre 6% e 29% das metas da Prefeitura para 2012. Dedicou-se, claro, a dividir o PSDB em São Paulo, conforme estratégia do já citado despeitado.
O ano que vem promete muitas emoções, já que haverá eleições municipais e as atenções estarão voltadas para a cidade de São Paulo. Os vencedores terão um peso grande na disputa que realmente interessa, que é a sucessão da presidenta em 2014. Todo cuidado será pouco. A direita, ferida, associada à mídia literalmente vendida e seu público vil, usará novamente baixarias e ardis inimagináveis. A sorte é que, de fato, o povo não é bobo e, novamente a caravana passará à revelia dos cães.

domingo, dezembro 04, 2011

Vai com Deus, Doutor.

Ontem fiquei preocupado quando soube da internação do Sócrates. Hoje fiquei chocado quando soube da morte do Magrão. De fato, é uma grande perda para nós, brasileiros, principalmente para aqueles que gostam de futebol e para aqueles que prezam a democracia.
Todos que me conhecem sabem que sou santista, mas hoje confesso que vou torcer pelo time que consagrou o Doutor. E acho que a eventual festa do título, merecido por sinal caso se concretize, seria mais bonita se incluisse uma homenagem ao paraense Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira.
Neste momento de maturidade, em que respeitamos e torcemos pelos nossos vizinhos, até nossos hermanos lembraram do Doutor: http://www.clarin.com/deportes/Murio-Socrates-icono-futbol-Brasil_0_602939964.html

domingo, novembro 20, 2011

Vampyr

Outro dia falei sobre a Lone Scherfig e alguns de seus melhores filmes. Ontem vi "O Vampiro" (Vampyr - Der Traum des Allan Grey), dirigido em 1932 por outro dinamarquês, Carl Theodor Dreyer. Para quem gosta de cinema, e refiro-me a cinema de verdade e não aos modernos blockbusters, esse é um filme imperdível, principalmente em se tratando de filmes de terror e vampiros. Veja a sinopse no sítio da ótima The Criterion Collection. Contemporâneo do alemão F.W. Murnau (de "Nosferatu, uma Sinfonia do Horror") e do austríaco Fritz Lang (de "M, o Vampiro de Dusseldorf"), Dreyer filmou entre 1919 e 1964. Seu cinema é quase um tratado sobre a psicologia humana, que mostra de forma lenta e detalhada pessoas sofrendo crises pessoais e religiosas. Outras jóias da cinematografia de Dreyer:
  • A Paixão de Joana d'Arc (1928)
  • Dias de Ira (1943)
  • A Palavra (1955)
Claro que você não vai achar facilmente esse filme para alugar ou comprar, mas a boa notícia é que ele pode baixado do Internet Archive, além do óbvio YouTube:

segunda-feira, novembro 07, 2011

O Sétimo Selo

Finalmente consegui ver “O Sétimo Selo” (Det sjunde inseglet, 1957), filme neo-expressionista escrito e dirigido pelo genial Ingmar Bergman. Numa certa referência a Dom Quixote de La Mancha, o cavaleiro Antonius Block (Max von Sydow), ao voltar das Cruzadas, em companhia de seu escudeiro Jöns (Gunnar Björnstrand), encontra seu país devastado pela Peste Negra (bubônica). É o final da Idade Média, com a decadência do feudalismo, quando estão presentes todos os fatores simbolizados pelos Quatro Cavaleiros da Revelação (Apocalipse): guerra, peste, fome e morte. O título do filme faz referência ao último dos sete selos, cuja abertura é seguida pelo soar das sete trombetas dos sete anjos e pelo Juízo Final. Nesse contexto, o cavaleiro inicia uma partida de xadrez com o Ceifador (a Morte) para procurar respostas sobre a vida, a morte e a existência de Deus e do Diabo; e também ganhar tempo e salvar a vida de seu escudeiro e uma família de artistas mambembes (um casal e seu bebê, que talvez simbolizem a “sagrada família”). Há diversas interpretações sobre essa obra-prima, e destaco sua crítica à Igreja. O “santo” papa Inocêncio III, através do tribunal religioso da Santa Inquisição, que acusava, julgava, condenava e punia, ordenou perseguição, tortura e morte na fogueira aos hereges, bruxos e seguidores de outros credos. Uma das cenas marcantes remetem à belíssima crônica “A Paixão de Joana d'Arc” (La passion de Jeanne d'Arc, 1928), escrita e dirigida pelo dinamarquês Carl Theodor Dreyer. Estes são filmes que devem ser vistos e revistos diversas vezes por quem procura algo mais do que entretenimento no cinema, como reflexão e aprendizado.

quinta-feira, novembro 03, 2011

Jogos Pan Americanos

Este ano em Guadalajara nós tivemos a melhor participação fora de casa na história do Pan, ficando em terceiro lugar, atrás de Estados Unidos e Cuba, com 141 medalhas (48 de ouro, 35 de prata e 58 de bronze). No total acumulado de medalhas desde 1951, alcançamos o número de 1067 medalhas, superando a Argentina e passando ao quarto lugar, atrás de Estados Unidos, Cuba e Canadá. A seguir, veja o quadro geral de medalhas atualizado para o Brasil:

Ano Sede Ranking Ouro Prata Bronze Total
1951 Buenos Aires 5 5 15 12 32
1955 México 7 2 3 12 17
1959 Chicago 3 8 8 6 22
1963 São Paulo 2 14 20 18 52
1967 Winnipeg 3 11 10 5 26
1971 Cali 4 9 7 14 30
1975 México 5 8 13 23 44
1979 San Juan 5 9 13 17 39
1983 Caracas 4 14 20 23 57
1987 Indianápolis 4 14 14 33 61
1991 Havana 4 21 21 37 79
1995 Mar Del Plata 6 18 27 37 82
1999 Winnipeg 4 25 32 44 101
2003 Santo Domingo 4 29 40 54 123
2007 Rio de Janeiro 3 54 40 67 161
2011 Guadalajara 3 48 35 58 141

Se olharmos com atenção esses números, notaremos algumas curiosidades que menciono em seguida.
A ditadura militar, em 5 edições do Pan (1967-1983) conquistou 196 medalhas (51 de ouro, 63 de prata, 82 de bronze), 13 a mais do que o governo FHC (43 de ouro, 59 de prata, 81 de bronze) em 1995 e 1999. Por outro lado, na gestão de Lula (83 de ouro, 80 de prata, 121 de bronze), foram conquistadas 88 medalhas a mais que a ditadura e 101 medalhas a mais que o governo FHC. Outra curiosidade: Os governos Lula e Dilma são responsáveis por 40% de todas as medalhas conquistadas pelo Brasil até hoje, sendo 39% das de bronze, 36% das de prata e 45% das de ouro! E, para desespero dos reacionários, todo esse sucesso foi obtido sob a gestão do PCdoB no comando do Ministério do Esporte, tão combatido atualmente pela direita e pela mídia golpista.

sábado, outubro 15, 2011

Xenofobia travestida em autodeterminação

Há muito tempo atrás, quando meus pais me levaram para a matrícula no primeiro ano do primário, alguém da escola me perguntou se eu era brasileiro. Respondi no ato: não, sou paulista. Claro, naquela época eu só sabia que meus pais eram mineiros e eu tinha nascido em São Paulo.
Mais recentemente, um colega gaúcho me perguntou como era o Hino de São Paulo. Respondi que não tinha a mínima ideia. Além do Hino Nacional, que chamo carinhosamente de “o virundum”, lembro apenas do Hino à Bandeira, que meu pai militar me ensinou, e o Hino da Independência do Brasil, que começava assim nos tempos de ginásio: “japonês, da pátria filhos...”.
Nos tempos de ginásio e colégio, que coincidiram com a pior fase da ditadura militar, tive aulas de Educação Moral e Cívica. Não posso dizer que não foi válido, mas confesso que não concordo com o belicismo presente na maioria desses hinos e com essa tese de “morrer pela pátria”. Acho muito fascista esse negócio de farda, arma, marcha e símbolos nacionais. Você pode dizer que eu sou um sonhador, como John Lennon, mas acho que o mundo seria melhor sem fronteiras e motivos para lutar ou morrer, e até mesmo sem o materialismo das posses e a alienação das religiões.
A História tem demonstrado que a exacerbação do nacionalismo acaba sempre fomentando o totalitarismo. Nesse processo, em geral, a primeira etapa traz manifestações de preconceito e intolerância, como aquelas promovidas por jovens racistas nas redes sociais aqui em São Paulo. Não é um grande problema, já que se trata de alguns filhinhos de papai (ou aspirantes), de berço reacionário, com algum dinheiro e eventualmente algum estudo, mas pouca ou nenhuma cultura. No entanto, esse fenômeno pode ser preocupante se acontecer no interior do país e nas regiões de fronteira, onde as diferenças se acentuam e há um grande provincianismo.
Hoje uma proposta de transformar a região sul do Brasil em um país está sendo votada em Porto Alegre. É a terceira pesquisa, cuja tese já foi rejeitada em Curitiba e aprovada em Florianópolis, promovida pelo grupo separatista “O Sul é o meu País”. Esse movimento é menos radical que o “Pampa Livre”, grupo fascista que pretende a independência do Rio Grande do Sul, mas não menos provinciano e xenofóbico.

quinta-feira, agosto 18, 2011

A Corrupção e o Complexo de Vira-Lata

Hoje em dia o assunto “corrupção” volta a ficar na moda. Para quem se “informa” apenas pela mídia golpista, dá a impressão de que a corrupção nunca antes existiu no Brasil e apenas começou em 2002 com o governo Lula. Aliás, a mídia, que apoiou o regime militar, deixou bem claro seu golpismo durante o governo Collor, quando conseguiu afastar o presidente eleito através do impeachment de 1992. A Veja e a Folha comandaram a campanha contra Collor. Na época, a Folha apresentava o slogan: “A Folha não chuta cachorro morto” para dar a impressão de que não tinha nada a ver com o que aconteceu. Depois, no governo Lula, a mídia golpista (Veja, Folha, Estado, Globo) assumiu o papel de partido de oposição, já que a oposição se tornou uma nau sem rumo, sem proposta, sem projeto, totalmente derrotada e perdida. Hoje, passada a chamada lua-de-mel, a mídia golpista já começou a trabalhar na campanha eleitoral da direita com vistas a 2014, passando pelas eleições municipais do ano que vem. Nesse contexto, os parajornalistas dos diversos tablóides estão trabalhando duramente e fazendo hora extra para encontrar problemas que comprometam o governo Dilma, da mesma forma que fizeram no ano passado durante a sórdida campanha do “mais preparado dos brasileiros” e o “presidente de nascença” Zé Chirico.
Pessoalmente vejo muita gente mal-informada e alienada, em um coro com a mídia golpista, falando mal do governo. É uma situação tragicômica, já que muitas dessas pessoas sempre votaram num tal candidato condenado porque esse “roubava, mas fazia”. Algumas dessas pessoas se gabam todo o ano por ter obtido uma restituição maior do imposto de renda por tê-lo fraudado. Outros deram propina para obter a licença de motorista ou subornaram algum guarda para se livrar de uma multa. Há os que usam aquelas fitinhas nas placas para burlar a fiscalização, ou “importam” dispositivos para anular os radares e assim poder andar a mil sem nenhum respeito à sinalização viária. E tantos praticam descaradamente a lei de Gérson – afinal, o importante é levar vantagem, não é mesmo? Conheço mesmo gente que me disse que não ia votar na presidenta porque ela teria sido terrorista, mas elegeu um senador que foi motorista e guarda-costas do Marighela. A tragédia é que essas pessoas nem sabem quem foi Marighela. Ou seja, há uma mistura de ignorância, preconceito, cinismo e hipocrisia no ar.
Para completar, infelizmente muitos de nós ainda sofrem do complexo de vira-lata e é comum se ouvir que o Brasil é o país mais corrupto do mundo. Segundo a Transparência Internacional os países com menor percepção de corrupção são Dinamarca, Nova Zelândia e Singapura com nota 9,3. Desse ranking de 178 países, destaco 10 para nossa reflexão:
País / Ranking / Nota
Chile / 21º / 7,2
Estados Unidos / 22º / 7,1
Uruguai / 24º / 6,9
Itália / 67º / 3,9
Brasil / 69º / 3,7
Índia / 87º / 3,3
México / 98º / 3,1
Argentina / 105º / 2,9
Paraguai / 146º / 2,2
Rússia / 154º / 2,1

terça-feira, agosto 09, 2011

Lone Scherfig

Ela é a dinamarquesa que dirigiu até o momento sete filmes, dos quais destaco três:
  • Italiano Para Principiantes (Italiensk for begyndere, 2000), comédia romântica pertencente ao Dogma 95 – movimento cinematográfico de vanguarda lançado em 1995 pelos diretores Thomas Vinterberg (de “Festa de Família”, primeiro filme do movimento) e Lars von Trier (de “Dogville”).
  • Meu Irmão Quer Se Matar (Wilbur Wants to Kill Himself, 2002), exibido na última Mostra Internacional de Cinema, e reprisado recentemente pela TV Cultura.
  • Educação (An Education, 2009), cujo roteiro de Nick Hornby (de “Alta Fidelidade”, 2000) foi baseado nas memórias de uma jornalista britânica (Lynn Barber).
São filmes que abordam comportamentos e relacionamentos em detalhes, que são realistas sem ser pesados, mas sensíveis e bem humorados. É o moderno cinema europeu, que recomendo muitíssimo.

segunda-feira, agosto 08, 2011

Spam, ainda!

A Internet ainda é adolescente no Brasil, com seus 15 ou 16 anos. Talvez por isso muitos internautas ainda não adquiriram a maturidade digital. Ainda hoje recebo spams de todo o tipo. São apresentações em PowerPoint sobre diversos temas, desde pornografia até textos de auto-ajuda e religiosidade, campanhas difamatórias, estórias de conspiração, “dicas” e lendas urbanas, phishing e toda sorte de fraudes e contra-informação. Mesmo com as chamadas redes sociais ou de relacionamento, talvez mais adequadas para a troca desses lixos, muita gente ainda se ocupa em repassar spam a torto e a direito sem questionar nem por um segundo a procedência daquele entulho inútil.
Outro dia recebi um spam que detalhava um novo tipo de radar e sua localização em diversas ruas e avenidas. Nem acabei de ler e já o marquei como spam e o deletei. È o tipo de “informação” que, para mim, além de não solicitada, é inútil. E por uma razão muito simples. Não preciso saber onde tem e onde não tem radar. Baseio-me na sinalização e conduzo de acordo com as regras de trânsito. Simples assim. Lembrei inclusive de uma visita à Suécia que fiz há alguns anos. Era passageiro em uma viagem de negócios e, na estrada, comentei com o motorista que não tinha visto nenhum posto ou policial rodoviário em mais de 300 km pelo interior do país. O sueco me disse que a polícia poderia ser qualquer automóvel que cruzasse ou passasse por nós, já que lá andavam sempre à paisana. Também não havia sinalização para localização de radares. As pessoas simplesmente respeitavam as regras. Quando alguém ia beber, simplesmente não dirigia. Achei fantástico. Aqui é justamente o contrário. As pessoas que têm algum dinheiro, mas nenhuma educação, querem ter carrões superpossantes para voar baixo nas ruas e nas estradas. Usam aquelas fitinhas nas placas para dificultar sua identificação. Compram em Miami aqueles detectores de radares para pisarem no freio apenas nas imediações do radar para, em seguida, voltar a voar baixo. E adoram ultrapassar pelo acostamento. Afinal, de acordo com a lei de Gérson, o importante é levar vantagem.
A nossa gloriosa classe média, de gente que frauda o imposto de renda e se gaba por ter conseguido uma restituição maior todo ano, é expert em criticar os governos e os políticos, na esteira do golpismo midiático. Essa gente, engajada na sórdida campanha do Zé Chirico no ano passado, espalhou spam apócrifo e difamatório contra a presidenta, inclusive aquela ficha falsa que a Folha, em uma de suas maiores barrigadas, publicou irresponsavelmente. Pois é, essa gente esperta dizia que não votaria na presidenta porque ela teria sido terrorista. No entanto, em São Paulo, esses fãs do lixo acabaram votando e elegendo um senador que foi terrorista, segundo a própria direita. Simplesmente esses spammers não sabiam que o senador foi motorista e guarda-costa do Marighela, pela ALN. Ou seja, foi um espetáculo de ignorância, preconceito e cinismo.

quarta-feira, julho 27, 2011

Pasquim diz que advogado pagou "estadia" de ministro do STF

Hoje é manchete da Folha que advogado pagou estadia de ministro do STF. Claro, ela se refere ao ministro Antônio Dias Toffoli, por este ter sido um dos duzentos convidados a uma festa promovida por um advogado na Itália. Talvez o ministro não devesse ter aceitado o convite do amigo, mas acontecido isto, agora bastaria que ambos tomassem o cuidado de evitar trabalho conjunto em algum caso. Bem, não entendo muito o trâmite do Judiciário. No entanto, ao pensar um pouco nos motivos da Folha, que hoje parece toda serelepe porque o Jobim declarou ter votado no Çerra (grande novidade!), lembrei que ela não é assim tão "isenta, plural e apartidária" quando se trata de ministro ligado ao tucanato, como é o caso do Gilmar Mendes. Veja mais detalhes no Blog do Mello.
Na minha infância muitas vezes meu pai me perguntava em que gibi eu tinha lido sobre determinado fato, quando esse era ou parecia improvável ou não digno de credibilidade. Hoje eu responderia que li no jornal. Não que eu aprove a atitude de não ler jornais ou só ler as seções de esportes e entretenimento. Conheço muita gente com essas atitudes, e o pior é quando acabam formando opinião com base em spam e fofoca.
Outro aspecto interessante da manchete é o mau uso do vocábulo "estadia". Na norma culta, à qual deveria seguir o jornal, esse termo é adequado para meios de transporte, como navio, automóvel, carroça e até animais. O termo adequado para a permanência de uma pessoa em algum local é "estada". O jornal que apoiou explicitamente a ditadura militar, e tem entre seus articulistas até torturador, agora deixa de lado até a boa gramática. Tudo bem que a língua é dinâmica e faz todo sentido a gente falar "cê" ou "você" em vez de "vossa mercê", mas a um veículo que pretende formar opinião não fica bem acelerar o processo nivelando por baixo. Infelizmente é o caso desse pasquim, que imerso não declaradamente na campanha do Zé Chirico, publicou até ficha falsa e apócrifa sobre a presidenta.
É, não dá mais pra ler, mesmo.

segunda-feira, julho 18, 2011

Extermínio

Não, esse título não se refere ao extermínio que o povo impôs recentemente à oposição, derrotando nas urnas vários caciques de direita. Na verdade, aquele é o título em português do filme "28 Days Later...", que o Danny Boyle dirigiu em 2002, depois de "Trainspotting - Sem Limites" (1996) e antes de "Quem Quer Ser um Milionário?" (2008) e o recente "127 Horas" (2010). Pode parecer, mas não é mais um filme de mortos-vivos na praça, apesar do subtítulo "Danny Boyle reinventa o filme de terror de zumbis, que é assustador como o inferno". Na estória, que é uma mistura de ficção científica, suspense e terror, o vírus da raiva se espalha rapidamente (em 28 dias) pela Inglaterra enquanto alguns poucos sobreviventes tentam localizar um santuário onde possam se ver livres das hordas de zumbis furiosamente encolerizados. Sendo britânico, esse filme não tem aqueles efeitos especiais dos blockbusters. Tampouco se vê aquele desfile de armas nas mãos de todo mundo, comum nos filmes americanos, que sempre mostram a tara americana por armas de fogo.
O filme é tão bom que teve uma seqüência, Extermínio 2 (28 Weeks Later), dirigida pelo espanhol Juan Carlos Fresnadillo em 2007, inferior, mas que não fez feio. E, claro, de certa forma, outra seqüência aconteceu aqui no ano passado. Desde então diversos mortos-vivos, eleitoralmente falando, estão vagando por aí, cheios de ódio no coração. É o caso de Arthur Virgílio, Tasso Jereissati, Rita Camata, Marco Maciel, Heráclito Fortes, Efraim Moraes, César Maia e Mão Santa, entre outros. E, sem dúvida, do vampiro Zé Çerra, (com cedilha mesmo, porque é falso), o sempre candidato mais preparado desde criancinha, preferido pela mídia golpista e pelos setores mais reacionários de nosso país.

terça-feira, julho 12, 2011

Paranapiacaba, patrimônio abandonado


Nesse fim de semana estive mais uma vez em Paranapiacaba. Trago duas novidades de lá.
A boa notícia é que visitei o Museu do Castelinho. Foi lá, no casarão em cima do morro, que morou o engenheiro-chefe da antiga São Paulo Railway. Durante as visitas, monitores voluntários contam um pouco da história da cidade. E a vista a partir daquelas inúmeras janelas fazem valer a pena a visita. Lá a gente aprende sobre a cidade alta, a cidade baixa, a vila antiga, a vila nova, o barão de Mauá, a presença dos ingleses e a ferrovia. Recomendo.
A má notícia é que a cidade está praticamente abandonada, e a situação só não está pior graças à determinação e ao esforço da comunidade. A depender das autoridades, de todos os níveis, a cidade estaria, sim, totalmente abandonada. É muito triste ver o estado de abandono dessa jóia de nosso patrimônio histórico, cultural e turístico.
O distrito de Paranapiacaba, vizinho a Cubatão, fica a três cidades (Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra) do centro de Santo André, a que pertence política e administrativamente. Acho que nisso está uma das razões de seu abandono.
Saiba mais sobre essa jóia em decomposição em: Guia_Paranapiacaba e A_Vila_Inglesa

quinta-feira, junho 23, 2011

O Santos é o novo campeão

Agora quem dá bola é o Santos
O Santos é o novo campeão
Glorioso alvinegro praiano
Campeão absoluto desse ano

Santos, Santos sempre Santos
Dentro ou fora do alçapão
Jogue onde jogar
És o leão do mar
Salve o novo campeão


Agora somos tri-campeões da Libertadores da América.  E jogando bem, convencendo.  É o nosso quarto título em menos de dois anos.  Pode um santista ficar mais feliz?  Parabéns Muricy, Rafael, Danilo, Edu Dracena, Durval, Léo, Alex Sandro, Adriano, Arouca, Elano, Ganso, Pará, Neymar e Zé Eduardo!

domingo, junho 19, 2011

A besta se levanta contra a mulher

Eis que a besta se levantou contra as mulheres outra vez.  E disse a besta: "Vamos admitir até que a mulher tenha sido violentada...É muito difícil uma violência sem o consentimento da mulher, é difícil".  Acredite, se quiser.  E o nome da besta é Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, bispo de Guarulhos.  Sim, aquele mesmo fanático idólatra que participou da campanha difamatória contra a Dilma, promovida pelos setores mais conservadores e reacionários da direita brasileira, ao lado do melhor candidato desde pequenininho Zé Çerra.  Essa besta, e refiro-me ao padreco, é o próprio cruzamento do Jair Bolsonaro com o Rafinha Bastos.  Em vez de cuidar da pedofilia e dos negócios de sua igreja, ele faz política golpista ao lado da mídia "vendida" e da oposição derrotada. Vade retro Satana!

sábado, maio 21, 2011

Sionismo é a principal causa do antissemitismo

Na quinta, 19, para surpresa geral, Obama apoiou e defendeu a criação de um estado palestino desmilitarizado com base nas fronteiras de 1967.  No dia seguinte Israel reagiu de forma agressiva e o premiê fascista Benjamin Netanyahu puxou a orelha do presidente americano, alegando que o poderoso Israel, com todo seu armamento nuclear, ficaria indefeso.
Pois é.  No dia seguinte nossa mídia golpista também reagiu indignada, através de alguns parajornalistas que escrevem a soldo para empresários e políticos de direita.  Não vou citar o nome deles, mas basta abrir os jornalões e as revistas semanais para identifica-los.  Aproveito a oportunidade para deixar claro que concordo integralmente com a proposta de Obama.  E deixo claro minha posição em relação ao conflito árabe-israelense.  Ou, seja, em minha opinião, Israel deve devolver as terras que roubou durante sua expansão atroz, imoral e ilegal.
Para não deixar de falar de cinema, na quarta, 18, o dinamarquês Lars von Trier, que dirigiu o extraordinário Dogville em 2003, durante entrevista coletiva em Cannes sobre seu novo filme (Melancolia), disse que os israelenses são um pé no saco e que ele entende e simpatiza com Hitler.  Resultado: foi banido e considerado persona non grata pelos organizadores do festival, num ato político que talvez expresse o constrangimento francês pelo modo como eles também trataram os judeus na época do nazismo.
É bom deixar claro que Obama e von Trier não são nem nazistas e nem antissemitas.  Concordo integralmente com eles, não sou contra os judeus, mas também desprezo o sionismo.  Tenho visto pessoas desinformadas por nossa mídia golpista atribuírem a causa do terrorismo a radicais fundamentalistas islâmicos. Em nome da liberdade de expressão e do direito à informação, penso que todo mundo deveria saber que quem iniciou o terrorismo no Oriente Médio, ainda sob o mandato britânico (1922-1948), foram justamente os sionistas, entre eles Yitzhak Rabin, Shimon Peres, e Ariel Sharon.  A paz naquela região só existirá com o fim do sionismo, que continua sendo a grande causa do antissemitismo.

segunda-feira, maio 16, 2011

Alta Ansiedade

Esse é o título de um filme de 1977 que o Mel Brooks escreveu, produziu e dirigiu, além de atuar no papel principal e compor música e letra. Esse filme foi dedicado a Alfred Hitchcock, e faz referência a uns dez filmes do mestre do suspense. O próprio título do filme é referência a “Um Corpo Que Cai” (Vertigo, 1958), já que o personagem de Brooks é o Dr. Richard H. Thorndyke, novo diretor do “Instituto Psiconeurótico para Pessoas muito, MUITO Nervosas”.  Ele é um famoso psiquiatra que tem medo de altura.  Lembra daqueles psiquiatras que são mais loucos que os próprios pacientes?  Pois é, os problemas começam quando ele decide descobrir por que seus antecessores morreram inexplicavelmente.  A vilania fica por conta da Enfermeira Diesel (Cloris Leachman, fantástica), que comanda de fato o instituto.  Há referências explícitas e hilariantes a “Intriga Internacional” (North by Northwest, 1959), “Psicose” (Psycho, 1960) e “Os Pássaros” (The Birds, 1963).  Além de Hitchcock, outro homenageado é o Michelangelo Antonioni, pelo filme “Blow Up - Depois Daquele Beijo” (Blow Up, 1966).  Para quem curte cinema, “Alta Ansiedade” é uma verdadeira aula de cinema.  Com certeza, influenciou Brian De Palma, como se pode ver em “Vestida Para Matar” (Dressed to Kill, 1980) e “Blow Out - Um Tiro na Noite” (Blow Out, 1981). Se você prestar atenção ao instituto, sua torre e sua localização num penhasco à beira do mar, vai se lembrar do livro “Ilha do Medo” (Shutter Island), escrito pelo ótimo Dennis Lehane em 2003, tornado filme por Martin Scorsese no ano passado. Um dos pontos altos do filme é o desempenho do próprio Mel Brooks ao interpretar a canção-título imitando Frank Sinatra. Se você não viu, tenho certeza que vai gostar desse filme de Brooks, principalmente se você conhecer as referências citadas.



segunda-feira, maio 09, 2011

Estórias de Obama e Osama

Na semana passada, Obama, praticamente em campanha para reeleição, anunciou a morte de Osama.  Em uma ação ilegal que humilhou o Paquistão, alguém - que pode ter sido Bin Laden ou não - foi assassinado mesmo estando desarmado e teve seu corpo jogado no mar. Com a maior desfaçatez, Obama, o Prêmio Nobel da Paz, disse que a justiça havia sido feita naquele dia.  Justiça sem julgamento, direito a que até mesmo os nazistas tiveram.  Ou seja, execução sumária, promovida por um país que executa oficialmente cerca de um condenado por semana.  Depois foi a novela das fotos, ora falsas, ora não disponíveis para publicação.  O PiG americano, mais exatamente a Fox, já tinha divulgado a morte do terrorista há dez anos, logo depois dos atentados de onze de setembro. Em meio a tantas estórias mal contadas, não dá para saber com certeza se a morte de Bin Laden é verdadeira ou não, mas sua divulgação deve interessar às duas partes, já que a Al Qaeda acabou por admiti-la também. Nos Estados Unidos a notícia da morte de seu inimigo “número um” foi motivo de alegria e festa, e a popularidade do presidente subiu oito pontos.  Muito conveniente tudo isso, num momento em que Obama é alvo constante de críticas promovidas pela extrema direita americana.

segunda-feira, maio 02, 2011

Psicopatas no trabalho

Essa é a manchete de capa da edição de maio da revista “Super Interessante”, da editora Abril.  O assunto não é exatamente novo.  Aliás, ao final do artigo há a referência a obras de 1993 e de 2006 dos pesquisadores Robert Hare e Paul Babiak.  Uma simples consulta no Google lista diversos artigos semelhantes.  Cito alguns deles ao final desse post.  A má notícia é que existe uma probabilidade quatro vezes maior de se encontrar psicopatas nas empresas do que encontrá-los nas ruas.  Nas grandes empresas eles seduzem os entrevistadores e usam as pessoas a fim de obter informações e resultados que os conduzirão a posições estratégicas.  As próprias empresas muitas vezes apresentam uma espécie de transtorno dissociativo de identidade, ou seja, ao menos duas faces: uma imaginária, aquela ideal, dos valores; e a outra, real, prática, composta pelas pessoas.  Na primeira, o colaborador deve ser respeitado porque é objeto de amor e gratidão.  Na segunda, a obsessão por resultados em curto prazo leva à omissão diante de ocorrências de bullying e assédio moral.  Aí se vê toda sorte de espécies corporativas, como o maquiavélico, o vampiro, o narcisista, o manipulador, o perfeccionista, o ditador, o workaholic, o puxa-saco etc. A ocorrência de indivíduos assim dentro das empresas infelizmente é muito mais comum do que se imagina.  Veja a seguir algumas referências:

quinta-feira, abril 21, 2011

Grande Mídia

Quando eu era garoto o meu pai não comprava jornal.  Não que fosse tão caro, acho.  Mas nos faria falta.  Comprar um jornal de manhã, lê-lo durante o dia e descartá-lo à noite era um luxo apenas para a classe média, da qual a gente não fazia parte.  De vez em quando a gente lia as manchetes nas primeiras páginas, colocadas nas laterais das bancas de jornal.  O restante das notícias, só às 19 horas, na “Hora do Brasil”, quando a gente se reunia na sala, em torno do rádio.  A gente não tinha televisão.  Revistas, eu só lia no barbeiro, mas lá eu preferia os gibis mesmo.  Aprendi a ler na cartilha “Caminho Suave” e fui culturalmente colonizado pelo “Mickey”.
Hoje, depois ter assinado por muito tempo um grande jornal paulistano e algumas revistas semanais, estou decepcionado com a grande mídia.  Compreendi o significado de “PiG”, o partido da imprensa golpista, isto é, a nossa grande mídia, principalmente Globo/CBN/Época, Band, Folha, Estado, Abril/Veja.  Prefiro me informar pela Internet, não somente pelos portais do PiG, dos quais também fui assinante, mas pelos media watch, como o Observatório da Imprensa, e pelos “blogs sujos” – termo usado pela campanha direitista do Çerra nas últimas eleições.
Há muita gente que acredita estar bem informada pela grande mídia, que afirma ser isenta, independente, plural e apartidária.  Na verdade, no Brasil essa imprensa literalmente vendida está nas mãos de cerca de dez famílias conservadoras.  E no resto do mundo essa concentração é impressionante.  Os maiores conglomerados da indústria da informação e do entretenimento têm sede nos Estados Unidos: AOL-Time Warner, Disney/ABC, Viacom/CBS, NBC/Vivendi e News Corp/Fox, que difama o presidente Obama todo santo dia.
A seguir, darei um breve exemplo da contrainformação que “essa gente” vende.  Quase todo mundo teve algum contato com o circo montado em torno da condenação à morte da iraniana Sakineh.  Pois é, que selvagem e bárbaro esse governo do Irã, não?  A Folha e a Veja, que é contra o desarmamento, ambos “informam” a classe média acerca desse país pertencente ao “eixo do mal”.  Pena que os “bem informados” não têm acesso à informação de que os Estados Unidos executam quase uma pessoa por semana...  Duvida? Em 2010 houve mais de 110 sentenças de morte lá, além de 46 execuções.  Esse fato é escondido pela mídia golpista, mas está no relatório da Anistia Internacional.  Até os alinhados Japão e Coréia do Sul cometem essa selvageria e barbárie, sabia?  Para saber mais, clique no link – a fonte, repito, é o relatório anual da Anistia.

segunda-feira, abril 18, 2011

Jogo de Poder

Na maioria das vezes dou maior peso à direção, mas a opinião da crítica especializada e o tema também são critérios que uso para escolher os filmes que vejo.  E, claro, algumas vezes o elenco também chama a minha atenção.   Foi o caso de “Jogo de Poder” (Fair Game, 2010), do mesmo diretor de “Identidade Bourne” (The Bourne Identity, 2002), Doug Liman.  Nesse caso, minha escolha foi influenciada pela presença de Sean Penn e Naomi Watts, que também atuaram juntos em outro drama biográfico, “O Assassinato de um Presidente” (The Assassination of Richard Nixon, 2004, Niels Mueller), além do ótimo “21 Gramas” (21 Grams, 2003, Alejandro González Iñárritu).  Em “Jogo de Poder” eles interpretam o casal Joe Wilson e Valerie Plame.  Ele escreve e publica um artigo desmentindo o governo Bush, que na época (2003) montava a farsa usada para invadir o Iraque.  Em represália, o chefe de pessoal do vice-presidente Dick Cheney deixa vazar intencionalmente a identidade de sua esposa, que era agente da CIA.

segunda-feira, abril 04, 2011

Semana passada

Já se escreveu bastante sobre a morte de José de Alencar na terça, lamentada até pelos conservadores, que de forma oportunista lembraram que o vice (mais querido de nossa história) sempre criticava os juros vigentes em nossa economia. O PiG só não comparou o histórico das taxas de juros do governo que apoiou (FHC) e do governo que perseguiu (Lula), e que está disponível na página do Banco Central.
Vou-me restringir apenas aos fatos envolvendo os conservadores na segunda-feira (28/03) e na sexta-feira (01/04).
Na segunda, o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), "viúva" da ditadura militar, além de expressar livremente (a convite do programa "CQC", da Band) sua opinião, aliás já conhecida, sobre cotas raciais e sobre homossexualismo, cometeu crime de prática de racismo em um meio de comunicação ao responder a uma pergunta da cantora Preta Gil.  Veja o trecho do programa no YouTube. É interessante notar que não houve um improviso, já que as respostas dele foram gravadas com antecedência e o programa, ávido por audiência acima de tudo, optou por mostrar essa "reporcagem". É com programas dessa "qualidade" que o PiG utiliza a concessão pública da comunicação.  É claro que o deputado (e qualquer pessoa) deve ter o direito de expressar livremente seu pensamento e opinião.  A consciência não pode ser criminalizada.  O deputado não pode ser considerado um caso isolado de estupidez pontual.  Ele fala para seu eleitorado, que é uma parcela conservadora, retrógrada e reacionária de nossa sociedade. Acho adequado e oportuno que essa gente (e todas as pessoas) se expresse livremente.  A transparência é ótima. No entanto, a constituição e a lei vigente prevê punição para prática, indução ou incitação de racismo.   E é por isso que também assinei a petição para cassação dele.
A boa nova da semana foi a não comemoração oficial do aniversário de 47 anos da quartelada de 1964, por determinação da presidenta através do ministro da defesa e do comandante do exército.  O golpe militar ocorreu no dia 1º de abril, mas para não ficar ridículo foi apelidado de "revolução de 31 de março". Cabe lembrar que o golpe de estado foi executado pelos militares a mando e a serviço dos conservadores.  Como inteligência militar é uma contradição de termos, é lógico que o golpe foi planejado pela direita com o apoio dos americanos, do PiG, e de uma parcela do patronato, de setores reacionários das igrejas e da classe média manipulada.  Para saber mais a respeito e não terminar o assunto sem falar de cinema, recomendo novamente "Cidadão Boilesen":

 

quarta-feira, março 23, 2011

Farewell, Liz

Hoje o cinema perdeu uma de suas grandes damas, Elisabeth Taylor.  Belíssima, com aqueles olhos violetas, do tempo em que o talento prevalecia sobre a beleza - ao contrário de hoje, quando qualquer rostinho bonito e qualquer modelo vira "atriz" de uma hora para outra, mesmo que nem saiba falar.  Confesso que não vi muitos filmes dela, mas admiro "Um Lugar ao Sol" (A Place in the Sun, 1951) e "Assim Caminha a Humanidade" (Giant, 1956), ambos do George Stevens.  Neles, Liz atua respectivamente ao lado de Montgomery Clift e Rock Hudson.
A crítica destaca como seus melhores filmes: "Gata em Teto de Zinco Quente" (Cat on a Hot Tin Roof, 1958, Richard Brooks) e "Quem Tem Medo de Virginia Woolf" (Who's Afraid of Virginia Woolf?,1966, Mike Nichols).  Vou tentar vê-los, mas tenho a certeza que já posso recomendá-los para quem gosta de cinema.  Entenda cinema não exatamente como sendo aquelas salas de projeção em shopping centers onde a moçada assiste, comendo pipoca e tomando Coca-Cola, a blockbusters cheios de efeitos especiais e sem conteúdo.  Refiro-me à invenção dos irmãos Lumière, a sétima arte.


segunda-feira, março 14, 2011

Além da Vida

Parece coincidência, mas uma semana antes dessa tragédia no Japão vi o novo filme do Clint Eastwood, “Além da Vida” (Hereafter, 2010), e agora estão apropriadamente tirando-o de cartaz por causa de suas cenas iniciais que mostram o tsunami de 2004 no Índico.  Estava para comentar mesmo sofre o filme, que achei interessante ou mais exatamente angustiante.  Não pela cena do tsunami, mas pela temática.  É um drama que envolve George (Matt Damon), operário americano, Marie (Cécile De France), uma jornalista francesa, e Marcus (Frankie McLaren), um menino londrino.  Marie sobrevive ao tsunami após uma experiência de quase-morte.  O menino perde o irmão gêmeo em um acidente.  E George tem habilidades “paranormais”, isto é, ao tocar nas pessoas, sente, vê e ouve seus entes queridos já mortos.  Eastwood dirigiu tudo de forma neutra, equilibrada, abordando essa questão sem me parecer engajado.  Além da direção e da produção, Eastwood também é responsável pela música, que achei muito apropriada e, certamente, contribuiu para meu sentimento de angústia ao ver o filme.  E é sobre essa crença que eu gostaria de refletir um pouco.
É claro que seria maravilhoso que as pessoas não morressem para sempre e houvesse vida após a morte.   Esse é um desejo primitivo da humanidade, muito abordado em provavelmente todas as religiões.  De forma agnóstica, não posso afirmar que a vida após a morte e a própria divindade existam ou não.  Sem dúvida, qualquer que seja a resposta a tais questões, ela tem a ver com o significado de nossa existência e com o mistério da identidade.
Conheci algumas pessoas que professam o espiritismo (ou kardecismo), encarando-o como uma ciência que explicaria todas as religiões.   Não vou discutir aqui essa fé propriamente.  Mas quero registrar que a eventualidade de haver pessoas ou entidades superiores ou mais “evoluídas” me causa um certo desconforto.  Pior quando tal superioridade e maior nível evolutivo estiver relacionada a raças, etnias e culturas.  Isso é darwinismo social e, em última análise, puro nazismo, que “justificou” o imperialismo e colonialismo.  Não sou biólogo, mas acredito que há uma certa confusão nos conceitos darwinistas, que o próprio Darwin provocou.  Isto é, espécies se diversificam o tempo todo num processo de melhor adaptação a uma circunstância, a um habitat etc, de forma que apenas sobrevivem os mais adaptados.  Estamos falando de adaptação e sucesso, mas não de superioridade.  Borboletas de asas vermelhas sobrevivem melhor em um bosque de árvores vermelhas do que borboletas de outras cores, já que seriam menos visíveis a seus predadores.  No entanto, uma borboleta não é superior a uma barata, a um leão ou a um tubarão.  Aliás, nenhum desses animais é superior aos demais, mas apenas mais adaptados a seus habitats.  O pensamento dominante da época de Comte, Darwin e Kardec, isto é, do século 19, era racista e xenofóbico.  Kardec (Hippolyte Léon Denizard Rivail) deixou isso bem claro em seu texto “Frenologia espiritualista e espírita - Perfectibilidade da raça negra”.  E que me corrijam os historiadores, mas tenho a impressão de que “nunca antes na história” da humanidade a ideologia do sobrenatural esteve mais em evidência do que durante o nazismo.  Que me perdoem os crentes, mas fé demais não cheira bem.  Para quem não sabe, essa é uma alusão a um filme de Richard Pearce (Leap of Faith, 1992) com Steve Martin no papel de um pastor charlatão.

terça-feira, março 01, 2011

Cisne Negro

Sábado fui ver “Cisne Negro”, do nova-iorquino Darren Aronofsky e com a israelense Natalie Portman, que acabou de ganhar o Oscar de melhor atriz.  Oscar merecido, por sinal.  Natalie já atuou em diversos filmes, iniciando no ótimo “O Profissional” (Léon, Luc Besson, 1994) e participando dos excelentes “Fogo contra Fogo” (Heat, Michael Mann, 1995) e “V de Vingança” (V for Vendetta, James McTeigue, 2006).  Hoje, segundo a agência AFP, Natalie, que é judia, condenou os recentes comentários anti-semitas do estilista Jhon Galliano da maison Dior.
Voltando ao filme, Natalie interpreta Nina, que tem obsessão por ser a melhor bailarina e lograr substituir a recém aposentada Beth (Wynona Ryder) no clássico “O Lago dos Cisnes” de Tchaikovsky.  Para isso ela tem que interpretar o Cisne Negro (Odile, a feiticeira perversa) tão bem quanto interpreta o Cisne Branco (a angelical princesa Odette).  É uma tarefa extremamente difícil porque Nina, embora muito dedicada e tecnicamente perfeita, é do tipo certinha e comportada.  A pressão da mãe (Barbara Hershey), do diretor (Vincent Cassel) e de uma nova concorrente, Lily (Mila Kunis), leva a uma metamorfose psicológica aterrorizante.  Confesso que esperava um pouco mais da condução do desfecho do filme, mas mesmo assim o recomendo para quem gosta de cinema.
Depois do Oscar de 2010, em que o medíocre e belicista “Guerra ao Terror” superou o belo e pacifista “Avatar”, estava achando que esse ano o prêmio não seria político e comercial.  Fui ingênuo, não?

quarta-feira, fevereiro 23, 2011

Veja e Folha, não dá mais para ler

Estou há dias pensando em escrever mais algumas reflexões sobre o PiG.  Acho que muita gente já sabe o significado de PiG, mas não custa nada repetir.  PiG significa "partido da imprensa golpista" e se refere à nossa mídia, com destaque para seus maiores representantes, isto é, Globo, Band, Abril, Folha e Estado.  Li, comprando em bancas e assinando, a Folha de S.Paulo por muitos anos - cerca de trinta para ser mais preciso.  A quem preferia o Estado de S.Paulo, sempre comentei que a Folha era mais progressista, moderna, inovadora.  É verdade.  O Estado sempre foi conservador, e continua sendo.  E também mais autêntico.  É elogiável o fato de o Estado ter publicado receitas de culinária e poemas de Camões no lugar das matérias censuradas pela ditadura militar.  Salvo por essa jogada de marketing ao dizer-se tantos dias sob censura por ter sido impedido judicialmente de divulgar grampos do caso Sarney, o Estado tem sido coerente, inclusive quando em editorial, e copiando o New York Times, declarou-se apoiador da candidatura do Coiso (que é o candidato da direita, José Çerra, o mais preparado desde criancinha).  A Folha, por outro lado, apoiou efetivamente a ditadura militar.  Confesso que não sabia disso quando comecei a lê-la.
Há alguns anos vinha notando um comportamento suspeito de nossa mídia.  O primeiro sinal de que me lembro foi aquela campanha ostensiva contra o Collor, conduzida principalmente pela Folha e pela revista Veja.  Não votei nele, claro, mas acho que a mídia não foi isenta, plural, apartidária, independente, mas, ao contrário, praticou verdadeiro golpismo que culminou no impeachment.  Ainda me lembro da propaganda da Folha, logo depois, afirmando que não chutava cachorro morto.  Claro que esse comportamento já era explícito e escandaloso no caso da Globo.  Aliás, é imperdível o documentário “Muito Além do Cidadão Kane”, feito em 1993 por Simon Hartog para a BBC, proibido aqui, mas facilmente encontrado na Internet.  A TV Record talvez o publique esse ano.
Nos últimos anos a situação se agravou com o ataque diário ao governo Lula desde 2003.  Não acho que essa imprensa deva ser chapa branca, como foi durante a ditadura, mas um pouco de equilíbrio seria de se esperar.  O governo, como a gente mesmo, comete erros e acertos.  Mas nossa mídia faz questão de focar praticamente apenas nos erros.  É compreensível que a imprensa, assim como uma pessoa qualquer, tenha convicções filosóficas e políticas.  No entanto, acho que é desonesto um jornal ocultar isso de seus leitores.  Implicitamente todo jornal reproduz o pensamento de seus donos e acionistas.  Sou a favor da total liberdade de expressão e acho que a mídia deve explicitar suas preferências.  Isso é raro, mas no ano passado tivemos o Estado apoiando o Çerra e a Carta Capital, a Dilma.  Folha e Veja continuam dissimulados, arrasados pela derrota de seu candidato, e já atacando direta e indiretamente o governo Dilma.
Essa campanha eleitoral foi a pior que já vi, superando em sordidez a campanha de 1989.  A direita usou a Internet e a religiosidade “como nunca antes neste país”.  A Folha chegou a publicar uma ficha falsa da Dilma, cuja tosca elaboração é atribuída a um site de ex-torturadores.  A Folha, a Veja e a Globo imaginaram que poderiam colocar e tirar um presidente quando bem entendessem, como fizeram com o Collor.  Ledo engano.  O brasileiro amadureceu e muita gente não engole mais propaganda de qualquer espécie.  O fato é que, como se diz por aí, peguei nojo.  Não consigo mais abrir a Folha ou a Veja.  Os telejornais da Globo e da Band embrulham meu estômago.  E está pior agora, surpreendentemente.  Não vou considerar o ano passado, já que a mídia estava em plena campanha pelo candidato da direita.   Mas agora repetem o que fizeram durante todo o mandato de Lula.  Todos erram, mas o PiG ameniza e até esconde as falcatruas dos tucanos e de seus capangas do DEM e do PPS.  Assim não dá mais pra ler e ver.
Quero deixar claro que não sou contra a liberdade de expressão, mas exatamente o contrário.  O problema é que nossa mídia está nas mãos de meia dúzia ou uma dezena de famílias, na maioria famiglias mesmo, com aquela origem, entende? Cinicamente pregam a liberdade de expressão, mas não aceitam contestação.  Ou seja, a liberdade de expressão é só para a mídia.  A mídia pode criticar e falar o que quiser, e ninguém mais.  A sorte é que hoje temos a blogosfera para buscar informação de forma democrática.  Mas, reitero, é muito importante desenvolver um senso crítico, para não aceitar qualquer coisa como sendo a verdade.  Não se pode aceitar passivamente o que alguém escolheu previamente por nós para nortear nossa agenda e nossas convicções.  É necessário conhecer esses formadores de opinião e entender quais são seus interesses.  Você pode continuar comprando a propaganda da Veja, mas deveria saber mais sobre a história da Abril e sobre a ligação de sua revista com o grupo sul-africano Naspers, pró-apartheid.  

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

Senso comum e senso crítico

Há alguns anos, hoje muitos para falar a verdade, o Instituto de Química da USP tinha a tradição de realizar um “colóquio de aferição de nível”.  O evento era organizado pelos veteranos e o público alvo era os calouros.  Sim, era uma espécie de trote.  Não o trote de sofrimentos físicos impingidos aos novatos, mas um trote psicológico que, mesmo sob controvérsias, tinha a finalidade de verificar se o senso dos calouros era comum ou crítico.  Falsos professores pós-doutorados, que na verdade eram veteranos desconhecidos, apresentavam teses que jogavam por terra tudo aquilo que a gente tinha aprendido no colegial e nos cursinhos preparatórios para o vestibular.  E o clima era pesado, arbitrário, autoritário, um mise en scène baseado na ditadura militar.  Muitos alunos comentavam que a experiência tinha sido estressante e trazia emoções como medo, raiva e tristeza, mas teria sido ao final uma lição de vida.  Não me incluí nesse rol porque fiquei tão preocupado que faltei na semana toda para estudar e, focado na preparação para o colóquio, acabei esquecendo de verificar a data exata do evento.  Lamentei muito quando soube que perdi tal experiência.  No ano seguinte, para descontar, fiz questão de impressionar os calouros circulando com um livro enorme debaixo do braço e avisando a todos para não faltarem ao colóquio que seria dia d e hora h. Também aproveitei as lições do colóquio, embora de uma forma diferente, sem estar acuado naquela atmosfera sombria e, por isso, sem saber que emoções experimentaria de forma mais intensa.
De qualquer forma, a grande lição daquele dia foi o despertar para o senso crítico, deixando para trás o senso comum da grande maioria alienada.  Ali a gente aprendeu a ouvir e questionar sobre a validade não apenas da informação, mas principalmente a validade da fonte daquela informação.  Boa parte de nós, naquela época, passou pela universidade não aprendendo apenas sobre a matéria ou área de conhecimento específica (no caso, química), estudando muito, tirando boas notas e nos tornando profissionais com amplo embasamento teórico.  Sorte que não foi apenas isso.  Tivemos acesso a uma visão diferente sobre o que estava acontecendo no país e no mundo.  E aprendemos a refletir sobre aquilo que a mídia (jornal, revista, rádio, TV, cinema) escolhia para nos apresentar, sobre a forma escolhida para apresentação, e sobre quem possuía essa mídia e quais seriam suas motivações.  Ou seja, se um jornal estampava determinada manchete, as perguntas eram: por que aquele tema foi escolhido, por que foi apresentado daquela forma, quem era o dono do jornal, quem ele tinha sido antes e quais seriam seus interesses.
Conheço muita gente que se acha bem informada por ler determinada revista e determinado jornal.  Não conto aqueles que lêem apenas a parte de esportes ou a de entretenimento.  Mas a questão é: será que essa gente está bem informada mesmo? Alguém pode ter escolhido não só o que as pessoas devem saber, mas de que forma devem saber, não? Ou será que existe mídia isenta, imparcial, pluralista, apartidária e independente?  Se for assim, Papai Noel, Mula Sem Cabeça e almoço de graça também existem.
Bem, o assunto é longo e há diversos aspectos a serem considerados.  Tema para futuras reflexões.

segunda-feira, janeiro 17, 2011

Pérolas de janeiro

Dia 3, segunda-feira, o general José Elito Siqueira, ao tomar posse como chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), disse que “nós não temos que nos envergonhar da existência dos desaparecidos políticos durante a ditadura militar”.  No dia seguinte foi repreendido pela presidenta e disse que foi mal interpretado.  Lamentável.  Lembrei-me na hora do que disse Groucho Marx: “military intelligence is a contradiction in terms”, ou seja, há uma contradição nos termos inteligência e militar.  Temos  que nos envergonhar sim, general!  E muito.  Embora devamos ficar de olho nesse milico, a asneira que ele disse me lembra novamente outra frase do Groucho: “I never forget a face, but in your case I'll be glad to make an exception".  Isto é, nunca esqueço um rosto, mas nesse caso ficarei contente de fazer uma exceção.
Na semana seguinte, terça-feira, dia 11, foi a vez do nosso governador, o Picolé de Chuchu, adepto do fundador da Opus Dei (“São” Josemaria Escrivá), dizer que “obras de combate às enchentes não ficam prontas em 24 horas”.  Para refrescar a nossa memória: Alckmin foi vice-governador de 1995 a 2001, governador de 2001 a 2006 e escolhido novamente para mais quatro anos.  E em 16, de 20 anos de PSDB no poder, será suficiente, governador?  Realmente não dá para acreditar na “pujança” (e ignorância política) paulista.

terça-feira, janeiro 04, 2011

Córdoba argentina

A maior parte das atrações da cidade de Córdoba pode ser vista percorrendo-se a pé uma área semelhante a um quadrado com lado de 12 quadras.  O centro é a Plaza San Martín e a Iglesia Catedral.  San Martín foi o general argentino que conquistou a independência da Argentina, do Chile, e também do Peru, ao lado de Simón Bolívar.  A catedral é importante por ser o coração da cidade, mas destaco por beleza: a Capilla Doméstica, que fica na chamada Manzana Jesuítica, ao lado da Iglesia de la Compañia de Jesús; e também a Iglesia de los Capuchinos, que fica ao lado do Paseo del Buen Pastor.  A oeste do centro fica La Cañada, que é um canal margeado por árvores da região.  E ao sul, o Palacio Ferreyra, também conhecido por Museo Superior de Bellas Artes Evita, próximo ao Parque Sarmiento, enorme área verde que lembra o nosso Ibirapuera.  Os itens sublinhados estão entre as sete maravilhas de Córdoba que foram construídas pelo homem.  Veja a seguir suas fotos, pela ordem:




sábado, janeiro 01, 2011

Dia Histórico

Nunca antes na história deste país um presidente passou a faixa presidencial a uma mulher, uma guerreira que não fugiu à luta pela redemocratização do Brasil.  Enquanto muitos apoiaram a quartelada de 1964, outros fugiram quando a luta recrudesceu e alguns viraram a casaca, ela resistiu à tortura e prosseguiu na luta política até ser eleita pelo povo e hoje tomar posse como a primeira presidenta do país.