quinta-feira, abril 21, 2011

Grande Mídia

Quando eu era garoto o meu pai não comprava jornal.  Não que fosse tão caro, acho.  Mas nos faria falta.  Comprar um jornal de manhã, lê-lo durante o dia e descartá-lo à noite era um luxo apenas para a classe média, da qual a gente não fazia parte.  De vez em quando a gente lia as manchetes nas primeiras páginas, colocadas nas laterais das bancas de jornal.  O restante das notícias, só às 19 horas, na “Hora do Brasil”, quando a gente se reunia na sala, em torno do rádio.  A gente não tinha televisão.  Revistas, eu só lia no barbeiro, mas lá eu preferia os gibis mesmo.  Aprendi a ler na cartilha “Caminho Suave” e fui culturalmente colonizado pelo “Mickey”.
Hoje, depois ter assinado por muito tempo um grande jornal paulistano e algumas revistas semanais, estou decepcionado com a grande mídia.  Compreendi o significado de “PiG”, o partido da imprensa golpista, isto é, a nossa grande mídia, principalmente Globo/CBN/Época, Band, Folha, Estado, Abril/Veja.  Prefiro me informar pela Internet, não somente pelos portais do PiG, dos quais também fui assinante, mas pelos media watch, como o Observatório da Imprensa, e pelos “blogs sujos” – termo usado pela campanha direitista do Çerra nas últimas eleições.
Há muita gente que acredita estar bem informada pela grande mídia, que afirma ser isenta, independente, plural e apartidária.  Na verdade, no Brasil essa imprensa literalmente vendida está nas mãos de cerca de dez famílias conservadoras.  E no resto do mundo essa concentração é impressionante.  Os maiores conglomerados da indústria da informação e do entretenimento têm sede nos Estados Unidos: AOL-Time Warner, Disney/ABC, Viacom/CBS, NBC/Vivendi e News Corp/Fox, que difama o presidente Obama todo santo dia.
A seguir, darei um breve exemplo da contrainformação que “essa gente” vende.  Quase todo mundo teve algum contato com o circo montado em torno da condenação à morte da iraniana Sakineh.  Pois é, que selvagem e bárbaro esse governo do Irã, não?  A Folha e a Veja, que é contra o desarmamento, ambos “informam” a classe média acerca desse país pertencente ao “eixo do mal”.  Pena que os “bem informados” não têm acesso à informação de que os Estados Unidos executam quase uma pessoa por semana...  Duvida? Em 2010 houve mais de 110 sentenças de morte lá, além de 46 execuções.  Esse fato é escondido pela mídia golpista, mas está no relatório da Anistia Internacional.  Até os alinhados Japão e Coréia do Sul cometem essa selvageria e barbárie, sabia?  Para saber mais, clique no link – a fonte, repito, é o relatório anual da Anistia.

segunda-feira, abril 18, 2011

Jogo de Poder

Na maioria das vezes dou maior peso à direção, mas a opinião da crítica especializada e o tema também são critérios que uso para escolher os filmes que vejo.  E, claro, algumas vezes o elenco também chama a minha atenção.   Foi o caso de “Jogo de Poder” (Fair Game, 2010), do mesmo diretor de “Identidade Bourne” (The Bourne Identity, 2002), Doug Liman.  Nesse caso, minha escolha foi influenciada pela presença de Sean Penn e Naomi Watts, que também atuaram juntos em outro drama biográfico, “O Assassinato de um Presidente” (The Assassination of Richard Nixon, 2004, Niels Mueller), além do ótimo “21 Gramas” (21 Grams, 2003, Alejandro González Iñárritu).  Em “Jogo de Poder” eles interpretam o casal Joe Wilson e Valerie Plame.  Ele escreve e publica um artigo desmentindo o governo Bush, que na época (2003) montava a farsa usada para invadir o Iraque.  Em represália, o chefe de pessoal do vice-presidente Dick Cheney deixa vazar intencionalmente a identidade de sua esposa, que era agente da CIA.

segunda-feira, abril 04, 2011

Semana passada

Já se escreveu bastante sobre a morte de José de Alencar na terça, lamentada até pelos conservadores, que de forma oportunista lembraram que o vice (mais querido de nossa história) sempre criticava os juros vigentes em nossa economia. O PiG só não comparou o histórico das taxas de juros do governo que apoiou (FHC) e do governo que perseguiu (Lula), e que está disponível na página do Banco Central.
Vou-me restringir apenas aos fatos envolvendo os conservadores na segunda-feira (28/03) e na sexta-feira (01/04).
Na segunda, o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), "viúva" da ditadura militar, além de expressar livremente (a convite do programa "CQC", da Band) sua opinião, aliás já conhecida, sobre cotas raciais e sobre homossexualismo, cometeu crime de prática de racismo em um meio de comunicação ao responder a uma pergunta da cantora Preta Gil.  Veja o trecho do programa no YouTube. É interessante notar que não houve um improviso, já que as respostas dele foram gravadas com antecedência e o programa, ávido por audiência acima de tudo, optou por mostrar essa "reporcagem". É com programas dessa "qualidade" que o PiG utiliza a concessão pública da comunicação.  É claro que o deputado (e qualquer pessoa) deve ter o direito de expressar livremente seu pensamento e opinião.  A consciência não pode ser criminalizada.  O deputado não pode ser considerado um caso isolado de estupidez pontual.  Ele fala para seu eleitorado, que é uma parcela conservadora, retrógrada e reacionária de nossa sociedade. Acho adequado e oportuno que essa gente (e todas as pessoas) se expresse livremente.  A transparência é ótima. No entanto, a constituição e a lei vigente prevê punição para prática, indução ou incitação de racismo.   E é por isso que também assinei a petição para cassação dele.
A boa nova da semana foi a não comemoração oficial do aniversário de 47 anos da quartelada de 1964, por determinação da presidenta através do ministro da defesa e do comandante do exército.  O golpe militar ocorreu no dia 1º de abril, mas para não ficar ridículo foi apelidado de "revolução de 31 de março". Cabe lembrar que o golpe de estado foi executado pelos militares a mando e a serviço dos conservadores.  Como inteligência militar é uma contradição de termos, é lógico que o golpe foi planejado pela direita com o apoio dos americanos, do PiG, e de uma parcela do patronato, de setores reacionários das igrejas e da classe média manipulada.  Para saber mais a respeito e não terminar o assunto sem falar de cinema, recomendo novamente "Cidadão Boilesen":

 

Mídia golpista hoje

Domingo é dia de folhear os jornalões e tentar entender o que a máfia dos barões da mídia está querendo que a gente acredite. O Globo, en...