sábado, dezembro 31, 2011

2011, o ano em que os cães latiram e a caravana passou

Nesse momento o Brasil vai de bem a melhor. Claro, com muitos problemas ainda. E diversos desafios. Mas a perspectiva é boa. Já somos a sexta economia do mundo. E mesmo com a crise econômica global, ainda crescemos – aquém do esperado, mas de forma consistente. Diversos eventos, que estão por vir nos próximos anos, continuarão colocando o país cada vez mais em evidência. Com exceção de algumas tragédias, algumas talvez anunciadas, mas sobre as quais nada ou pouco podemos fazer hoje, quase podemos afirmar, sem sarcasmo, que “tudo vai pelo melhor no melhor dos mundos possíveis”, lembrando Voltaire.
Infelizmente, uma parte da sociedade está atônita e se recusa a admitir o sucesso e o futuro promissor do país. Essa parte foi derrotada nas urnas. Seus líderes foram defenestrados do poder. Eles compõem uma legião de mortos-vivos, politicamente falando, zumbis e vampiros. Nutrem e espalham sentimentos ruins, como rancor e inveja. Por sorte estão divididos. Lutam entre si. Vigiam-se, intimidam-se e ameaçam uns aos outros. Se houver vencedores, estes estarão incumbidos de voltar ao poder, custe o que custar, para “combater o comunismo ateu e defender a família cristã”.
Um dos problemas brasileiros é o oligopólio das comunicações, isto é, a mídia é privatizada e concentrada praticamente nas mãos de onze famílias. Alguns as encaram como verdadeiras famiglias, inclusive. Essas famílias sempre foram associadas àquela parcela da sociedade, citada acima. Portanto, sua linha editorial é conservadora, americanófila e sionista. Hoje não separam informação e opinião. Escolhem os fatos, decidem o que e como informar. Editam as manchetes, isto é, manipulam de acordo com seu ponto de vista. E se dirigem especialmente a um determinado público consumidor, encarregado de multiplicar e disseminar sua forma de pensar e viver. Esse não é um fenômeno brasileiro, mas ocorre também nos Estados Unidos.
A mídia brasileira pratica um jornalismo marrom e é conhecida por PiG – partido da imprensa golpista – particularmente por seu papel na eleição e no impeachment de Fernando Collor (1990-1992), além do apoio dado à quartelada de 1964 e o subseqüente governo fascista finalizado em 1985. Esse apoio, além de ideológico, foi material e logístico. Outros setores da sociedade também apoiaram por ação ou omissão o fascismo, como parte dos cristãos da Igreja Católica Apostólica Romana e de seitas pentecostais, e também parte do empresariado, como o Grupo Ultra do cidadão Boilesen.
Em 2011 o spam político eleitoral praticado na campanha do Çerra migrou para as redes sociais, onde os reacionários reeditaram o movimento dos cansados de 2007. Ao contrário dos movimentos realmente populares, as marchas contra a corrupção foram um fracasso – sua última manifestação reuniu apenas 30 pessoas. A direita, cujos partidos trocam de nome como se troca de camisa, alijada do poder, adotou a estratégia de colar a imagem de corrupto nos integrantes do governo. Isso é tão bizarro como a dona do bordel tentar se passar por virgem. É como se a corrupção fosse um fenômeno surgido em 2003 com o governo Lula. A mídia trabalhou a todo vapor para derrubar 6 ministros, o que ficou conhecido com a faxina da presidenta Dilma. Ao mesmo tempo a mídia reluta em admitir o sucesso de vendas do livro “A Privataria Tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Jr., que descreve o maior assalto ao patrimônio público brasileiro, praticado na “jestão” tucana, quando o Çerra foi ministro do Planejamento.
A novidade na Política foi a criação de um novo partido, que “não é nem de direita, de esquerda, nem de centro”, conduzida por Kassab – este, por sua vez, criatura do Çerra. Se o PSD não é ideológico, então é fisiológico, claro. Mas sabemos que é partido de direita, engendrado dentro do contexto da luta desesperada pela volta ao poder, praticada pelos derrotados do ano passado. Por sorte, ou por falta de apoio mesmo, a mídia não escondeu que Kassab cumpriu apenas entre 6% e 29% das metas da Prefeitura para 2012. Dedicou-se, claro, a dividir o PSDB em São Paulo, conforme estratégia do já citado despeitado.
O ano que vem promete muitas emoções, já que haverá eleições municipais e as atenções estarão voltadas para a cidade de São Paulo. Os vencedores terão um peso grande na disputa que realmente interessa, que é a sucessão da presidenta em 2014. Todo cuidado será pouco. A direita, ferida, associada à mídia literalmente vendida e seu público vil, usará novamente baixarias e ardis inimagináveis. A sorte é que, de fato, o povo não é bobo e, novamente a caravana passará à revelia dos cães.

domingo, dezembro 04, 2011

Vai com Deus, Doutor.

Ontem fiquei preocupado quando soube da internação do Sócrates. Hoje fiquei chocado quando soube da morte do Magrão. De fato, é uma grande perda para nós, brasileiros, principalmente para aqueles que gostam de futebol e para aqueles que prezam a democracia.
Todos que me conhecem sabem que sou santista, mas hoje confesso que vou torcer pelo time que consagrou o Doutor. E acho que a eventual festa do título, merecido por sinal caso se concretize, seria mais bonita se incluisse uma homenagem ao paraense Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira.
Neste momento de maturidade, em que respeitamos e torcemos pelos nossos vizinhos, até nossos hermanos lembraram do Doutor: http://www.clarin.com/deportes/Murio-Socrates-icono-futbol-Brasil_0_602939964.html