domingo, junho 24, 2012

Capas das principais revistas semanais

É muito interessante e didático analisar as capas de nossas revistas semanais de notícias, atualidades e variedades:
  • CartaCapital: Vale tudo. Por 1 minuto e 43 segundos na tevê, o PT troca Luiza Erundina por Paulo Maluf.
  • Época: Não vale tudo. A reação ao acordo de Lula com Maluf mostra que o Brasil exige um mínimo de coerência dos políticos.
  • IstoÉ: Vale tudo? Para ganhar tempo de TV durante a campanha, políticos fazem alianças com antigos inimigos e perpetuam uma prática que está na origem dos escândalos de corrupção no País.
  • Veja: Lula malufou! A cara de pau e o cinismo na política brasileira.
Uma simples observação das imagens, fotografias ou desenhos, além da leitura das manchetes e dos destaques, deixa claro qual é a linha editorial de cada revista e a que público cada uma delas se destina.
A CartaCapital exercita certo ativismo de centro-esquerda e tem apoiado quase sempre os governos Lula e Dilma. Digo quase sempre porque às vezes a revista discorda e faz críticas às escolhas petistas. Um exemplo foi o caso Battisti. Outro poderia ser a capa dessa semana, que põe a foto do Maluf em primeiro plano e, por isso, para muita gente lembra as capas panfletárias da Veja. Por outro lado, nesta semana ela mostra bem qual foi a motivação da aliança PT-PP em São Paulo: o tempo de TV.
Surpreendentemente, a Época, que é da Globo e, portando, de direita, apresentou uma capa razoavelmente discreta e isenta, já que o tema ficou em segundo plano. Aliás, no mesmo plano de um destaque para dois ex-dirigentes do DEM que denunciam desvio de dinheiro do partido na Bahia e no Acre. Vale a pena ler também um artigo do Paulo Moreira Leite, “Contrabando ideológico do Paraguai”. Fiquei surpreso já que os Marinho praticam um parajornalismo similar ao praticado pelas famiglias Civita, Mesquita e Frias.
A IstoÉ, que se diz independente com jornalismo crítico, plural e democrático, coerente com seu centrismo, demonstra equilíbrio e equidistância, apesar da capa com a charge de Lula, Maluf, Serra e Alfredo Nascimento. Ela destaca as negociações por tempo de TV e futuros cargos que estão sendo conduzidas por todos os partidos em todo o país. Alckmin, o Picolé de Chuchu da Opus Dei, ao se recusar a nomear mais um apadrinhado de Maluf, além daquele que já está no CDHU, prejudicou o Çerra porque Maluf acabou optando pelo PT por um cargo no Ministério das Cidades. Mas o Zé Chirico logrou o apoio do PR do “mensaleiro” Valdemar Costa Neto e do ex-ministro dos Transportes Alfredo Nascimento, dispensado por corrupção na faxina da Dilma.
A Veja, folhetim de extrema direita que tem controle acionário do grupo racista sul-africano Napster, dá em segundo plano a manchete citada acima, em que se vê bem o linguajar panfletário e abertamente crítico ao PT, Lula e Dilma. Para não variar, a Veja, associada à gangue do Carlinhos Cachoeira, não pratica jornalismo, mas sim militância político-ideológica.
Ao ver a foto de Lula e Haddad cumprimentando Maluf para selar a aliança PT-PP cujo objetivo é defenestrar os demotucanos da prefeitura paulistana, confesso que senti um pouco de náusea. Lembrei do Paulo Betti, que disse que "não dá para fazer política sem botar a mão na merda", e de Groucho Marx, que disse: "Esses são os meus princípios, e se você não gosta deles...Bem, eu tenho outros". Mas citaria também Wagner Tiso, que disse: "Não estou preocupado com a ética do PT. Acho que o PT fez um jogo que tem que fazer para governar o país". Lamentei essa realpolitik e o pragmatismo dos fins justificando os meios, mas não a ponto de mudar ideologia e voto. Reconheço que aquela foto não ajuda em nada a imagem da política para os alienados e os mal-informados, mas espero que os votos dos malufistas ajudem a derrotarmos o "jênio" do aborto e da bolinha de papel.

Mídia golpista hoje

Domingo é dia de folhear os jornalões e tentar entender o que a máfia dos barões da mídia está querendo que a gente acredite. O Globo, en...