segunda-feira, dezembro 30, 2013

Diário de bordo - El Calafate - Dia 1

Após 3 horas de voo e menos 20°C, chegamos. E, junto, a fome. Explicando a diferença de temperatura: às 5 da manhã já estava 31°C em Buenos Aires.  Em El Calafate, 11°C às 11h30.  Por US$ 20 uma van nos deixa no hotel. O Edenia fica a 10 minutos do centro, talvez uns 10 km, num lugar elevado chamado Punta Soberana, bem na frente da Isla Solitaria, com uma bela vista do Lago Argentino e da cidade. O conforto compensa a distância e o isolamento. Como o quarto não estava pronto, fomos ao centro utilizando o shuttle service - uma van que sai e volta a cada hora. No centro, que praticamente se resume à Avenida del Libertador General San Martin, a opção do dia foi a pizzaria La Lechuza, com Wi-Fi e diversos pratos em um ambiente aconchegante.

terça-feira, dezembro 24, 2013

As redes sociais e as pessoas

O Facebook, como o Orkut, reúne familiares, parentes, amigos, colegas e conhecidos, da escola, do trabalho, da igreja, do bar, do clube, do time, do condomínio, do sindicato, do partido etc. Como no dia a dia, a maioria dessas pessoas curte, comenta e compartilha amenidades sobre pessoas e acontecimentos, de forma superficial, e raríssimamente ideias. Mas é um meio interessante de se conhecer melhor as pessoas através daquilo que elas escolhem curtir, comentar e compartilhar.  A má notícia é que mesmo pessoas formalmente educadas demonstram preocupante falta de cultura, educação, e civilidade.  Veem-se apenas formas e aparências, mas pouco ou nenhum conteúdo.  Como diziam meus avós: por fora, bela viola; por dentro, pão bolorento.  No interior dessas pessoas há apenas um vazio, ou talvez um senso comum, vulgar, oriundo de bate-papos, fofocas, boatos, spams, e da mídia que, literalmente, faz a cabeça das pessoas com publicidade e propaganda de toda sorte.  Fazendo referência a Gibran Khalil Gibran, em “O Profeta”, poderíamos dizer que as nossas escolhas e ideias não são nossas, elas vêm através de nós, mas não de nós; embora vivam conosco, não nos pertencem.  As pessoas que não têm senso crítico simplesmente aceitam e reproduzem determinadas ideias, assim como aqueles que mal leem o spam que recebem e já o encaminham a todos, sem refletir sequer um segundo sobre seu conteúdo, sua origem, seu significado e seu propósito.  São os zumbis, walking dead, vaquinhas de presépio, Marias vão com as outras, alienados, manipulados, feitos gado no curral e massa de manobra.  No entanto, com frequência essas pessoas, como se diz popularmente, “se acham e não perdem uma oportunidade para aparecer e causar”, isto é, têm elevada autoestima e adoram a berlinda, os holofotes e os quinze minutos de fama.  Falta-lhes a percepção da inconveniência.  Decididamente, não acreditam que “é melhor calar e deixar que os outros pensem que você é um idiota do que falar e acabar com toda a dúvida”.  Não sei por que se atribui essa frase a Abraham Lincoln, quando sua origem está nos Provérbios de Salomão.
 
A maioria das pessoas que conheço do Facebook é alienada, desinformada ou mal informada.  Não cito nomes, mas o exemplo que mais me chamou a atenção foi o de uma pessoa jovem que em 2010 me disse que não ia votar na Dilma para presidente porque ela teria sido terrorista, mas votou no motorista e guarda-costas do Marighella para senador (o vira-casaca Aloysio Nunes).  Este, sem dúvida, é o melhor, ou pior, exemplo de ignorância, para não falar de hipocrisia e cinismo.  Aquela pessoa sabe de cor a escalação de seu time preferido, está “por dentro” da vida de todas as celebridades, acompanha todas as novelas, reality-shows, programas humorísticos e esportivos na “melhor” emissora.  Adora TV, e detesta livros.
O Twitter, por outro lado, além de nos propiciar informação em tempo real, facilita a interação com pessoas virtualmente inacessíveis por outros meios e que frequentemente têm para compartilhar ideias baseadas em real conhecimento filosófico, político ou religioso.

O Facebook e o Twitter são ferramentas estratégicas de comunicação que nos propiciam liberdade de expressão e independência da mídia dominante. 

domingo, dezembro 22, 2013

A Nova Onda Iraniana

O diretor Asghar Farhadi é representante da terceira geração do New Wave iraniano, cinema de arte neorrealista e minimalista, vencedor de vários prêmios: Urso de Prata de Berlim em 2009 como melhor diretor com “À Procura de Elly” (Darbareye Elly>, 2009); Urso de Ouro de Berlim em 2011, Globo de Ouro de melhor filme em língua estrangeira e Oscar de melhor filme estrangeiro do ano em 2012 com o filme “A Separação” ( Jodaeiye Nader az Simin, 2011).  Seu último filme, “O Passado” (Le Passé, 2013), foi indicado para o próximo Globo de Ouro.  Nele, Bérénice Bejo, a portenha que interpreta Marie Brisson, ganhou o prêmio de melhor atriz no Festival do Filme de Cannes.  Ela também foi a fã entusiasmada Peppy Miller de “O Artista” (The Artist, 2011), escrito e dirigido pelo francês Michel Hazanavicius.
Se você curte arte cinematográfica, prepare a pipoca, o guaraná e o sofá.

sexta-feira, dezembro 06, 2013

Goodbye, Madiba!

Todo mundo se manifestou sobre a morte de Nelson Mandela, que liderou o Congresso Nacional Africano, partido afiliado à Internacional Socialista, na luta contra o regime de apartheid, até ser eleito presidente da África do Sul em 1994, após ter ficado 27 anos na cadeia. Mandela e seu partido permaneceram na lista americana de suspeitos de terrorismo até 2008, quando o mentiroso Bush finalmente assinou uma lei revogando essa estupidez.   Não foram apenas os ianques que apoiavam o regime de segregação racial que durou de 1948 a 1994.  A Inglaterra também.  A dama de ferro, Margaret Thatcher, recusou-se a impor sanções ao regime fascista da África do Sul, junto com Ronald Reagan em 1987.

A nossa mídia golpista, porta-voz da direita, também prestou homenagem a Mandela, cuja foto foi estampada hoje na primeira página da maioria dos jornais.  Até o Qwaack, aquele suposto agente da CIA, que sempre fala mal do Brasil todos os dias à meia-noite no Jornal da Globo, fez menção a Mandela.   Além de direitista, é fanfarrão.  Mas estou curioso mesmo é para ver a próxima capa da Veja, aquele pasquim que pratica jornalismo de latrina.  Afinal, a editora Abril é 30% controlada pelo grupo racista Naspers, imprensa marrom que praticou o mesmo parajornalismo que a Veja tem praticado aqui.  Ou seja, Naspers e Abril abandonaram o jornalismo para se converter em partido político.
Para que os alienados se informem, vejamos a seguir alguns pronunciamentos de Mandela que a direita faz de conta que não existiram.
Sobre um estado palestino: "A ONU tomou uma posição firme contra o apartheid, e ao longo dos anos, um consenso internacional foi construído, o que ajudou a por fim a este sistema iníquo. Mas nós sabemos muito bem que a nossa liberdade é incompleta sem a liberdade dos palestinos”.
Sobre os Estados Unidos e a invasão do Iraque: "Se há um país que cometeu atrocidades indescritíveis no mundo, este é os Estados Unidos da América. Eles não se importam com os seres humanos. Se você olhar para essas questões, você vai chegar à conclusão de que a atitude dos Estados Unidos da América é uma ameaça para a paz mundial. Tudo o que Bush quer é o petróleo iraquiano”.
Sobre Muamar Kadafi, seu apoiador de longa data: "É nosso dever dar apoio ao líder irmão... especialmente no que diz respeito às sanções que não estão atingindo apenas ele, mas as massas comuns do povo... nossos irmãos e irmãs africanos".
Sobre Fidel Castro e a revolução cubana: "Desde seus primeiros dias, a Revolução Cubana também tem sido uma fonte de inspiração para todas as pessoas que amam a liberdade. Admiramos os sacrifícios do povo cubano na manutenção da sua independência e soberania em face da perversa campanha orquestrada pelos imperialistas para destruir o ganho impressionante feito na Revolução Cubana... Viva a Revolução Cubana. Longa vida ao camarada Fidel Castro".
Sobre Israel: “Israel deve se retirar de todas as áreas que tomaram dos árabes em 1967 e, em particular, Israel deve se retirar completamente das Colinas de Golan, do sul do Líbano e da Cisjordânia”.

Vamos esperar então a capa do pasquim sionista para ver até onde vai a hipocrisia da direita.

sábado, novembro 23, 2013

A Invenção de Hugo Cabret

"Eu imagino que o mundo inteiro é uma grande máquina. Máquinas nunca vêm com todas as peças sobressalentes, você sabe. Elas sempre vêm com a quantidade exata de que necessitam. Então eu percebi que, se todo o mundo fosse uma grande máquina, eu não poderia ser uma parte sobressalente. Eu tinha que estar aqui por algum motivo. E isso significa que você tem que estar aqui por alguma razão, também. Talvez por isso uma máquina quebrada sempre me deixa um pouco triste, porque não é capaz de fazer o que era para fazer... Talvez seja o mesmo com as pessoas. Se você perder o seu propósito... É como se estivesse quebrado".
Esta é a minha parte preferida do filme que acabei vendo apenas hoje: "A Invenção de Hugo Cabret", baseado no livro de Brian Selznick, que foi adaptado ao cinema por John Logan, para a direção de Martin Scorsese, em 2011.  O filme faz uma fantástica homenagem à história do cinema, lembrando os irmãos Lumière, que inventaram o cinema em 1892.  Enquanto os Lumiére apenas filmavam cenas do quotidiano, como se fossem jornalistas fotográficos, Georges Méliès (1861-1938), anteriormente mágico, trouxe a magia e a fantasia ao cinema, inventando os efeitos especiais em 1896.  A Invenção de Hugo Cabret cita pelo menos 11 de seus curtas, incluindo o magnífico "Viagem à Lua" (Le Voyage dans la Lune, 1902).  Também faz menção a filmes antológicos, como "O Garoto" (The Kid, 1921), do Charles Chaplin; "O Homem Mosca" (Safety Last!, 1923), de Fred Newmeyer e Sam Taylor; e "General" (The General, 1926), de Buster Keaton.


Para quem não conhece Scorsese, ele dirigiu muitos excelentes filmes, entre os quais:

  • "Ilha do Medo" (Shutter Island, 2010), do livro do Dennis Lehane, com Leonardo DiCaprio.
  • "Os Infiltrados" (The Departed, 2006), com Leonardo DiCaprio e Jack Nicholson.
  • "Cassino" (Casino, 1995), do livro de Nicholas Pileggi, com Robert De Niro e Joe Pesci.
  • "Os Bons Companheiros" (Goodfellas, 1990), do livro de Nicholas Pileggi, com Robert De Niro e Joe Pesci.
  • "Touro Indomável" (Raging Bull, 1980), do livro de Jake LaMotta, com Robert De Niro e Joe Pesci.
  • "Taxi Driver" (Taxi Driver, 1976), do Paul Schrader, com Robert De Niro e Jodie Foster.


sábado, novembro 02, 2013

Gravidade

Gravidade é um filme de ficção científica com um pouco de drama e certo suspense, dirigido pelo mexicano Alfonso Cuarón com roteiro dele próprio e do filho Jonás com participação de George Clooney.  Clooney interpreta o veterano astronauta Matt Kowalsky no comando de seu último voo antes de se aposentar.  A principal personagem é a doutora Ryan Stone (Sandra Bullock), brilhante engenheira e médica, em sua primeira missão espacial, que é consertar o telescópio Hubble.
As imagens da Terra vista do espaço são espetaculares.  Cuarón, mais do que sempre, move alucinadamente suas câmeras em diversos ângulos e com tomadas contínuas, longas e misturadas digitalmente.  É um filme relativamente barato, com praticamente apenas dois atores, e quase inteiramente baseado em computação gráfica.
O suspense começa quando a missão é abortada devido à iminente colisão dos destroços de um satélite abatido por um míssil russo, que resulta na destruição da nave.  Ryan e Matt, como únicos sobreviventes, tentam chegar a uma nave russa para poderem retornar à Terra.
O drama fica por conta do passado de Ryan, que perdeu uma filha e agora tenta sobreviver, com a ajuda do experiente e espirituoso colega, Matt.
O roteiro não justifica nenhuma comparação a “2001 – Uma Odisseia no Espaço (2001: A Space Odyssey, 1968) do Stanley Kubrick. Mas tecnicamente é quase perfeito, exceto por pequenos deslizes que não comprometem o resultado. E, sem dúvida, é muito melhor do que o filme que, segundo “conspiradores”, foi dirigido por ele no ano seguinte mostrando o “primeiro pouso do homem na Lua”. Claro, duvidar desse “pequeno passo para o homem e grande salto para a humanidade” é praticamente um sacrilégio para quem acredita piamente no quarto poder (a mídia manipuladora e golpista). Sobre a alunissagem, pessoalmente prefiro “Viagem à Lua” (Le voyage dans la lune, 1902) do Georges Méliès.

domingo, outubro 13, 2013

O Cremador

Karl Kopfrkingl (Rudolf Hrusínský) dirige um crematório em Praga, na Tchecoslováquia ocupada pelos nazistas, em 1930.   Ele é um perfeccionista, obcecado pela religião tibetana, defensor da cremação dos cadáveres para libertar e purificar a alma dos mortos.  Ao reencontrar o nazista Reineke, com quem ele tinha lutado pela Áustria na Primeira Guerra Mundial, Karl é levado a crer que tem sangue alemão e por isso deve enviar seu filho para uma escola alemã.  Depois Reineke o convence de que sua esposa é meio judia e, portanto, seus filhos também são judeus.  No contexto da radicalização política e da morte do Dalai Lama, Karl enlouquece e mata a esposa e o filho, mas falha ao tentar matar a filha.
O filme, dirigido por Juraj Herz em 1969, com roteiro dele mesmo e do autor Ladislav Fuks, tem cerca de uma hora e meia.  Confesso que achei bem chata a primeira hora, ao vê-lo pela primeira vez, mas o último terço ganha mais ação e o filme se torna inesquecível.   Em branco e preto, e com uma bela música, virou cult após vinte anos de proibição, sendo considerado um dos melhores filmes tchecos.  É meio expressionista, humor negro, sombrio, carregado.  Lembra Friedrich Murnau, Robert Wiene, Fritz Lang e até Nietzsche e Freud.

sábado, setembro 28, 2013

The Last Of Us

Ao lado de “Grand Theft Auto V” e “Bioshock Infinite”, “The Last Of Us” é um dos melhores videogames do ano para PlayStation 3.  Seu criador é Neil Druckmann, o mesmo de “Uncharted: Drake's Fortune” (2007) e “Uncharted 2: Among Thieves” (2009).  Aliás, o “engine” do game também é o mesmo.  Um resumo conforme o IMDb seria o seguinte: depois de 20 anos que uma pandemia mudou radicalmente a civilização conhecida, seres humanos estão à solta e sobreviventes se matam uns aos outros, por comida, armas ou qualquer coisa útil.  Joel é contratado para tirar uma menina de 14 anos, Ellie, de uma opressiva zona militar de quarentena.  Mas o que começa como uma simples missão logo se transforma numa campanha brutal pelo interior dos Estados Unidos.

O jogo faz uma inteligente associação entre o herói masculino e adulto Joel, cuja voz é de Troy Baker, e a heroína feminina, a mocinha Ellie, cuja voz é de Ashley Johnson.  Eles se revezam no protagonismo durante as quatro estações do ano.  Troy Baker é figurinha carimbada em séries de TV e diversos videogames como “Batman: Arkham City” (2011), “BioShock Infinite” (2013) e “Call of Duty: Modern Warfare 2” (2009). Ashley Johnson participou em séries de TV e filmes como “The Avengers - Os Vingadores” (2012) e “The Help” (Histórias Cruzadas, 2011).

O jogo é muito bom e já entrou para a galeria dos melhores de todos os tempos e de todas as plataformas, como "Super Mario”, “The Legend of Zelda”, “GTA”, “Uncharted”, “Half Life” e “Resident Evil”.


domingo, agosto 18, 2013

Santiago

Santiago, capital e maior cidade do Chile, situa-se no vale central ao lado da Cordilheira dos Andes. Tem cerca de seis milhões de habitantes, considerando a região metropolitana, mas é a terceira capital latino-americana com melhor qualidade de vida.  Chamam a atenção suas extensas avenidas, algumas com pedágio eletrônico (sem parada) e particularmente o túnel sob o rio Mapocho. Por outro lado as muitas praças fazem da cidade um enorme parque, com muita vegetação e jardins bem cuidados. Em algumas horas de caminhada e com pouco dinheiro no bolso é possível conhecer os principais pontos de atração turística.

A partir do aeroporto, com 6 reais ou 2,5 dólares pode-se pegar um ônibus até a estação de metrô Pajaritos.  De lá, com 3 reais ou 1,3 dólares (dependendo do horário), pode ir até a estação Santa Lúcia.  Além do Arquivo e da Biblioteca nacionais, o mais importante é conhecer o Cerro Santa Lúcia, onde foi fundada a cidade em 1541 por Pedro de Valdívia e de onde se tem uma vista muito bonita da cidade e da cordilheira – veja a foto.  Dali a quatro quadras está a Plaza de Armas, o atual marco zero da cidade, com a Catedral, o prédio do Correio e o Museu Histórico.  Mais quatro quadras e você pode visitar o Mercado Central.  Lá a comida é ótima, mas cara porque é para turistas.   Para comer, prefira o AquiEstáCoco, no bairro da Providência. Lá em frente está o Cerro de San Cristóbal, que inclui parque zoológico e botânico.  Na volta, conheça o Palácio de la Moneda e a Bolsa, passando por um dos muitos “café com piernas”, que contradizem a cultura conservadora tradicional do país.
Santiago é uma cidade quase duas vezes e meia menor do que São Paulo.  Nos horários de pico, lembra São Paulo quanto aos congestionamentos e a lotação no metrô. No entanto, seu metrô, que é um ano mais novo e também possui cinco linhas, é o maior da América do Sul e segundo da América Latina (atrás do México) com 108 estações e 103 km de extensão.  O nosso possui 64 estações e 74 km de extensão, cuja maior parte foi inaugurada sob os governos conservadores da ARENA (hoje DEM + PSD), do PTB e do PMDB em 20 anos. Nos últimos 19 anos de governo do PSDB foi inaugurada a menor parte, inclusive as linhas de menor bitola e mais lentas.  A expansão do metrô não acompanhou o crescimento da cidade e as estações estão cada vez mais superlotadas.  Coincidentemente, em 2008, no governo Çerra, surgiram as primeiras denúncias do propinoduto tucano, atualmente conhecido por trensalão.

domingo, agosto 11, 2013

Veja e Época: Jornalismo Wando

O jornalismo de nossas revistas semanais é completamente previsível. Toda semana é igual: Veja e Época de um lado, o lado da direita; e CartaCapital e IstoÉ, do outro lado, o lado do centro - ou às vezes, da centro-esquerda.  Basta examinar as capas, que antecipam as matérias principais.
Esta semana está particularmente interessante.  IstoÉ afirma que os governadores tucanos já sabiam, ou seja, foram alertados sobre as irregularidades no metrô e nos trens.  Veja, cinicamente, mente mais uma vez ao dizer que há indícios mas não provas do trensalão tucano.  Aí, de repente, Época sai para vingar a direita cambaleante com uma matéria feita às pressas pelo mesmo parajornalista que caluniou Erenice Guerra na Veja, alegando que houve propina na Petrobrás para o PMDB e a campanha da Dilma.
Novamente, fica bem claro o engajamento da mídia, principalmente às vésperas das eleições.  A direita está desesperada porque tem certeza de mais uma derrota nas eleições do ano que vem.  Dilma pode vencer já no primeiro turno.  A oposição, nau sem rumo, está sem opções.  Aébrio Never, o cambaleante playboy que é senador por Minas Gerais mas vive nas baladas do Rio de Janeiro, não tem chance, já que é boicotado por seu amigo Zé Chirico Çerra, o nosso vampiro paulista.  Joaquim Batman, o herói dos coxinhas do Faceboook e do Twitter, terá a cara de pau de sair candidato depois de dizer que o Brasil só tem partidos de mentirinha? E a Blablarina, que se converteu ao fundamentalismo pentecostal e virou amiga dos pastores Feliciano e Malafaia, ainda não conseguiu emplacar seu partido, embora seja a preferida dos reacionários metidos a bacanas.
Além das revistas, os jornalões Estado e Folha continuam fingindo-se de apartidários, independentes, isentos e plurais.  O mesmo se passa com as rádios, como a Jovem Pan AM, a Estadão e a CBN.  A TV aberta é um lixo completo - a exceção é a Cultura, que está sendo destruída pelo PSDB paulista. Conclusão: o quinto poder tem opção preferencial pelos ricos e tem apenas um objetivo: fazer o papel da oposição e manipular o povo.  Mas, será que ainda há quem acredite em nossa mídia golpista, torpe e indecente?


domingo, junho 23, 2013

As manifestações Brasil afora e o ovo da serpente

Tudo começou quando estado e prefeitura resolveram aumentar as passagens do transporte público em R$ 0,20.   A moçada do Movimento Passe Livre saiu às ruas para protestar.  A mídia golpista criticou e comparou a manifestação às ações do PCC, sugerindo ao governo do estado a repressão brutal, típica da “jestão” demotucana.  Depois, Jabor confessou cinicamente ser um “lacaio da direita fascista”.   Nesse momento a direita entendeu que devia pegar carona nas manifestações legítimas do MPL e incluir sua agenda conservadora através dos “coxinhas” que vivem conectados às redes sociais.  A direita tem certeza de que, pelas vias normais, isto é, pelo voto popular e democrático, vai perder as eleições no ano que vem.  E avalia corretamente que sua única chance seria pela instauração do caos e consequente comoção popular.  Seria então a reprise de 1964, cinquenta anos depois.  Com a revogação do aumento, os jovens resolveram comemorar a vitória e sair das ruas em seguida, continuando a luta da Tarifa Zero por vias democráticas.  Essa é uma ação de inclusão social que não interessa à direita.  Os infiltrados insistem em continuar as manifestações com uma pauta no estilo “contra tudo e contra todos”, em que se veem propostas de cassar mandatos, extinguir partidos, impedir a votação da PEC 37 e uma série de reivindicações desconexas.  Ao final das passeatas, marginais de toda espécie, incluindo aquele animal que depredou a prefeitura em São Paulo, partem para a violência, o vandalismo, a destruição do patrimônio público e privado, além dos saques.  É o caos que a direita precisa.
O próximo passo será exigir uma ação preventiva e corretiva mais aguda, para em seguida propor a troca da liberdade pela segurança – a exemplo do presidente americano, que prometeu fechar Guantánamo, mas prefere usar drones para assassinar inimigos e quem estiver por perto, além de instaurar uma vigilância na internet nos moldes do Big Brother de George Orwell.  Agora uma versão da Ku Klux Klan faz a cabeça vazia de milhares de vaquinhas de presépio, zumbis, walking dead, marias-vão-com-as-outras, massa de manobra da direita nazifascista.  Tudo isso em plena Copa das Confederações, para envergonhar o país e arranhar a popularidade da presidenta.  Parte desse objetivo já foi alcançada: diminui a aprovação da Dilma e pode haver dificuldade para sua vitória já no primeiro turno das eleições de 2014, situação em que a direita jogaria todas as suas fichas no segundo turno, apelando para todas as baixarias possíveis e inimagináveis, a exemplo da campanha do Zé Chirico Çerra em 2010.
Quem conhece a História sabe o significado desse momento, que é de preocupação, apreensão.  Nós, verdadeiros democratas, devemos evitar que este ovo da serpente seja chocado.   Não queremos ditadura nenhuma.  Nunca mais. 

domingo, junho 02, 2013

Coma

É o nome do filme de ficção científica, mistério e suspense que Michael Crichton escreveu e dirigiu em 1978.  A doutora Susan Wheeler (Geneviève Bujold) fica intrigada ao notar que uma série de comas acontece no ótimo hospital em que ela faz residência.  Ao descobrir que se trata de uma conspiração para tráfico de órgãos, ela própria se torna o próximo alvo de uma quadrilha de médicos.  Esse é o sexto filme, entre mais de quarenta, estrelado por Michael Douglas, que vive o Dr. Mark Bellows, médico também residente, namorado de Susan.   Crichton, por ser médico, criou a série “Plantão Médico” (ER, 1994-2009) e também escreveu “O Enigma de Andrômeda” (1971), “Twister” (1996) e os filmes da série “Jurassic Park” (1993, 1997 e 2001).
Por coincidência, na mesma semana em que revi esse ótimo filme, eu tive a oportunidade de passar pelo Pronto Socorro ligado a meu plano de saúde e passar posteriormente por uma consulta médica um tanto incomum (espero).  O atendimento do PS foi bom.  Mas a consulta... Você pode não acreditar, mas o médico nem chegou perto de mim.  Não mediu pressão, nem me auscultou, procedimentos usuais mesmo naquelas consultas que duram 5 minutos e em que o médico mal olha em nossa cara.  A porta ficou aberta e o médico saiu enquanto uma assistente, que ficou comigo o tempo todo (10 minutos?) no consultório, escrevia as prescrições de uma meia dúzia de exames.  Esse foi um de vários médicos que, em São Bernardo, têm dois preços de consulta: com recibo, e sem recibo (mais barato).  Fico pensando se devo levar estes fatos ao Conselho Regional de Medicina.  Será que adiantaria alguma coisa? Afinal o corporativismo deles está mais preocupado com a importação de médicos estrangeiros.  A propósito, está “mais fácil achar ouro que médico”, como disse o diretor do Hospital do Câncer de Barretos: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2013/06/1288542-mais-facil-achar-ouro-que-medico-diz-chefe-de-hospital-do-cancer.shtml.
Muitos médicos e planos de saúde privados trocaram o Juramento de Hipócrates pela ganância e pelo enriquecimento criminoso.  Quem não se lembra de Roger Abdelmasih, que recebeu habeas corpus de Gilmar Mendes e agora é procurado pela Interpol?  Enquanto isso a direita critica o nosso SUS e acusa Obama de implantar o socialismo porque ele aprovou o PPACA (Patient Protection and Affordable Care Act), apelidado de Obamacare, plano para assegurar seguro de saúde a milhões de norte-americanos abandonados à própria sorte – cerca de 15% já estavam abaixo da linha da pobreza em 2010 (https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/fields/print_2046.html).

sábado, abril 13, 2013

Veja e Época pisaram no tomate


Não, não posso acreditar em meus olhos! Isso foi o que primeiro veio à minha mente quando vi a capa da Veja.  Ao me recuperar do choque, raciocinei: a mídia golpista, de braços dados com a oposição, virou mesmo uma nau sem rumo.  Estão sem assunto, sem programa, sem proposta.  Correção: a proposta deles é o aumento dos juros e do desemprego.  O tomate, ou seu preço sazonal, levado à capa da Época e da Veja só confirma a orquestração dos conservadores.  Será que um dia esses veículos deixarão de fazer propaganda partidária e ideológica para fazer jornalismo?  É inacreditável que eles tenham perdido tanto a vergonha e a noção.  É por isso que são chamados de PiG, partido da imprensa (e mídia) golpista.  Será que alguém ainda leva a sério esses pasquins fascistas?  É preciso ser muito ingênuo e mal informado para imaginar que Veja e Época possam ter ainda alguma credibilidade, na remota hipótese de que um dia tiveram tal qualidade típica do bom jornalismo.  É claro que isenção, pluralidade, independência e apartidarismo a Globo e a Abril nunca tiveram.   Os reacionários nem precisam nos rotular de contrários à liberdade de imprensa porque nós não vamos exigir o controle dessa imprensa literalmente vendida.  É bom que essa gente possa perder a vergonha e se expor cada vez mais.  Assim a gente fica sabendo quem é quem.  O Estadão, por exemplo, tem o mérito de se assumir conservador.  Essa transparência, infelizmente, ainda falta à Folha e à Globo. Como o melhor controle parece mesmo ser o remoto, nós apenas não vamos mais comprar essas revistas e jornais, nem ver esses canais de TV e nem ouvir essas rádios.  Vamos cancelar as assinaturas e procurar alternativas mais decentes na Internet.  Como disse a presidenta, é sempre preferível o ruído da imprensa livre ao silêncio da ditadura.

segunda-feira, abril 01, 2013

Golpe de 1964

Hoje a quartelada de 1964 faz 49 anos. Aquele primeiro de abril durou 21 anos. E foi apoiado politicamente pela ARENA, que mudou de nome como se troca de camisa: PDS, PFL, DEM, para resumir. Hoje uma dissidência deles se chama PSD, referência aos tempos em que a maioria deles militava na UDN. O golpe teve apoio de outros segmentos da sociedade, como a Igreja, a classe média conservadora, empresários da FIESP e intelectuais que hoje colaboram com o Instituto Millenium, sem mencionar os jornais Folha de S.Paulo e O Globo. Infelizmente alguns que combateram o regime fascista viraram casaca e hoje caminham junto aos golpistas, como é o caso de uma parcela do PSDB. Exemplo: serristas como o senador Aloysio Nunes, que segundo os sites de direita, foi motorista e guarda-costas do Marighella.  Por isso é muito importante conhecer o passado recente de nossa história e a biografia dos políticos que elegemos a cada 4 anos, sem se deixar levar pelo discurso ou pelos nomes que os partidos adotam.  Como sabemos, o DEM não tem nada de democrata, exceto pelo nome.  É o partido da direita, conservadora e reacionária, que "legitimou" o golpe militar ao longo daqueles 21 anos de trevas.  É preciso prestar atenção a seus companheiros do PSDB e do PPS, ex-Partidão - esse era o apelido do PCB, Partido Comunista Brasileiro, tomado por vira-casacas como Roberto Freire.

sábado, março 09, 2013

Veja: Imprensa Marrom


Antes de ontem eu "profetizei" que aquela revistinha panfletária fascista, americanófila e sionista, ia festejar a morte de Hugo Chávez em sua capa semanal.  Bingo! Acertei na mosca.  Claro, essa gente que deixou de fazer jornalismo há muito - mas há muito mesmo - tempo, ia deixar escapar a oportunidade para seguir fazendo política partidária e ideológica? Olha a prova aí:




A capa do pasquim semanal continua igual: como a Fox do Murdoch, que o tempo todo fala mal do Obama, a Veja é porta-voz dos derrotados que esperneiam contra o PT, Lula e Dilma.  Não há capa que não critique direta ou indiretamente, nem que seja em uma linha em letra menor, o atual governo, que tanto desagrada os conservadores e reacionários.  Tudo bem.  De fato, é preferível o barulho da imprensa livre ao silêncio das ditaduras.  E o melhor controle de qualidade é o controle remoto.  No entanto, é necessário democratizar a liberdade de expressão.  Por que meia dúzia de famiglias detém toda a mídia no Brasil?

quarta-feira, fevereiro 13, 2013

Puerto Madryn


Cheguei a Puerto Madryn cerca de meia noite, após uma hora de ônibus a partir do aeroporto de Trelew.  O objetivo central era conhecer a Península Valdés (77 km de Puerto Madryn) e ver pertinho, ao natural, focas, lobos, leões e elefantes marinhos.  Infelizmente, para ver as orcas, que são golfinhos, só de fevereiro a maio.  E as baleias francas, de maio a dezembro.  Fica para a próxima vez.
No aeroporto de Trelew há um painel referente a escavações paleontológicas (ver foto), que provavelmente deixaria um criacionista contrariado.  É um convite para se visitar o Museo Paleontológico Egidio Feruglio.
Puerto Madryn, na província de Chubut, é considerada a porta de entrada da Patagônia e a capital argentina do mergulho.  Fica no Golfo Nuevo, entre a Península Valdés e a Punta Ninfas.  Das muitas atrações, destaco o Museo del Desembarco, em Punta Cuevas – aonde chegaram os galeses em 1865, e o Ecocentro, no caminho a Punta Loma.


quinta-feira, fevereiro 07, 2013

Django Livre

“Django Livre” (Django Unchained, 2012) é o oitavo filme de longa metragem de Tarantino, como único diretor.  Não é seu melhor filme, que em minha opinião é Pulp Fiction (1994) e Kill Bill (volumes 1 e 2, 2003-2004), mas é ótimo, acima da média do atual cinema americano.  O nome se refere a um escravo (Jamie Foxx) cuja obsessão é reencontrar a esposa Broomhilda von Schaft (Kerry Washington), escrava que sabia falar alemão.  Por acaso, ele é comprado por um caçador de recompensas, o alemão Dr. King Schultz (o praticamente perfeito ator Christoph Waltz).  O doutor, que detesta a escravidão, faz um trato com Django: libertá-lo caso este o ajude a encontrar três foragidos com cabeça a prêmio.  Cumpre o trato e propõe que ganhem algum dinheiro juntos, atuando como caçadores de recompensa para em seguida encontrar e comprar a liberdade da moça.  Tudo se complica porque ela, ainda escrava, agora vive na fazenda Candilândia, propriedade do cruel Calvin Candie (Leonardo DiCaprio).  O filme lembra “Django”, dirigido por Sergio Corbucci em 1966 e estrelado por Franco Nero, que faz uma ponta no filme do Tarantino, homenageando o “western spaghetti” de Sergio Leone e outros.  Também faz referência ao cinema blaxploitation.  Como sempre, Tarantino faz diversas referências ao longo de todos seus filmes.
Há diversas críticas e resenhas desse filme.  Portanto, não quero aqui fazer mais uma.  Destaco apenas algumas observações.
·         A cena em que o fazendeiro, empregador dos três foragidos mortos por Django e Schultz, persegue os dois nos moldes da Ku Klux Klan é hilária, e faz do filme uma crítica ao racismo (e não o contrário, como disse Spike Lee).

·         É muito interessante a tentativa do fazendeiro Calvin de explicar por que o negro é inferior com base na frenologia.  A gente lembra na hora do espiritismo de Allan Kardec – ver http://www.espirito.org.br/portal/codificacao/re/1862/04a-frenologia.html.  E também do Serra – ver http://maureliomello.blogspot.com.br/2012/10/serra-quer-usar-frenologia-para.html.

·         O escravo Stephen (Samuel L. Jackson) me faz lembrar muita gente que tem vergonha da própria origem, submete-se a um processo de completa aculturação, e torna-se uma espécie de traidor, quinta-coluna, pelego e lambe-botas do sinhozinho branco de olhos azuis.

terça-feira, janeiro 01, 2013

Rádio Velha Pan AM


Sou, ou melhor, fui ouvinte de longa data, mas hoje não consigo mais ouvir em especial o Jornal da Manhã.  Ultimamente dois apresentadores não se limitam a ler as notícias previamente escolhidas.  Eles as interpretam com diferentes entonações, geralmente em tom irônico ou até mesmo sarcástico, demonstrando reprovação ou desprezo aos poderes legislativo e executivo.  Como ouvinte, preferia que eles se detivessem aos fatos, já que não quero saber a opinião deles e da rádio.  Sei que seria demais pedir que a rádio não escolhesse as notícias, não manipulasse os fatos.  Mas ao menos deveria separar fatos e opiniões.   A opinião deveria ficar restrita ao editorial.  Creio que essa é a forma adequada ao bom jornalismo.
Não peço isenção, pluralidade, independência e apartidarismo.  Claro que isso não é possível com a equipe de comentaristas que têm à disposição o microfone da rádio.  Se prestarmos atenção a eles e especialmente o pessoal da Linha De Trás, veremos gente que despreza o Islão, gente ligada à ditadura militar, à Opus Dei, ao Instituto Millenium e ao PSDB.  Assim fica evidente a opção política, filosófica e religiosa da emissora.  Não vejo nenhum problema se a rádio se assumisse católica, conservadora e de direita.  Seria mais transparente.  É justo que a rádio busque e fale a seu público, a parcela da sociedade que pensa de forma semelhante.  Mas definitivamente não convém misturar fato e opinião.  A consequência desse erro é perder audiência, o que não deve estar nos planos de onipresença nacional da empresa.

Mídia golpista hoje

Domingo é dia de folhear os jornalões e tentar entender o que a máfia dos barões da mídia está querendo que a gente acredite. O Globo, en...