domingo, junho 23, 2013

As manifestações Brasil afora e o ovo da serpente

Tudo começou quando estado e prefeitura resolveram aumentar as passagens do transporte público em R$ 0,20.   A moçada do Movimento Passe Livre saiu às ruas para protestar.  A mídia golpista criticou e comparou a manifestação às ações do PCC, sugerindo ao governo do estado a repressão brutal, típica da “jestão” demotucana.  Depois, Jabor confessou cinicamente ser um “lacaio da direita fascista”.   Nesse momento a direita entendeu que devia pegar carona nas manifestações legítimas do MPL e incluir sua agenda conservadora através dos “coxinhas” que vivem conectados às redes sociais.  A direita tem certeza de que, pelas vias normais, isto é, pelo voto popular e democrático, vai perder as eleições no ano que vem.  E avalia corretamente que sua única chance seria pela instauração do caos e consequente comoção popular.  Seria então a reprise de 1964, cinquenta anos depois.  Com a revogação do aumento, os jovens resolveram comemorar a vitória e sair das ruas em seguida, continuando a luta da Tarifa Zero por vias democráticas.  Essa é uma ação de inclusão social que não interessa à direita.  Os infiltrados insistem em continuar as manifestações com uma pauta no estilo “contra tudo e contra todos”, em que se veem propostas de cassar mandatos, extinguir partidos, impedir a votação da PEC 37 e uma série de reivindicações desconexas.  Ao final das passeatas, marginais de toda espécie, incluindo aquele animal que depredou a prefeitura em São Paulo, partem para a violência, o vandalismo, a destruição do patrimônio público e privado, além dos saques.  É o caos que a direita precisa.
O próximo passo será exigir uma ação preventiva e corretiva mais aguda, para em seguida propor a troca da liberdade pela segurança – a exemplo do presidente americano, que prometeu fechar Guantánamo, mas prefere usar drones para assassinar inimigos e quem estiver por perto, além de instaurar uma vigilância na internet nos moldes do Big Brother de George Orwell.  Agora uma versão da Ku Klux Klan faz a cabeça vazia de milhares de vaquinhas de presépio, zumbis, walking dead, marias-vão-com-as-outras, massa de manobra da direita nazifascista.  Tudo isso em plena Copa das Confederações, para envergonhar o país e arranhar a popularidade da presidenta.  Parte desse objetivo já foi alcançada: diminui a aprovação da Dilma e pode haver dificuldade para sua vitória já no primeiro turno das eleições de 2014, situação em que a direita jogaria todas as suas fichas no segundo turno, apelando para todas as baixarias possíveis e inimagináveis, a exemplo da campanha do Zé Chirico Çerra em 2010.
Quem conhece a História sabe o significado desse momento, que é de preocupação, apreensão.  Nós, verdadeiros democratas, devemos evitar que este ovo da serpente seja chocado.   Não queremos ditadura nenhuma.  Nunca mais. 

domingo, junho 02, 2013

Coma

É o nome do filme de ficção científica, mistério e suspense que Michael Crichton escreveu e dirigiu em 1978.  A doutora Susan Wheeler (Geneviève Bujold) fica intrigada ao notar que uma série de comas acontece no ótimo hospital em que ela faz residência.  Ao descobrir que se trata de uma conspiração para tráfico de órgãos, ela própria se torna o próximo alvo de uma quadrilha de médicos.  Esse é o sexto filme, entre mais de quarenta, estrelado por Michael Douglas, que vive o Dr. Mark Bellows, médico também residente, namorado de Susan.   Crichton, por ser médico, criou a série “Plantão Médico” (ER, 1994-2009) e também escreveu “O Enigma de Andrômeda” (1971), “Twister” (1996) e os filmes da série “Jurassic Park” (1993, 1997 e 2001).
Por coincidência, na mesma semana em que revi esse ótimo filme, eu tive a oportunidade de passar pelo Pronto Socorro ligado a meu plano de saúde e passar posteriormente por uma consulta médica um tanto incomum (espero).  O atendimento do PS foi bom.  Mas a consulta... Você pode não acreditar, mas o médico nem chegou perto de mim.  Não mediu pressão, nem me auscultou, procedimentos usuais mesmo naquelas consultas que duram 5 minutos e em que o médico mal olha em nossa cara.  A porta ficou aberta e o médico saiu enquanto uma assistente, que ficou comigo o tempo todo (10 minutos?) no consultório, escrevia as prescrições de uma meia dúzia de exames.  Esse foi um de vários médicos que, em São Bernardo, têm dois preços de consulta: com recibo, e sem recibo (mais barato).  Fico pensando se devo levar estes fatos ao Conselho Regional de Medicina.  Será que adiantaria alguma coisa? Afinal o corporativismo deles está mais preocupado com a importação de médicos estrangeiros.  A propósito, está “mais fácil achar ouro que médico”, como disse o diretor do Hospital do Câncer de Barretos: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2013/06/1288542-mais-facil-achar-ouro-que-medico-diz-chefe-de-hospital-do-cancer.shtml.
Muitos médicos e planos de saúde privados trocaram o Juramento de Hipócrates pela ganância e pelo enriquecimento criminoso.  Quem não se lembra de Roger Abdelmasih, que recebeu habeas corpus de Gilmar Mendes e agora é procurado pela Interpol?  Enquanto isso a direita critica o nosso SUS e acusa Obama de implantar o socialismo porque ele aprovou o PPACA (Patient Protection and Affordable Care Act), apelidado de Obamacare, plano para assegurar seguro de saúde a milhões de norte-americanos abandonados à própria sorte – cerca de 15% já estavam abaixo da linha da pobreza em 2010 (https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/fields/print_2046.html).