segunda-feira, dezembro 30, 2013

Diário de bordo - El Calafate - Dia 1

Após 3 horas de voo e menos 20°C, chegamos. E, junto, a fome. Explicando a diferença de temperatura: às 5 da manhã já estava 31°C em Buenos Aires.  Em El Calafate, 11°C às 11h30.  Por US$ 20 uma van nos deixa no hotel. O Edenia fica a 10 minutos do centro, talvez uns 10 km, num lugar elevado chamado Punta Soberana, bem na frente da Isla Solitaria, com uma bela vista do Lago Argentino e da cidade. O conforto compensa a distância e o isolamento. Como o quarto não estava pronto, fomos ao centro utilizando o shuttle service - uma van que sai e volta a cada hora. No centro, que praticamente se resume à Avenida del Libertador General San Martin, a opção do dia foi a pizzaria La Lechuza, com Wi-Fi e diversos pratos em um ambiente aconchegante.

terça-feira, dezembro 24, 2013

As redes sociais e as pessoas

O Facebook, como o Orkut, reúne familiares, parentes, amigos, colegas e conhecidos, da escola, do trabalho, da igreja, do bar, do clube, do time, do condomínio, do sindicato, do partido etc. Como no dia a dia, a maioria dessas pessoas curte, comenta e compartilha amenidades sobre pessoas e acontecimentos, de forma superficial, e raríssimamente ideias. Mas é um meio interessante de se conhecer melhor as pessoas através daquilo que elas escolhem curtir, comentar e compartilhar.  A má notícia é que mesmo pessoas formalmente educadas demonstram preocupante falta de cultura, educação, e civilidade.  Veem-se apenas formas e aparências, mas pouco ou nenhum conteúdo.  Como diziam meus avós: por fora, bela viola; por dentro, pão bolorento.  No interior dessas pessoas há apenas um vazio, ou talvez um senso comum, vulgar, oriundo de bate-papos, fofocas, boatos, spams, e da mídia que, literalmente, faz a cabeça das pessoas com publicidade e propaganda de toda sorte.  Fazendo referência a Gibran Khalil Gibran, em “O Profeta”, poderíamos dizer que as nossas escolhas e ideias não são nossas, elas vêm através de nós, mas não de nós; embora vivam conosco, não nos pertencem.  As pessoas que não têm senso crítico simplesmente aceitam e reproduzem determinadas ideias, assim como aqueles que mal leem o spam que recebem e já o encaminham a todos, sem refletir sequer um segundo sobre seu conteúdo, sua origem, seu significado e seu propósito.  São os zumbis, walking dead, vaquinhas de presépio, Marias vão com as outras, alienados, manipulados, feitos gado no curral e massa de manobra.  No entanto, com frequência essas pessoas, como se diz popularmente, “se acham e não perdem uma oportunidade para aparecer e causar”, isto é, têm elevada autoestima e adoram a berlinda, os holofotes e os quinze minutos de fama.  Falta-lhes a percepção da inconveniência.  Decididamente, não acreditam que “é melhor calar e deixar que os outros pensem que você é um idiota do que falar e acabar com toda a dúvida”.  Não sei por que se atribui essa frase a Abraham Lincoln, quando sua origem está nos Provérbios de Salomão.
 
A maioria das pessoas que conheço do Facebook é alienada, desinformada ou mal informada.  Não cito nomes, mas o exemplo que mais me chamou a atenção foi o de uma pessoa jovem que em 2010 me disse que não ia votar na Dilma para presidente porque ela teria sido terrorista, mas votou no motorista e guarda-costas do Marighella para senador (o vira-casaca Aloysio Nunes).  Este, sem dúvida, é o melhor, ou pior, exemplo de ignorância, para não falar de hipocrisia e cinismo.  Aquela pessoa sabe de cor a escalação de seu time preferido, está “por dentro” da vida de todas as celebridades, acompanha todas as novelas, reality-shows, programas humorísticos e esportivos na “melhor” emissora.  Adora TV, e detesta livros.
O Twitter, por outro lado, além de nos propiciar informação em tempo real, facilita a interação com pessoas virtualmente inacessíveis por outros meios e que frequentemente têm para compartilhar ideias baseadas em real conhecimento filosófico, político ou religioso.

O Facebook e o Twitter são ferramentas estratégicas de comunicação que nos propiciam liberdade de expressão e independência da mídia dominante. 

domingo, dezembro 22, 2013

A Nova Onda Iraniana

O diretor Asghar Farhadi é representante da terceira geração do New Wave iraniano, cinema de arte neorrealista e minimalista, vencedor de vários prêmios: Urso de Prata de Berlim em 2009 como melhor diretor com “À Procura de Elly” (Darbareye Elly>, 2009); Urso de Ouro de Berlim em 2011, Globo de Ouro de melhor filme em língua estrangeira e Oscar de melhor filme estrangeiro do ano em 2012 com o filme “A Separação” ( Jodaeiye Nader az Simin, 2011).  Seu último filme, “O Passado” (Le Passé, 2013), foi indicado para o próximo Globo de Ouro.  Nele, Bérénice Bejo, a portenha que interpreta Marie Brisson, ganhou o prêmio de melhor atriz no Festival do Filme de Cannes.  Ela também foi a fã entusiasmada Peppy Miller de “O Artista” (The Artist, 2011), escrito e dirigido pelo francês Michel Hazanavicius.
Se você curte arte cinematográfica, prepare a pipoca, o guaraná e o sofá.

sexta-feira, dezembro 06, 2013

Goodbye, Madiba!

Todo mundo se manifestou sobre a morte de Nelson Mandela, que liderou o Congresso Nacional Africano, partido afiliado à Internacional Socialista, na luta contra o regime de apartheid, até ser eleito presidente da África do Sul em 1994, após ter ficado 27 anos na cadeia. Mandela e seu partido permaneceram na lista americana de suspeitos de terrorismo até 2008, quando o mentiroso Bush finalmente assinou uma lei revogando essa estupidez.   Não foram apenas os ianques que apoiavam o regime de segregação racial que durou de 1948 a 1994.  A Inglaterra também.  A dama de ferro, Margaret Thatcher, recusou-se a impor sanções ao regime fascista da África do Sul, junto com Ronald Reagan em 1987.

A nossa mídia golpista, porta-voz da direita, também prestou homenagem a Mandela, cuja foto foi estampada hoje na primeira página da maioria dos jornais.  Até o Qwaack, aquele suposto agente da CIA, que sempre fala mal do Brasil todos os dias à meia-noite no Jornal da Globo, fez menção a Mandela.   Além de direitista, é fanfarrão.  Mas estou curioso mesmo é para ver a próxima capa da Veja, aquele pasquim que pratica jornalismo de latrina.  Afinal, a editora Abril é 30% controlada pelo grupo racista Naspers, imprensa marrom que praticou o mesmo parajornalismo que a Veja tem praticado aqui.  Ou seja, Naspers e Abril abandonaram o jornalismo para se converter em partido político.
Para que os alienados se informem, vejamos a seguir alguns pronunciamentos de Mandela que a direita faz de conta que não existiram.
Sobre um estado palestino: "A ONU tomou uma posição firme contra o apartheid, e ao longo dos anos, um consenso internacional foi construído, o que ajudou a por fim a este sistema iníquo. Mas nós sabemos muito bem que a nossa liberdade é incompleta sem a liberdade dos palestinos”.
Sobre os Estados Unidos e a invasão do Iraque: "Se há um país que cometeu atrocidades indescritíveis no mundo, este é os Estados Unidos da América. Eles não se importam com os seres humanos. Se você olhar para essas questões, você vai chegar à conclusão de que a atitude dos Estados Unidos da América é uma ameaça para a paz mundial. Tudo o que Bush quer é o petróleo iraquiano”.
Sobre Muamar Kadafi, seu apoiador de longa data: "É nosso dever dar apoio ao líder irmão... especialmente no que diz respeito às sanções que não estão atingindo apenas ele, mas as massas comuns do povo... nossos irmãos e irmãs africanos".
Sobre Fidel Castro e a revolução cubana: "Desde seus primeiros dias, a Revolução Cubana também tem sido uma fonte de inspiração para todas as pessoas que amam a liberdade. Admiramos os sacrifícios do povo cubano na manutenção da sua independência e soberania em face da perversa campanha orquestrada pelos imperialistas para destruir o ganho impressionante feito na Revolução Cubana... Viva a Revolução Cubana. Longa vida ao camarada Fidel Castro".
Sobre Israel: “Israel deve se retirar de todas as áreas que tomaram dos árabes em 1967 e, em particular, Israel deve se retirar completamente das Colinas de Golan, do sul do Líbano e da Cisjordânia”.

Vamos esperar então a capa do pasquim sionista para ver até onde vai a hipocrisia da direita.