sábado, fevereiro 21, 2015

American sniper, american islamophobia

Não vou perder meu tempo assistindo à transmissão da festa de entrega do Oscar porque a TV não determina minha agenda de vida. Mas, como eu gosto de cinema, todo ano fico interessado em saber quais filmes estão concorrendo.  Via de regra, assisto a todos exceto o vencedor.  Sim, porque se trata de um prêmio ora político, ora comercial.  Este ano os filmes preferidos da crítica são:
·         "Whiplash: Em Busca da Perfeição”, do Damien Chazelle;
·         Boyhood”, do Richard Linklater;
·         The Imitation Game”, do norueguês Morten Tyldum;
·         Birdman”, do mexicano Alejandro Gonzáles Iñárritu, e
·         The Grand Hotel Budapest”, do Wes Anderson.
No entanto, levando em consideração o nível intelectual do “cristão branco de origem europeia”, o que seria uma atualização da expressão wasp (white anglo saxon protestant), e que se diverte comendo pipoca e tomando Coca-Cola ao ver blockbusters, acho que um azarão vai ganhar a maior parte dos prêmios. Refiro-me ao “American Sniper”, do Clint Eastwood.
Talvez você tenha notado que sempre procuro citar mais o diretor de um filme do que os atores e atrizes.  Penso que o mais importante em um filme é a direção e o roteiro.  Então, para entender um filme é essencial conhecer o autor do roteiro e o diretor, o que eles pensam, em que eles acreditam.
O republicano Clint Eastwood, amigo do Charlton Heston (porta-voz da National Rifle Association), apoiou Nixon, Arnold Schwarzenegger e John McCain/Sarah Palin.  Ela, Sarah, é ídolo do movimento Tea Party, uma espécie de movimento Cansei, Revoltados Online e o partidinho DEM, linha auxiliar do PSDB ao lado do PPS (do quinta-coluna Bob Jetom).  Ele, McCain, apoiou o golpe nazista na Ucrânia ao lado do amigo Oleh Tyahnybok, para quem a Ucrânia tinha sido governada pela “máfia russa e judia” e corria risco de ser tomada por “alemães, judeus e outras escórias”.
Acho que já dá para prever o que é este filme, favorito ao Oscar, em minha opinião.  Pelas críticas que li e compartilho abaixo, já sei que “American Sniper” é uma apologia à violência, ao militarismo, à indústria de armas, à guerra, talvez um pouco pior que “Guerra ao Terror” (Hurt Locker, 2008, Kathryn Bigelow), vencedor do Oscar em 2009.  É baseado no livro do próprio Chris Kyle, personagem central, franco-atirador que matou “em nome de Jesus” mais de 160 pessoas, incluindo civis, mulheres e crianças.  Este psicopata islamofóbico, sádico e covarde, é ‘vendido e comprado’ como herói pela direita americana.  Lembrando bem a TFP (Tradição, Família e Propriedade), as prioridades dele eram, pela ordem, Deus, pátria e família.   Ele assassinava para defender os Estados Unidos dos iraquianos “selvagens”, na luta do bem contra o mal naquela “terra amaldiçoada” que eles invadiram sob o pretexto mentiroso de lá haver armas de destruição em massa. Aliás, a enganação começa ao tentar convencer os desinformados de que os “mocinhos super-heróis do bem” foram ao Iraque para vingar os ataques de 11/9.  O que tem uma coisa a ver com a outra?  Nada.  A não ser para os walking dead das redes sociais, que vão curtir e compartilhar ignorância, preconceito e hipocrisia.
Vínculos com algumas críticas: 

terça-feira, fevereiro 17, 2015

Zuzu Angel


O filme do Sérgio Rezende sobre o drama da famosa estilista cujo filho foi assassinado pelos agentes da ditadura militar, Zuzu Angel (2006), está disponível no YouTube. Sobre a luta dessa mulher contra o regime fascista, compôs Chico Buarque:

Quem é essa mulher
Que canta sempre esse estribilho
Só queria embalar meu filho
Que mora na escuridão do mar
Quem é essa mulher
Que canta sempre esse lamento
Só queria lembrar o tormento
Que fez o meu filho suspirar
Quem é essa mulher
Que canta sempre o mesmo arranjo
Só queria agasalhar meu anjo
E deixar seu corpo descansar
Quem é essa mulher
Que canta como dobra um sino
Queria cantar por meu menino
Que ele já não pode mais cantar

Clique se quiser saber mais sobre mortos e desaparecidos políticos.  É muito importante conhecer o passado. Um povo que não conhece sua história está condenado a repetir os mesmos erros.  Basta ver esses walking dead, manipulados pelos derrotados a fim de um terceiro turno, que pedem o impeachment da presidenta democraticamente eleita e a volta dos militares ao poder.

domingo, fevereiro 15, 2015

Manipulação de mentes


É Carnaval.  Os jornalões estão de ressaca.  As revistonas também.  Nenhuma novidade. Até quarta-feira o esperado é que eles deem um tempo em sua campanha político-eleitoral para tirar o PT da presidência em 2018, já iniciada em 27 de outubro do ano passado.  Parte da mídia, incluindo rádio e TV, já trabalha pelo impeachment da presidenta democraticamente eleita.  Enquanto a extrema direita (fascistas, nazistas, sionistas, integralistas, monarquistas etc.) quer a volta de 1964 com tanques e milicos na rua, a direita civilizada prefere o golpe "paraguaio", isto é, jurídico, como sugeriu o colega do Picolé de Chuchu na Opus Dei, o advogado e jurista Ives Gandra Martins, que tem microfone garantido na rádio Jovem Pan AM.  Leia o que informa o El País ontem: Grito de ‘impeachment’ volta a assombrar a política brasileira. Nas redes sociais a gente já vê a convocação para uma marcha walking dead daqui um mês, enquanto espertalhões já vendem um kit impeachment por R$ 175 e parte da classe média que vai comparecer, principalmente no sul e sudeste, revela todo o seu preconceito contra o Carnaval "por ser festa pagã, de pobre, de negro, de vagabundo". Por outro lado, no Twitter a hash tag #ImpítimanÉmeuzovo, levantada por nordestinos "que não sabem votar", está fazendo sucesso neste Carnaval.  Quem sabe votar deve ser paulista, carioca e mineiro, que elegeram Alckmin, coronel Telhada, Marco Feliciano, Jair Bolsonaro e até o Tiririca, para não falar de certos políticos que perseguem blogueiros.
Da mídia golpista, meu único destaque hoje é a Época, imprensa rosa cada vez mais a cara da Caras, que envergonha uma parte das pessoas de 'indignação seletiva' ao lembrar que bancos internacionais vão devolver R$ 70 milhões à Prefeitura de SãoPaulo por transações com Maluf.  Como se vê, esses bancos honestíssimos preferem entregar os anéis a perder os dedos.
Para finalizar, vamos compartilhar um pouco da mídia alternativa ou "blogs sujos", como diria o Zé Bolinha.  Escolho hoje o DCM, que destaca hábitos e costumes de certa gente boa na matéria: "Abrir empresa em paraíso fiscal faz parte de um velho modus operandi da Globo".  Por falar no assunto, o livro "A História Secreta da Rede Globo" está disponível no site do próprio autor, Daniel Herz. Lembre-se, o melhor momento da história da TV no Brasil está disponível no YouTube, que também mostra um excelente documentário feito pela BBC.



Vamos falar de corrupção?

Não faltaram notícias sobre corrupção nesta quinzena, especialmente nos seguintes países: Nigéria, Quênia, África do Sul, Romênia, Paquis...