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Mostrando postagens de Abril, 2015

A Canção da Estrada

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“A Canção da Estrada” (Pather Panchali, 1955) é o primeiro filme do indiano Satyajit Ray, e também o primeiro da Trilogia de Apu, baseada num clássico da literatura bengali.  Conta a estória de um menino nascido em uma pequena e pobre aldeia. Apu vive com a irmã Durga, a mãe Sarbojava, a avó, um cachorro, uma cabra e uns gatos, enquanto seu pai Harihar, poeta e escritor brâmane, tenta arranjar um trabalho, mas acaba vendendo o sítio para pagar as dívidas.  O que impressiona logo de cara é a pobreza do local e o jeito lento e simples de Ray contar a estória.  Akira Kurosawa disse uma vez que “não ter visto o cinema de Ray significa existir no mundo sem ver o sol ou a lua”. Muita gente não sabe, mas a Índia tem sido o país que mais filmes produz, à frente da China, do Japão, dos Estados Unidos.  Um de seus muitos polos de cinema chama-se Bollywood. Falando nisto, o cinema da Nigéria, conhecido por Nollywood, também está ultrapassando Hollywood.  Por que será que a maioria de nós não sabi…

Para entender o Pato Donald e os dias atuais

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“Para leer al Pato Donald” foi escrito pelo argentino Ariel Dorfman e pelo belga Armand Mattelart, e publicado no Chile dois anos antes do golpe fascista que derrubou o presidente Salvador Allende em 11 de setembro de 1973. O Pato Donald (Donald Fauntleroy Duck) foi criado pela Disney em 1934.  Virou revista em quadrinhos no Brasil em 12 de julho de 1950, publicada pela Editora Abril, fundada naquele ano pelo americano Victor Civita, em sociedade com brasileiros, a exemplo do irmão Cesare, que já era editor na Argentina. Abril se refere ao início da primavera (nome inicial da editora) no hemisfério norte.  Alguns anos antes, em plena II Guerra Mundial, os americanos estavam preocupados com a influência das Potências do Eixo (Alemanha, Itália e Japão) sobre a América Latina, principalmente Brasil, Argentina, Chile e Peru. No âmbito da Política da Boa Vizinhança, na comitiva de Rockefeller, Disney e RKO produziram “Saludos Amigos” com première mundial no Rio em 24 de agosto de 1942, doi…

Adoniran Barbosa e Elis Regina 1978 (completo)

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Iracema, eu nunca mais que te vi
Iracema meu grande amor foi embora
Chorei, eu chorei de dor porque
Iracema, meu grande amor foi você
Iracema, eu sempre dizia
Cuidado ao travessar essas ruas
Eu falava, mas você não me escutava não
Iracema você travessou contra mão
 E hoje ela vive lá no céu
E ela vive bem juntinho de nosso Senhor
De lembranças guardo somente suas meias e seus sapatos
Iracema, eu perdi o seu retrato
Iracema, fartavam vinte dias pra o nosso casamento
Que nóis ia se casar
Você atravessou a São João
Veio um carro, te pega e te pincha no chão
Você foi para Assistência, Iracema
O chofer não teve curpa, Iracema
Paciência, Iracema, paciência
E hoje ela vive lá no céu
E ela vive bem juntinho de nosso Senhor
De lembranças guardo somente suas meias e seus sapatos
Iracema, eu perdi o seu retrato

A Onda Conservadora

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Segundo o médico e professor Daniel Siegel, da UCLA, a remodelação do cérebro é a causa do comportamento impulsivo e rebelde da juventude, e mudanças são necessárias para que se continue jovem e saudável.  Imagino que o amadurecimento seja também uma mudança necessária, e muito.  Todo mundo deve conhecer alguém que se mantém criança a vida toda, no bom e no mau sentido.  E não é difícil encontrar jovens “envelhecidos”, que agem “como nossos pais”. Em 2008 o alemão Dennis Gansel dirigiu o filme “A Onda” (die Welle), com roteiro de Johnny Dawkins, roteirista também de outro filme com o mesmo nome (The Wave, Alex Grasshof, 1981).  Em 2011, David Jeffery dirigiu o documentário Lesson Plan sobre o mesmo tema. Todos se baseiam na obra de Ron Jones, sobre uma história real. O professor colegial Rainer Wenger (Jürgen Vogel) faz um experimento para demonstrar como é a vida sob uma autocracia, definida por um de seus alunos como a forma de governo em que um indivíduo ou um grupo concentra poder …