domingo, junho 26, 2016

Notícias do Brasil



https://www.liberationnews.org/brazil-coup-king-naked-people-rise/
Junho tem sido um mês cruel para o vice-presidente marionete do golpe, Michel Temer. Exemplos:

NYT - New York Times, dia 6: Brazil's Gold Medal for Corruption, sobre o governo interino.  O mestre Hariovaldo comentou. 
NYT - New York Times, dia 9: 
Scandal-Prone Brazil Government Casts Doubt on Impeachment, sobre o governo interino. 
JB - Jornal do Brasil, dia 17: Governo de Temer declara guerra ao jornal New York Times, sobre a resposta do governo interino, e o mestre Hariovaldo concorda
Estadão – O Estado de S.Paulo, dia 17: 
Gustavo Perrella, do helicóptero com cocaína, é nomeado para o Ministério do Esporte, sobre como age o governo interino. 


A Polícia Federal, o Ministério Público e a mídia, unidos pelo golpe, não tinham outra saída se não montar o espetáculo da prisão do ex-ministro Paulo Bernardo.  Independentemente se um petista também cometeu ou não atos de corrupção, é clara essa campanha contra a democracia, conduzida pela direita hipócrita, que não consegue voltar ao poder através do voto popular.  O cientista social Robson Souza resumiu bem esta situação ontem no artigo “O deus-dinheiro, o impeachment e a volta da caça às bruxas.

domingo, junho 12, 2016

Golpe ameaça democracia e soberania do Brasil

Mark Weisbrot
A presidenta do Brasil Dilma Rousseff está agora ameaçada de impeachment, mas não há nenhuma evidência de que ela está ligada ao escândalo "Lava Jato", ou qualquer outra corrupção. Em vez disso, ela é acusada de uma manipulação contábil que pouco desvirtuou a posição fiscal do governo - algo que presidentes anteriores fizeram. Para usar uma analogia com os Estados Unidos, quando os republicanos se recusaram a aumentar o teto da dívida em 2013, a administração Obama usou uma série de truques de contabilidade para adiar o prazo em que o limite foi atingido. Ninguém se importou.

A campanha de impeachment - que o governo tem rotulado corretamente como um golpe de Estado - é um esforço da elite tradicional do Brasil para conseguir por outros meios o que eles não têm sido capazes de ganhar nas urnas durante os últimos 12 anos. O ex-presidente Lula é acusado de receber dinheiro de corporações para discursos, e para reformas de uma propriedade que ele afirma que não possui. Mas mesmo que essas acusações sejam verdadeiras, não há nenhuma evidência de um crime ou mesmo uma ligação com corrupção. Os alegados eventos ocorreram após Lula ter deixado a presidência - e, novamente, como nos EUA, ex-funcionários públicos podem legalmente ser pagos por discursos. No entanto, o juiz Sergio Moro, que está conduzindo a investigação, conduziu uma campanha de difamação bem executada contra Lula. Ele teve que pedir desculpas ao Supremo Tribunal por vazar conversas em telefone grampeado de Lula e Dilma, Lula e seu advogado, e até mesmo a esposa de Lula e seus filhos.

É claro que o Partido dos Trabalhadores não seria vulnerável a esta tentativa de golpe se a economia não estivesse imersa em uma recessão profunda. Mas, também aqui, a mídia está manifestamente errada, agitando por mais cortes de gastos e altas taxas de juros que só pioram e prolongam a crise. Ao contrário, o Brasil precisa de um estímulo sério para impulsionar a economia. Felizmente, o país tem cerca de US $ 353 bilhões em reservas internacionais e, portanto, não está limitado pelo balanço de pagamentos.

O principal obstáculo para a recuperação é o poder dos grandes bancos, que são como Wall Street nos EUA, mas com esteróides. O Brasil está pagando quase sete por cento do PIB em juros sobre a sua dívida pública - mais do que a Grécia, no auge da sua crise da dívida. Mas o Brasil não tem nenhuma crise da dívida, nem qualquer ameaça significativa de inadimplência. Seus pagamentos de juros usurários são um resultado do poder político de seus próprios bancos, que se beneficiam atualmente de uma taxa de juros recorde de 34% entre ativos e passivos. Apenas reduzindo o serviço da dívida pública do Brasil a seu nível de há alguns anos atrás permitiria um grande estímulo - cerca de 3,5% do PIB - que poderia tirar o país da recessão.

O governo dos EUA tem silenciado sobre esta tentativa de golpe, mas há poucas dúvidas aqui sobre sua posição. Sempre apoiou golpes contra governos de esquerda no hemisfério, inclusive - apenas no século 21 - no Paraguai em 2012, Haiti em 2004 e 2011, Honduras em 2009, e Venezuela em 2002. O presidente Obama foi para a Argentina para elogiar o novo governo direitista e pró-EUA, e sua administração inverteu a política anterior de bloquear empréstimos multilaterais para a Argentina. Poderia ser uma coincidência que o escândalo na Petrobras sucedeu uma grande operação de espionagem da NSA que teve como alvo a empresa - ou não. E no Brasil hoje, a oposição é dominada por políticos que favorecem Washington. Seria uma vergonha adicional que o Brasil perca muito de sua soberania nacional, bem como a democracia, a partir deste golpe sórdido.


Esta é uma tradução livre do texto de Mark Weisbrot, economista americano do Centro para Pesquisa Econômica e Política, com o qual concordo em gênero, número e grau.